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Março de 2011

A lição que o Brasil teima em não aprender

Três coisas acontecem todos os anos no Brasil: Carnaval, enchentes e deslizamentos de encostas. Não costumamos aprender com os desastres, apenas torcemos para que eles não aconteçam novamente.

Hong Kong é uma cidade muito parecida com o Rio de Janeiro. Tem as mesmas características topográficas, geológicas, climáticas e de tipos de solo. A cidade se desenvolveu nas regiões próximas às baías espremidas pelo relevo acidentado. Como a área disponível é pequena, a população começou a ocupar as encostas, em um processo semelhante ao que aconteceu no RJ.

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Hong Kong é vítima de tempestades como as que abalaram a região serrana do Rio, mas é considerada exemplo de gestão pública na prevenção de catástrofes. Em 1973 houve um grande deslizamento de encostas com a perda de muitas vidas. Em função disso, foi criado um órgão geotécnico de proteção das encostas (chamado GEO), referência mundial na prevenção de deslizamentos. Comissões organizadas pelo poder público conscientizaram e retiraram as pessoas das áreas de risco, transferindo-as para conjuntos habitacionais instalados em zonas seguras, além de desenvolver também um sistema de alerta – exatamente o que tem que ser feito no estado do Rio de Janeiro como um todo.

Em 2006, a Associação Brasileira de Mecânica dos Solos, (ABMS), organizou um simpósio, em Nova Friburgo, cujo título era: “Estabilização das encostas da região serrana do estado do Rio de Janeiro”. Foram convidados TODOS os prefeitos e secretários de obras de TODOS os municípios da região. O evento foi um grande sucesso técnico, mas com a participação de apenas UM secretário de obras, do município de Cantagalo. Os demais – inclusive os de Nova Friburgo – não compareceram.

Por que o Brasil, tão parecido, é tão imprevidente? Dois dias depois da tragédia na região serrana do Rio de Janeiro, ainda haviam bairros em Teresópolis onde não tinham chegado bombeiros, soldados ou qualquer força pública. Apenas voluntários, tentando convencer os moradores a se protegerem sem esperar pelo poder público. Nos ginásios e escolas, cidadãos sem moradia e sem orientação. Não sabem o que esperar do futuro e acabaram de perder sua história, seus bens e as pessoas que amam. O que dá a dimensão desta tragédia é saber que ESSAS são as pessoas que tiveram sorte. No meio das consequências, as evidências das causas: faltou poder público também antes da tragédia.

Se os serviços de meteorologia apontaram para chuva forte, onde está a estratégia da prefeitura para se deslocar aos pontos críticos que sempre causam transtorno? As autoridades deveriam estar lá antes da situação se tornar calamitosa. Se a população já sabe de cor onde os problemas se encontram, o governo deveria ser menos reativo e mais ativo e audacioso, se antecipando aos problemas. E, uma vez estabelecidos, solucioná-los.

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