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Maio de 2013

Minha Profissão - Meu Futuro

Histórias de vida de profissionais que estão no mercado atual de trabalho ajudam vestibulandos na hora de fazerem a escolha de suas carreiras.

FISIOTERAPEUTA POR VOCAÇÃO

A fisioterapeuta Enza Vitória Portomeu, especialista em Neurologia adulto e infantil.
A fisioterapeuta Enza Vitória Portomeu, especialista em Neurologia adulto e infantil.

FISIOTERAPIA

A  sioterapia é uma especialidade da área de saúde constituída por um conjunto de técnicas para tratamento e prevenção de doenças e lesões. O  sioterapeuta atua com diversos métodos, como massagem e exercícios, usa aparelhos especiais e elementos como a água, calor e frio para a recuperação física e funcional do paciente, que pode ser de vários tipos: acidentados, portadores de doenças neurológicas, cardíacas ou respiratórias.

Certo dia, a então adolescente Enza Vitória Portomeo presenciou um professor de educação física alongar um aluno com torcicolo e guardou aquela técnica na memória. Mais tarde, ela usou o procedimento na mãe de uma amiga que estava com dor no pescoço. “Eu falei que sabia o que fazer, fiz, e ela disse que nunca mais teve dor”, recorda a hoje fisioterapeuta e professora de uma escola técnica de Passos, ao explicar como se deu sua opção por essa profissão da área de saúde. 

“Eu jogava handebol na escola e, por isso, minha mãe achava que eu ia entrar na faculdade de educação física, mas eu não era muito fã de academia, não”, conta Enza Portomeo. Depois dessas experiências com o torcicolo, ela decidiu fazer vestibular para fisioterapia, embora soubesse se tratar de uma profissão relativamente desconhecida. “Eu só tinha ouvido falar de um fisioterapeuta em Passos, na época. Então, eu decidi fazer sem muito conhecimento do que era o curso”, revela.

Enza ingressou na UNAERP (Universidade de Ribeirão Preto) e nos primeiros seis meses “já estava apaixonada” pelo curso: “Foi a partir do meu ingresso na faculdade que tive a certeza de que eu queria fazer fisioterapia. E eu era uma aluna aplicada, dava aula particular de metodologia e cardiologia para colegas, quando tinha prova, os meninos sempre vinham estudar comigo. E eu era a ‘professora’. Eu sempre quis ser fi sioterapeuta e professora”, diz.

O fisioterapeuta Gustavo Gianini Vasconcelos Botrel, especialista em Ortopedia e Traumatologia.
O fisioterapeuta Gustavo Gianini Vasconcelos Botrel, especialista em Ortopedia e Traumatologia.

Hoje, trabalhando na Santa Casa e dando aulas de várias disciplinas em cursos técnicos de enfermagem, radiologia, farmácia, entre outros, Enza Portomeo foi uma aluna dinâmica, interessada em assuntos da faculdade, como palestras e estudos específicos, e tinha disposição para estudar e ensinar ao mesmo tempo.

“A única preocupação que eu tive foi no terceiro ano, quando fui fazer parte da UTI (Unidade de Terapia Intensiva) em um hospital. Fiquei com muito receio na época, mas o meu primeiro trabalho foi dentro da UTI, onde trabalhei com pacientes cardíacos”, disse, acrescentando ter passado por todas as áreas da fisioterapia, embora hoje seja especializada em neurologia adulto e infantil.

Primeiro Emprego

Depois de formada, a jovem profissional não teve problemas para arrumar o primeiro emprego. Enquanto estudante, nas férias, ela fez um estágio voluntário na Santa Casa, onde ficou amiga da fisioterapeuta Cláudia Chelala. Quando a colega montou uma clínica, Enza foi convidada para trabalhar com ela. Depois, no mesmo mês (fevereiro), a recém-graduada foi contratada por uma escola técnica. Em julho seguinte, ela fez uma prova na Santa Casa e passou. Isso aconteceu 13 anos atrás e Enza continua dedicada ao hospital e à escola.

Enza em uma das infindas noites de estudo. ”Eu era uma aluna aplicada, dava aula particular de metodologia e cardiologia para colegas.”
Enza em uma das infindas noites de estudo. ”Eu era uma aluna aplicada, dava aula particular de metodologia e cardiologia para colegas.”

“O mercado de trabalho hoje não está tão fácil como na minha época, mas tem espaço. O profissional precisa conhecer o mercado e saber o que tem de demanda”, orienta a fisioterapeuta. Atualmente, o recém-formado pode atuar como trainee, sob a supervisão de um colega experiente, e ter a chance de ser contratado. Possibilidade que, segundo Enza, não havia quando ela terminou a faculdade. 

“Ele (universitário) tem que conhecer o que o mercado de trabalho está precisando e saber de suas habilidades dentro daquilo que está sendo pedido”, recomenda a fisioterapeuta, que fez os melhores cursos na especialidade que ela achava que tinha mais vocação, que é a fisioterapia neurológica. “Os cursos extra-curriculares são caros, mas te colocam no mercado de trabalho em qualquer lugar”, observa.

Para Enza, o estudante deve tentar enxergar bem mais adiante e procurar os melhores cursos na especialidade desejada. Depois, quando for trabalhar, não se esquecer que demora um pouco para conquistar a clientela, mas com ética e disposição para continuar estudando e fazer cursos para enriquecer o conhecimento, você chega lá.

Minha profissão, meu futuro.

Com a bagagem adquirida em anos de estudos, Enza Portomeo trata seus pacientes e ainda dá aulas de anatomia e fisiologia, ergonomia, cabeça e pescoço, doenças ocupacionais e patologia. Segundo ela, o pré-universitário interessado nesta profissão pode fazer o curso com tranquilidade, sempre buscando um bom desempenho na graduação e já visualizando o mercado de trabalho. 

