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Junho de 2013

EAC - Duas décadas de trabalho com adolescentes

EAC – Duas décadas de trabalho com adolescentes.

O Encontro de Adolescentes com Cristo (EAC) da Paróquia da Matriz do Senhor Bom Jesus dos Passos acaba de completar 20 anos de existência. Nessas duas décadas, o movimento – por meio do trabalho abnegado de alguns casais – tem conseguido evangelizar centenas de adolescentes, trabalhando valores e transformando mentes à luz da doutrina de Cristo.

“O jovem deve ser foco de atenção não apenas num ano, mas sempre. Ele deve ser olhado pela família, pela Igreja, pela sociedade o tempo todo. Afinal, o que ele vai ser amanhã, o futuro dele vai influenciar a vida de todo mundo”. Com estas palavras, a professora Edelzia Aparecida Ferreira mostra a importância de acolher o adolescente, ouvi-lo e ajudá-lo a encontrar seu caminho num mundo cada vez mais cheio de armadilhas.

Ela e seu esposo, o contador Walter Silva, que atuam como coordenadores gerais do EAC de Passos, observam que é preciso que todos acolham os jovens, abram as portas para eles. “A maioria dos adolescentes está perdida. Ele (adolescente) vai entrar na primeira porta aberta que o acolher, mesmo sem saber o que vai encontrar lá dentro. Vai pela curiosidade. Então, que abramos as portas certas, para que tenhamos um mundo melhor”, diz o casal.

São essas lições simples que Walter e Edelzia e outros seis casais transmitem aos jovens, ganhando deles não apenas a confiança, mas a amizade e o carinho. “O jovem precisa de limite, de muito limite, mas também precisa do carinho do pai, da mãe e da sociedade”, diz Walter.

A história do EAC

Todos os sete casais são chamados pelos adolescentes de “tios”. É uma forma carinhosa de tratamento que começou desde a fundação do grupo, há vinte anos. Mas, conforme relatam Walter e Edelzia, o grupo não é originário de Passos. Esse movimento surgiu no final da década de 1970, por influência do padre Afonso Pastore. Tanto o EAC como o EJC (Encontro de Jovens com Cristo) surgiram como vertentes do ECC (Encontro de Casais com Cristo).

Em março de 1993, cinco casais passenses estiveram em Belo Horizonte, onde conheceram o EAC. Na época, convidaram casais da capital mineira para vir a Passos ajudar na implantação de movimento semelhante. No mês seguinte, já aconteceu o primeiro encontro do EAC de Passos. Hoje, são 40 encontros, já que o movimento realiza dois por ano – um em abril e outro em setembro – geralmente na E.E. Dulce Ferreira de Souza (Polivalente).

Tarefas e objetivos

Conforme os coordenadores, semanalmente, os sete casais trabalham com até 150 adolescentes, entre meninos e meninas. Além da reunião semanal (aos sábados), no salão paroquial da Igreja da Matriz de Passos, os adolescentes desenvolvem diversas tarefas repassadas pelos “tios”. Normalmente, são trabalhos sociais que servem tanto para colocar o adolescente em contato com a realidade, como para praticar a solidariedade e evangelizar.

“Eles se dividem em equipes e cumprem suas responsabilidades com muito empenho. Sabem perfeitamente que se uma equipe não trabalhar bem comprometerá o desempenho de todo o grupo”, frisam Edelzia e Walter. Segundo os dois, a rotina de trabalho semanal não é fácil, “mas eles conseguem cumprir todas as tarefas”. Na Semana Santa deste ano, por exemplo, os jovens do EAC participaram de procissões que ocorriam às cinco e meia da manhã. Nem por isso reclamavam. “Podemos dizer que 90% das atividades da Semana Santa foram feitas pelos jovens do EAC”, diz o casal.

Os coordenadores gerais afirmam que o EAC vem cumprindo seu papel, que é manter o jovem na Igreja depois da primeira eucaristia. “Normalmente, o que ocorria era que, depois da primeira eucaristia, o adolescente sumia da Igreja. E trazer esses meninos para a crisma ou para alguma pastoral da Igreja era a coisa mais difícil. Com o EAC tudo mudou. Eles trouxeram mais alegria à Igreja”, comenta o casal.

