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Outubro de 2013

Orientação Vocacional

Um importante instrumento na escolha da profissão

Grazielli Piantino Cançado é pedagoga e psicopedagoga;  atua como orientadora vocacional em escola para alunos do ensino médio.
Grazielli Piantino Cançado é pedagoga e psicopedagoga; atua como orientadora vocacional em escola para alunos do ensino médio.

Com pouca idade e ainda imaturos, adolescentes que estudaram desde a infância para chegar à faculdade, de repente, se veem à frente de uma ficha de inscrição para o vestibular em que têm que optar pelo curso que desejam frequentar, o que significa escolher o início da carreira profissional. Em sua decisão entram a expectativa dos pais, dos amigos e a angústia do futuro naturalmente incerto. Afinal, cursar uma faculdade pode ser tanto o começo de uma trajetória de sucesso profissional como o de um fracasso, de uma frustração, que por certo irá trazer consequências traumatizantes para a vida toda. A psicóloga Iácara Caroline de Lima Nogueira, que atua como orientadora vocacional em uma clínica de Passos, tranquiliza: se errou, não tem problema; sempre existe um momento de recomeçar. 

“Toda escolha sempre envolve riscos, provoca incertezas e insegurança. No começo de seu processo de escolha, a pessoa parece se assustar com a dimensão da tarefa, provavelmente porque o conhecimento sobre as profissões ainda não é concreto.  O melhor a fazer é se aprofundar no conhecimento das profissões e sobre si mesmo, assim, gradativamente, o estudante irá adquirir maior confiança”, explica Iácara Nogueira, que possui qualificações na área orientacional: “MBA em Gestão de Pessoas”, pela Fundação Getúlio Vargas, e “Coaching Persona & Professional”, pela Sociedade Brasileira de Coaching.

Janayna Brandão de Andrade:  psicóloga e orientadora educacional - aplica testes vocacionais há cinco anos em escola.
Janayna Brandão de Andrade:  psicóloga e orientadora educacional - aplica testes vocacionais há cinco anos em escola.

A orientação vocacional é feita para estudantes em dúvida sobre o curso de nível superior em que estão prestes a ingressar. Segundo Iácara, tanto os próprios alunos como os pais deles a procuram para ajudá-los a decidir em meio a tantas dúvidas e conflitos. “A orientação vocacional serve como um instrumento de apoio à escolha da carreira e tem por objetivo auxiliá-lo nesta importante etapa de sua vida. Além de criar um espaço onde o jovem pode expor suas dúvidas, medos, idealizações, angústias e incertezas”, explica. 

Também psicóloga e com atuação na mesma área, só que em um colégio particular, Janayna Brandão de Andrade, também cita os mesmos fatores que levam um pré-universtário à indecisão sobre que carreira seguir. “A escolha do curso propriamente dito, o futuro da carreira no mercado de trabalho, onde estudar... os conflitos e dilemas por ter que morar fora de casa, a expectativa de que vai ficar sozinho, o sucesso por passar no vestibular, no curso escolhido, tudo isso gera angústias. E eles mesmos começam a se cobrar, o que traz ansiedade, medo, mesmo sendo bons alunos”, analisa Janayna, acrescentando que, se não bastassem esses conflitos e dilemas, tem ainda a imaturidade do adolescente que precisa ser administrada num momento tão sensível da vida. “E tudo isso afeta a escolha da profissão”, disse.

A pedagoga e psicopedagoga Grazielli Piantino Cançado também conhece bem essas situações descritas pelas duas psicólogas, pois lida com alunos desde o 6º ano do ensino fundamental até o 3º do ensino médio (o antigo colegial). Segundo ela, quando chegam ao 1º colegial é que os estudantes começam a entender que existe o vestibular, é quando “cai a ficha”. “As primeiras preocupações deles são pedagógicas: o que estudar, como estudar. Depois, a faculdade, o curso...”, diz Grazielli, observando, no entanto, que no colégio em que trabalha, os alunos já começam a ser preparados desde o primeiro ano do ensino médio, para chegarem bem orientados no pré-vestibular. “E por mais que a gente os prepare, eles prestam o vestibular sem ter a certeza absoluta sobre o que querem mesmo. Isso acontece em 90% dos casos”, reconhece a orientadora.

