Educação

Você está em: Home, Educação, Minha Profissão - Meu Futuro

Junho de 2013

Minha Profissão - Meu Futuro

Histórias de vida de profissionais que estão no mercado atual de trabalho ajudam vestibulandos na hora de fazerem a escolha de suas carreiras.

Para ajudar a orientar quem pretende fazer vestibular na área ou aqueles que ainda se encontram indecisos, a foco ouviu os engenheiros agrônomos Marcos Pedroso Silveira e André Reis Alves, que falam sobre os tempos de faculdade, os primeiros passos na carreira e o mercado de trabalho.
O engenheiro agrônomo Marcos Pedroso Silveira, formado há 28 anos, no campo, onde se sente realizado.
O engenheiro agrônomo Marcos Pedroso Silveira, formado há 28 anos, no campo, onde se sente realizado.

Agronomia

São as ciências e técnicas usadas para melhorar a qualidade e a produtividade de lavouras, rebanhos e produtos agroindustriais. O engenheiro agrônomo envolve-se em praticamente todas as etapas do agronegócio - do plantio ou da criação de rebanhos à comercialização da produção. Ele planeja, organiza e acompanha o preparo e o cultivo do solo, o combate a pragas e doenças, a colheita, o armazenamento e a distribuição da safra. Cuida da alimentação, da reprodução, da saúde e do abate de animais. Também gerencia a industrialização, o armazenamento e a comercialização de alimentos de origem animal e vegetal.

Paixão pela Agronomia

O engenheiro agrônomo Marcos Pedroso Silveira, de 51 anos, não teve dúvidas em relação à escolha de sua profissão. Nascido e criado em Passos, Marcos se formou na Escola Su-perior de Ciências Agrárias de Machado em 1.985, e afi rma que o gosto pelo campo infl uenciou na escolha. “Desde criança sempre gostei muito do meio rural, tem pessoas que são mais urbanas, outras que são mais rurais. Eu diria que sou 90% rural, então eu sabia que seria ou engenheiro agrônomo ou veterinário, não escolheria outra profissão que não fosse ligada a essa área”, revela o agrônomo, que é casado com Anice Simão Silveira e é pai de Marcos e Talita.

Na faculdade, Marcos afirma que não enfrentou dificuldades, pois como foi um aluno estudioso e dedicado, sempre obteve excelentes notas. Logo no início do curso Marcos começou a fazer estágios na área e a trabalhar. A experiência de morar em outra cidade não foi empecilho, pois devido à proximidade entre Machado e Passos, sempre vinha a Passos nos finais de semana.

Marcos afirma que aprendeu muito na faculdade, porém, como todo recém-formado quando inicia a carreira, teve uma insegurança natural, que foi sendo superada com o passar do tempo e com a confiança que se adquire com o próprio trabalho.

Currículo extenso e diversificado

“No início da minha carreira pensava em trabalhar apenas com assistência em lavoura de café, mas como a cultura do café foi diminuindo na região, passei a trabalhar com topografia, a marcar terraços em nível para controle de erosão. De repente, muitos produtores começaram a fazer estábulos para produção de leite tipo B, nesse momento migrei para a área de construções rurais, sendo responsável técnico por 386 projetos de estábulos de leite do tipo ‘B’, em Passos e região. Na sequência, foi a época do início do plantio direto, passei então a incentivar e orientar os produtores pioneiros no uso desta técnica de agricultura de baixo carbono, que não remove o solo e que hoje é aplicada em 80% das áreas plantadas na região”, explica o agrônomo, falando sobre as diferentes etapas percorridas ao longo da carreira.

André Reis Alves, formado em Agronomia há 3 anos, atualmente é engenheiro responsável da Casmil.
André Reis Alves, formado em Agronomia há 3 anos, atualmente é engenheiro responsável da Casmil.

Logo depois de formado, Marcos Pedroso começou a trabalhar para a Cooperativa Agropecuária do Sudoeste Mineiro (Casmil), onde prestou serviços por 22 anos. Depois montou seu próprio escritório, localizado na Rua Gonçalves Dias, onde há cinco anos trabalha com assistência técnica e consultoria em propriedades rurais. “Com a rigidez das leis ambientais abriu-se um novo campo para o engenheiro agrônomo, e hoje trabalho com a concessão de laudos e licenciamentos ambientais”, ressalta.

Seu escritório presta serviços nas áreas de Licenciamento Ambiental (LA) rural e urbano, averbação de Reserva Legal em cartório (RL) e Planos de Recuperação de área degradada (PRAD). Além de engenheiro agrônomo, Marcos é técnico em transações imobiliárias (corretor de imóveis), e devido à larga experiência que tem em administração rural, também exerce a função de avaliador de imóveis rurais.

Além de todas essas atividades, é também produtor rural e empresário no ramo de Silvicultura, que é a cultura de florestas plantadas. Nessa área, ele trabalha com a produção de mudas e faz plantio das culturas de eucalipto, café, cedro australiano e mudas nativas.

“Tenho na agronomia minha atividade principal, sempre sobrevivi da profissão, me dediquei muito, apesar de manter outros negócios paralelos,” salienta o agrônomo, que se diz um parceiro dos produtores rurais.