De fato, a alegria é um dos cinco princípios do EAC. Os outros quatro são: oração, humildade, pobreza e doação. Edelzia e Walter explicam o significado dos cinco princípios. “Oração: toda reunião do EAC começa e termina com uma oração; Humildade: no EAC, há várias classes sociais, mas todos agem com humildade, pois se sentem iguais; Doação: são os atos concretos, as obras; Pobreza: ensinamos o não apego a bens materiais; e Alegria: o jovem tem de ter alegria na família, na igreja, nas amizades, enfim, onde ele estiver”.

Parte dos “tios” que integram a coordenação do EAC.
Parte dos “tios” que integram a coordenação do EAC.

Jovens em ação

O casal afirma que a participação dos adolescentes não se restringe à presença nas missas. Eles fazem vigílias, hora santa, participam de procissões, confissões e do trabalho social. No caso dos trabalhos sociais, por exemplo, as tarefas são definidas em conjunto. “Às vezes, é uma creche que está necessitando de ajuda. Então, os jovens se dividem em equipes e arrecadam alimentos, roupas e outros produtos para levar à entidade. Às vezes, quem precisa da ação é o asilo. Eles agem da mesma forma, se dividindo em equipes”, relatam os orgulhosos “tios”.

Mas, as ações não se resumem a recolher e levar produtos alimentícios, roupas ou outros utensílios. Os jovens vão às entidades contempladas e lá realizam atividades: brincadeiras com as crianças, alguns até se fantasiam, e companhia aos idosos. “É emocionante ver a dedicação dos jovens para com crianças e idosos. Quando a gente vai ao asilo, cada um escolhe um idoso e passa o dia todo com ele. Leva um presente, fica a conversar com o idoso, empurra sua cadeira de rodas (se for cadeirante), enfim, dedica um dia ao idoso”, dizem Edelzia e Walter.

Nas reuniões semanais, os “tios” sempre falam sobre temas atuais, como violência na sociedade, drogas e, acima de tudo, evangelizam à luz da doutrina de Jesus Cristo. “Cristo está em tudo o que falamos e fazemos. Ele é a nossa luz”, frisa o casal. Para cuidar de grupo tão numeroso, são apenas sete casais. Além de Walter e Edelzia, também os “tios”: Fabrício e Michelle, Emerson e Daniele, Márcio e Rita, Cláudio e Vivian, Sebastião e Angélica e Vicente e Solange.

Os coordenadores do EAC concordam que é um número reduzido de casais para tantos jovens. Este é um dos motivos que levou a coordenação a decidir pela não participação do grupo na Jornada Mundial da Juventude, que ocorrerá em julho, no Rio de Janeiro. “Além disso, é muito complicado sair com meninos de 14 anos para uma cidade grande. Entretanto, faremos ações aqui mesmo, com paradas nas ruas e o acolhimento de parte de um grupo de religiosos franceses que virão a Passos em julho”, disseram Edelzia e Walter.

Edelzia e Walter: “Os jovens devem ser acolhidos pela família, pela Igreja e pela sociedade.”
Edelzia e Walter: “Os jovens devem ser acolhidos pela família, pela Igreja e pela sociedade.”

Os segredos do EAC

Para Walter e Edelzia, o sigilo que há em torno do EAC é que garante o sucesso do movimento. Segundo eles, nem os coordenadores nem os jovens que participam do EAC podem falar sobre o que ocorre lá dentro. Para participar do grupo, por exemplo, é preciso que um adolescente seja convidado por outro que é integrante. “Então, quando eles entram, tudo é novidade. E isso vai prendendo o jovem”, diz o casal, afiançando que tudo o que se faz é à luz da doutrina cristã.

O jovem só entra para o EAC depois que completa 14 anos. Lá permanece até os 17 anos e meio. Um dos filhos de Walter e Edelzia – Israel - entrou para o EAC com 14 anos. “Pensei comigo: mas o Israel nem vai à missa, será que ele vai permanecer?”, relatou Edelzia. Não só continuou como levou seus pais. Edelzia e Walter ficaram orgulhosos de verificar a mudança ocorrida na vida do filho, que hoje tem 19 anos de idade. “Um dos valores que mais trabalhamos lá é a família”, diz Edelzia, informando que a partir de setembro o segundo filho do casal – Mateus – deverá entrar para o EAC.

