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Novembro de 2013

Encontro pela paz e procissão náutica no Rio Grande:

momento de oração e simbolismo

Neide - esposa de Zé Nelson, o  lho Frank e Zé Nelson ao lado da imagem, promessa cumprida pela recuperação do  filho.
Neide - esposa de Zé Nelson, o filho Frank e Zé Nelson ao lado da imagem, promessa cumprida pela recuperação do  filho.

Em São João Batista do Glória um grupo de devotos encontrou uma maneira diferente de celebrar a data: uma procissão náutica, ocorrida no dia 12. Ela percorreu o Rio Grande, com cerca de 30 barcos no trajeto, com saída próxima à usina açucareira, com destino à “Ilha do Zé Nelson”, onde foi construído um oratório no formato da imagem de Nossa Senhora Aparecida, de 7 metros de altura. Após um percurso de cerca de uma hora pelo rio, os barcos chegaram à ilha. A ideia de construir a imagem foi de José Nelson dos Santos, que ocupa e desfruta da ilha. Apoiado por sua mulher Neide, ele contou com o notável trabalho profi ssional e artístico do ex-locutor de rodeio J. Ferreira para construir a imagem e de amigos que contribuíram com serviços auxiliares de alvenaria e pintura.

“É uma devoção de muitos anos, só que foi depois de um acidente de moto que o meu filho sofreu há três anos atrás que eu encontrei força e consegui concluir. Nós gastamos cinco meses para construir e aqui ficará aberto para a visitação do público. Esse ano nós fizemos essa procissão com o apoio de alguns amigos, mas vamos trabalhar para que nos próximos anos a gente consiga mais apoio”, explica José Nelson, que se emociona ao falar da devoção a Nossa Senhora Aparecida.

Frank segurando a santa durante a procissão ocorrida no dia 12 de outubro.
Frank segurando a santa durante a procissão ocorrida no dia 12 de outubro.

O ex-locutor de rodeio J. Ferreira conta que trabalhou incansavelmente junto com Zé Nelson e outras pessoas para construir a imagem, e que foram utilizados os restos de uma betoneira condutora de concreto para construí-la. “Nós trabalhávamos à tarde, à noite e nos finais de semana para acabar logo. Eu que trabalhei com rodeio e leilão, tenho muita devoção à Mãezinha”, afirma.

Ideia é ampliar o evento

A ideia é aproveitar o potencial náutico existente na região para consolidar a procissão nos próximos anos, e assim atrair mais turistas. “Como a imagem de Nossa Senhora da Conceição surgiu das águas do rio Paraíba e todo município de Passos é banhado por águas, nós achamos que seria interessante fazer uma encenação como essa no Rio Grande. Nossa ideia é colocar esse evento no calendário anual da região, buscar a colaboração de parceiros para que nos próximos anos haja mais participantes”, diz Joel Silva, um colaborador.

O advogado criminalista José Eugênio, natural de Mogi Guaçu (SP), participou da procissão de barcos. Proprietário de um rancho no Porto Velho, ele diz que ajudou e acompanhou de perto a construção da imagem de Nossa Senhora Aparecida. Para ele, eventos desse tipo são necessários para que as belezas naturais da região sejam mais divulgadas.

Embarcações na procissão náutica.
Embarcações na procissão náutica.

 

“Esse é um paraíso que ainda não foi descoberto. Em São Paulo as pessoas costumam ir para o litoral nos finais de semana, em feriados prolongados e muitos não conhecem essa outra realidade que Minas oferece. Quem vem aqui uma vez, quer voltar. Eu mesmo sempre trago várias pessoas pra cá, que se encantam com a região e, naturalmente, retornam”, salienta.

Durante a procissão foi encenado o momento em que a imagem de Nossa Senhora Aparecida foi encontrada pelos pescadores no rio Paraíba do Sul, no Estado de São Paulo. Logo que chegaram à Ilha, as embarcações receberam a benção do Padre Victor Aparecido Francisco, pároco da paróquia São João Batista, de São João Batista do Glória. O evento foi finalizado com a recitação do terço, animada pelo grupo que reza o terço dos homens em São João Batista do Glória e com uma estrondosa queima de fogos.

A Ilha do Zé Nelson fica localizada a 13 km de Passos, na estrada Passos-Glória, (entrada à direita, cerca de 500 metros após transposta a ponte de Integração, sentido Glória) e para quem pretende conhecer a imagem a visitação é aberta ao público durante todos os dias da semana.

No detalhe o Oratório que  ca internamente na imagem da santa.
No detalhe o Oratório que fica internamente na imagem da santa.

Um pouco sobre a história de Nossa Senhora da Conceição Aparecida

Segundo os relatos, a aparição da imagem ocorreu na segunda quinzena de outubro de 1717, quando Dom Pedro de Almeida, conde de Assumar e governante da capitania de São Paulo e Minas de Ouro, estava de passagem pela cidade de Guaratinguetá, no vale do Paraíba, durante uma viagem até Vila Rica.

O povo de Guaratinguetá decidiu fazer uma festa em homenagem à presença de Dom Pedro de Almeida e, apesar de não ser temporada de pesca, os pescadores lançaram seus barcos no Rio Paraíba com a intenção de oferecerem peixes ao conde. Os pescadores Domingos Garcia, João Alves e Filipe Pedroso rezaram para a Virgem Maria e pediram a ajuda de Deus. Após várias tentativas infrutíferas, desceram o curso do rio até chegarem ao Porto Itaguaçu. Eles já estavam a desistir da pescaria quando João Alves jogou sua rede novamente, em vez de peixes, apanhou o corpo de uma imagem da Virgem Maria, sem a cabeça. Ao lançar a rede novamente, apanhou a cabeça da imagem, que foi envolvida em um lenço. Após terem recuperado as duas partes da imagem, a figura da Virgem Aparecida teria ficado tão pesada que eles não conseguiam mais movêla. A partir daquele momento, os três pescadores apanharam tantos peixes que se viram forçados a retornar ao porto, uma vez que o volume da pesca ameaçava afundar as embarcações. Este foi o primeiro milagre atribuído à imagem.

Grupo do terço dos homens de São João Batista do Glória que rezou o terço durante o evento.

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