O problema alcança uma dimensão muito maior hoje em dia, segundo Grazielli Cançado, porque os estudantes estão terminando o nível médio mais cedo ainda, com 15 ou 16 anos de idade, porque muitos ingressam na escola em idade bem precoce. Com pouca idade, eles já sofrem a pressão de passar de ano e retribuir o investimento da família, em sua preparação para a faculdade. Assim, a escolha da carreira é feita muitas vezes para corresponder às expectativas dos pais. “Por serem muito novos, esses alunos não conseguem visualizar que a ação de hoje (na escolha da profissão) vai gerar um fruto amanhã”, explica.

A psicóloga Iácara Caroline de Lima Nogueira é “MBA em Gestão de Pessoas” e “Coaching Personal & Professional”. Atua em clínica.
A psicóloga Iácara Caroline de Lima Nogueira é “MBA em Gestão de Pessoas” e “Coaching Personal & Professional”. Atua em clínica.

De acordo com Grazielli Cançado, uma orientação básica para quem almeja um curso superior, mas está indeciso ou mesmo sequer tem noção do que fazer, é organizar-se mentalmente, de forma cronológica, para entender o processo que leva ao seu objetivo, que é a faculdade. Conhecer as áreas em que deseja trabalhar e verificar se nelas estão as disciplinas em que está tendo maior dificuldade na escola é um passo importante. Por exemplo, quem deseja fazer engenharia, mas não vai bem em física, matemática... certamente não irá passar no vestibular com facilidade ou mesmo fazer um bom curso. “É preciso que o aluno conheça, entenda e pesquise as profissões em si”, disse. 

Para isso, o estudante pode visitar e conversar com profissionais da área em que tem interesse, para saber o dia a dia, a realidade da profissão. O desconhecimento leva à insegurança, à angústia e à ansiedade, por isso, a pedagoga diz que o melhor é organizar-se. “A organização do estudo faz com que a ansiedade diminua. Assim, o estudante ganha confiança para pensar numa carreira. Conforme a gente diminui o desconhecimento, a gente ganha mais segurança e mais controle, até para fazer uma prova bem feita”, recomenda.

Como Grazielli, Janayna Andrade e Iácara Nogueira dizem que os testes vocacionais são apenas um dos diversos meios que auxiliam o pré-universitário na escolha da carreira. “Os testes são valiosos, sim, para quem realmente está com dúvidas, para quem não consegue imaginar  o que quer fazer. É um instrumento a mais. O que enriquece mesmo são as conversas, o diálogo com a família, a autoestima da pessoa, os amigos, as informações sobre o mercado de trabalho”, disse Janayna. “Não tem como negar, temos que ser bem realistas, porque temos que conciliar a escolha com o mercado.”

“O caminho mais adequado é buscar o maior número de informações sobre tudo o que está envolvido na escolha de uma carreira. Faça reflexões sobre si mesmo, investigue seus gostos, resgate sua história pessoal e os interesses e habilidades. Identificar as habilidades/interesses e cruzar com as habilidades que a profissão demanda é fundamental”, orienta Iácara.  

Ainda conforme Iácara Nogueira, em sua escolha, a pessoa deve levar em consideração diferentes fatores e se questionar, como, por exemplo, sobre que área deseja atuar: exatas, biológicas ou humanas? Ou: Trabalhar com pesquisa ou ter amplo convívio com outras pessoas? Entretanto, esses fatores costumam terminar num dilema ao qual cabe uma reflexão: fazer o que gosto ou pensar no retorno financeiro?  “O ideal é juntar os dois pontos, fazer o que gosta, pois assim você poderá se dedicar e empenhar mais, assim tendo um bom retorno financeiro”, aconselha.

“Dar importância ao piso salarial das profissões e ter clareza no mercado de trabalho é necessário neste momento. Mas, além disso, é extremamente relevante o ser humano ter conhecimento das suas aptidões, habilidades e estratégias de inserção – estágios, vivências, contatos”, acrescenta Iácara.

Janayna de Andrade observa que toda escolha na vida da gente gera outras perdas e todos têm que saber lidar com elas, como no caso dos pré-universitários. “E ninguém gosta de perder, mas a gente tem que bancar (a opção). E nem sempre a profissão escolhida é a certa, mas não precisa ser para sempre, embora o bom mesmo para nós é acertar”, disse. “Converse com todos, se abra, mas lembrando que quem vai definir a escolha é a própria pessoa”.

Enio Modesto
 
Profissões

 

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