Além das famílias, os coordenadores contam com o apoio da Igreja e do pároco. “O padre Luiz (Gonzaga Lemos) viu que o trabalho que desenvolvemos é sério e, hoje, até nos liga para pedir a ajuda dos jovens do EAC. Há um excelente entrosamento”, observa o casal, que está no EAC há quase quatro anos. Afinal, lidar com adolescentes é um trabalho espinhoso? Ao contrário. Para o casal, é um trabalho gratificante. “De todas as pastorais que trabalhei, dentro da Igreja, eu me encontrei foi no EAC. Amo esses jovens”, diz Edelzia.

Na opinião dos coordenadores gerais do EAC, participar de um grupo de jovens traz, como resultado, o crescimento pessoal, o relacionamento interpessoal e o fortalecimento da fé cristã. “Eles (jovens) passam a entender o que é o santíssimo, o que é o Cristo”, frisam. Mas, também os “tios” passam a entender melhor seus filhos, como afirma o casal, citando experiência própria.

O EAC da Matriz de Passos se relaciona com outros movimentos de jovens, sobretudo das paróquias de Nossa Senhora Aparecida e de Nossa Senhora da Penha. Normalmente, jovens dessas duas paróquias são chamados a proferir palestra aos adolescentes do EAC. “E isso é bom para os dois lados”, afirmam Walter e Edelzia.

O casal Michelle e Fabrício conta a sua história de amor dentro do E. A. C. Con
O casal Michelle e Fabrício conta a sua história de amor dentro do E. A. C.

Uma história dentro do EAC

O casal Fabrício José Rodrigues Silva e Michelle Silveira Gonçalves vem escrevendo boa parte de sua história dentro do Encontro de Adolescentes com Cristo (EAC). Há 15 anos, Michelle fez o EAC. Entretanto, por timidez não continuou frequentando as reuniões.

Tempos depois, a hoje empresária e psicóloga começou a namorar o técnico em mecânica Fabrício. Certo dia, em seu trabalho, ela presenciou o então coordenador geral do movimento convidar uma colega para ajudar na organização do encontro. “De imediato, eu disse: ah, eu também quero ajudar. Ele disse-me que só aceitavam casais. Então, eu perguntei se aceitavam casal de namorados e ele confirmou. Convidei o Fabrício e disse: se você não quiser, eu arrumo um par. Ele aceitou na hora”, relata Michelle.

Na época, o casal namorava havia nove meses. De lá para cá, nunca mais deixou o EAC. “Quem cantou no nosso casamento foram os meninos do EAC. O nosso filhinho de dois anos, Luiz Otávio, participa de todas as reuniões do grupo. Já é uma espécie de mascote do EAC”, brinca Michelle.

Segundo Fabrício e Michelle, mesmo na época do casamento, eles não deixaram de ajudar na coordenação do grupo. Hoje, cinco anos depois, os dois lembram aos risos as brigas que tiveram durante o namoro: “A gente brigava e dizia um pro outro: então vamos largar de vez. De repente, um falava: mas e o EAC, como vamos fazer? Então, preferíamos continuar o namoro para não deixar o EAC”.

Para o casal, o que mais tem marcado a vida deles, no EAC, é o carinho dos meninos. “O carinho e a união do grupo, que age de forma coletiva, um ajudando ao outro, nas horas boas e nas horas ruins”, frisam Michelle e Fabrício. “Sentimos que hoje somos um espelho para esses jovens, o que muito nos orgulha. Entendemos que é nossa obrigação não só levar os jovens para a Igreja, mas mantê-los lá, principalmente diante de tudo o que vem ocorrendo no mundo”, diz Michelle.

Fabrício acredita que a vida corrida dos últimos tempos leva a um certo distanciamento entre pais e filhos. Por isso, muitos adolescentes encontram a acolhida necessária no EAC, buscando compensar a atenção que almejam da família. “No EAC, eles têm atenção, carinho e podem se expressar para outros jovens e para nós, coordenadores. Por isso, mesmo cheios de atividades, sempre arrumamos um tempo para dedicar a eles”, finaliza o casal.

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