“É uma profissão que tem futuro, tem muita área para trabalhar. Mas é necessário estar atento ao mercado e disposto a estudar com disciplina, porque faz toda diferença quando você vai entrar no mercado”, recomenda. “Seja positivo e tenha certeza de que Deus vai estar abençoando você como profissional”, encoraja.

DE PACIENTE A PROFISSIONAL

O fisioterapeuta Gustavo Gianini Vasconcelos Botrel cursou fisioterapia no CEUCLAR (Centro Universitário Claretiano), em Batatais (SP), depois de ter feito um ano de educação física, na mesma instituição. Não que ele tivesse ingressado na faculdade errada e depois desistido, mas pelas condições financeiras da família que não permitiam pagar um curso mais caro. Como a colega Enza Portomeo, Gustavo Botrel também era “apaixonado” pela fisioterapia, especialidade que ele também conheceu numa situação bem real. Aos 15 anos de idade, um reumatismo afetou-lhe a coluna e a perna, deixando-o dois meses praticamente paralisado na cama. O problema só foi corrigido com o tratamento fisioterápico.

Minha profissão, meu futuro.

Depois que ficou bom, Gustavo terminou seus estudos secundários e sonhava ser fisioterapeuta. “Eu gostava muito da fisioterapia, em que eu tinha muita fé, mas minha família não tinha dinheiro suficiente para pagar os estudos numa faculdade particular e eu não tinha condições de passar numa federal”, disse, explicando ter optado por educação física, cuja mensalidade custava cerca da metade, embora não tivesse abandonado o sonho pela especialidade que o havia curado do problema funcional. 

Em Batatais, Gustavo Botrel morou numa república em que um colega fazia educação física e outros três colegas cursavam fisioterapia. Como estudava educação física no período noturno, o jovem tinha tempo disponível e resolveu aproveitá-lo acompanhando os companheiros nas aulas de tempo integral do curso de seu sonho. “Eu via os colegas estudando em casa e fui me interessando cada vez mais pela fisioterapia”, disse, contando ter pedido sua mãe para mudar de curso, mas ela recusou porque o dinheiro não dava.

No ano seguinte, o jovem universitário conseguiu ajuda de uma tia e a aprovação da mãe para trancar a educação física e ingressar no novo curso. Com o Fies (Financiamento Estudantil), Gustavo teve os recursos mínimos para fazer a faculdade e se formar. “Era em período integral, então eu não podia trabalhar para ajudar nas despesas. Passei muita difi culdade. Minha mãe, Ana Maria Gianini, é viúva, professora aposentada... foi uma tia quem me ajudou muito”, recorda, acrescentando que para reduzir os gastos sempre voltava para Passos de carona.

Com a educação física para trás e cursando, agora, o que sempre quis para sua vida profissional, Gustavo Botrel não teve difi culdade de se adaptar às novas disciplinas. “Eu estava focado no que eu queria”, afi rma. “A faculdade oferecia uma estrutura muito boa para nós sairmos de lá preparados”, conta, observando, no entanto, que, apesar dos recursos nos estudos universitários serem fundamentais, é o atendimento diário na clínica ou no consultório que irá credenciar o profi ssional.

“O trabalho nos inspira diariamente pela persistência em chegar a um resultado satisfatório para o paciente”, comenta, dizendo que sua referência é sua antiga fisioterapeuta – hoje colega de profissão – Cláudia Chelala, com a qual trabalha no Centro de Reabilitação da Santa Casa. “Ela e a equipe inteira têm grande dedicação e obtêm muitos bons resultados”, afirma Gustavo Botrel, que presta serviços também a pacientes particulares.

Especialização

Após se formar, o jovem fez uma prova na Santa Casa e foi aprovado. Logo em seguida, ele começou a cursar pós-graduação em ortopedia e traumatologia, especializando- se na área em que atua hoje no hospital e nos atendimentos particulares. Até o fim do ano passado, em parceria com o Dr. José Antônio de Oliveira (ortopedista), Gustavo participava de um grupo de estudos sobre lesões de joelho com especialistas da USP (Universidade de São Paulo) de Ribeirão Preto. Esses estudos proporcionavam palestras com médicos conceituados, que traziam sempre informações sobre os avanços nas técnicas de tratamento.

“Todo dia tem uma novidade. O profissional tem que estar sempre atualizado. Os cursos de atualização são caros, às vezes não compensa pelo salário, mas é importante fazê-los. Mas nós (do Centro de Reabilitação) às vezes nos juntamos para trazer um profissional para nos ensinar técnicas novas”, disse Gustavo Botrel.

Sobre o mercado de trabalho, o fisioterapeuta acredita num potencial de crescimento, que seria refl exo do aumento da expectativa de vida da população brasileira, abrindo espaço para mais profissionais bem preparados. “A tendência é de que o mercado vá melhorar, por causa da idade das pessoas e da maior preocupação das autoridades de saúde de trabalhar com a prevenção. Eu trato dois pacientes de 93 e de 85 anos de idade há mais ou menos três anos. É um trabalho preventivo. Mesmo com essas idades, eles ainda apresentam um bom equilíbrio e não tiveram nenhuma queda, que é muito comum nessa faixa de idade”, disse.

Para os estudantes que pretendem se tornar seus colegas, Gustavo Botrel faz uma análise positiva de sua profissão. “É um curso muito bom e é um trabalho muito bonito, em que você recupera o paciente não só com técnicas, mas com palavras (de estímulos). Às vezes, ele (paciente) vem mais para te escutar. E a gente nota a melhora da pessoa dia a dia”, disse.

Enio Modesto

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