“Sempre fui um defensor do produtor rural, estive ao lado dos produtores durante 27 anos de permanente atuação profissional, são inteligentes, merecedores, trabalhadores, são os verdadeiros protetores do meio ambiente, e a eles cabe a árdua tarefa de produzir alimentos, fomentar o progresso e valorizar a terra”, enaltece.

Devido aos inúmeros trabalhos prestados ao setor rural do município, Marcos foi agraciado em 2.011 com a medalha do mérito legislativo, concedida pela Câmara dos Vereadores de Passos.

O engenheiro agrônomo Marcos Pedroso em seu escritório, onde trabalha com assistência técnica e consultoria em propriedades rurais.
O engenheiro agrônomo Marcos Pedroso em seu escritório, onde trabalha com assistência técnica e consultoria em propriedades rurais.

Sobre as diferenças em relação à época em que se formou com o período atual, Marcos diz que “houve um aumento expressivo da pro-dutividade, e que para se ter uma ideia, a produtividade nos últimos 20 anos aumentou 154%, enquanto que a área plantada aumentou 27%, ou seja, é pura tecnologia através do melhoramento genético, manejo de solo, eficiência das máquinas agrícolas e desempenho profissional, o que mostra que com o avanço da tecnologia as coisas melhoraram”, observa.

Outra marca expressiva no currículo do engenheiro agrônomo, aponta que até a data de 22 de maio de 2.013, há registrado junto ao CREA, (Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia), mais de 1.000 Anotações de Responsabilidade Técnica (ART), em seu nome, sendo laudos, projetos de estábulos, projetos ambientais e receitas técnicas.

Gosto pelo agronegócio influenciou

O gosto pelo agronegócio levou André Reis Alves, 26 anos, a escolher a agronomia como profissão. Formado pela Faculdade de Engenharia Agronômica da Fundação de Ensino Superior de Passos (Fesp/Uemg) há 3 anos e meio, ele optou pelo curso logo após concluir o ensino médio.

“Fiz esta escolha quando estava terminando meu colegial, e logo em seguida fiz a inscrição para prestar o vestibular e comecei a fazer agronomia em 2005. E escolhi esta profissão pela afinidade que sempre tive pelo agronegócio”, ressalta.

Como todo jovem que sente os reflexos da mudança, quando deixa o colégio e ingressa na faculdade, com André também não foi diferente. “No início da faculdade tive muitas dificuldades devido a estar mudando de uma rotina para a outra, nos dois primeiros anos foi bem complicado, por ser mais teoria e pouca prática”, observa. 

Oportunidade de estágio foi importante para a formação

Mesmo estudando mais teoria nos primeiros anos do curso, em meados da graduação, no ano de 2007, surgiu a oportunidade de fazer uma prova, que oferecia uma disponibilidade de estágio remunerado na Cooperativa Agropecuária do Sudoeste Mineiro LTDA (Casmil), pelo grupo chamado GEAPASSOS, que mantinha uma parceria entre a Fesp e a Casmil.

André ao lado de um produtor rural, em São João Batista do Glória.
André ao lado de um produtor rural, em São João Batista do Glória.

“E nesse estágio fiquei desde 2007 até o final de minha graduação em 2010, tendo uma duração de 3 anos e meio, onde tivemos várias experiências na área, como produção de gado leiteiro, pastejo rotacionado, área de lavoura, qualidade de leite, o que muito contribuiu para minha formação profissional”, explica. 

A experiência como estagiário na Casmil acabou sendo oportuna para a carreira de André, que permaneceu na empresa depois de formado. Durante um ano e meio, André trabalhou na qualidade do leite da empresa, e em junho 2011, mudou para a parte Agrícola, onde atualmente é o Engenheiro Agrônomo responsável da empresa.

André acredita que a faculdade oferece uma boa formação teórica, porém, é depois de formado que o profissional vai adquirindo confiança com a prática.

“A faculdade nos dá uma base de aprendizado, dentro da graduação, mas se o aluno não fizer um estágio para que possa levar a teoria até a prática fica um pouco difícil. Depois de formado, com o dia a dia é que iremos cada vez mais nos aperfeiçoando”, afirma.

Para aqueles que pretendem seguir a mesma carreira de André, ele afirma que é possível, sim, viver só de agronomia, e deixa como dica para os futuros agrônomos a importância de se dedicar ao máximo durante o curso para obterem sucesso na carreira.

DICAS DE SUCESSO NA PROFISSÃO:

- Dedicação, disponibilidade ao trabalho.

- Formação generalista, ter conhecimento das atividades.

- Espírito empreendedor, buscar assistências técnicas duradouras.

- Promover uma agricultura economicamente viável, ecologicamente sustentável e socialmente justa.

- Solucionar os problemas dos produtores rurais com os recursos que eles possuem ou que tenham condições de adquirir.

- Ser classista, respeitar colegas de profissão e os produtores rurais.

- Capacidade para se ajustar às novas demandas do mercado.

MISSÃO DO ENGENHEIRO AGRÔNOMO:

- Alimentar o solo para alimentar o povo.

© Copyright 2013 Foco Magazine

by Mediaplus