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Março de 2014

Epidemia de Dengue assola Passos

A médica infectologista, Dra. Priscila Freitas das Neves Gonçalves: “No momento, Passos está em meio a uma epidemia.”
A médica infectologista, Dra. Priscila Freitas das Neves Gonçalves: “No momento, Passos está em meio a uma epidemia.”

Até a primeira semana de março foram notificados 1445 casos da doença, de acordo com o Núcleo de Epidemiologia de Passos. Em 2013, Passos obteve no ano todo, 911 registros.

Afinal de contas, onde está o problema? De quem é a culpa? Falta mais conscientização e informação? Aonde a cidade falhou?

O que se viu e ainda se tem visto nos corredores dos hospitais, PSF’s e ambulatórios da cidade de Passos é um grande número de pessoas com sintomas de Dengue.

A médica infectologista, Dra. Priscila Freitas das Neves Gonçalves, que atua no hospital Santa Casa de Misericórdia de Passos e no Ambulatório de Especialidades da Prefeitura Municipal de Passos, é enfática ao afirmar: “No momento, Passos está em meio a uma epidemia.” Os bairros Casarão, Bela Vista, Santa Bárbara, Colégio de Passos, Novo Mundo e São Benedito são os mais atingidos pelo mosquito Aedes aegypti. Dra. Priscila trabalhou em um programa contra a Dengue da Secretaria do Estado de Minas Gerais, no período de dezembro de 2011 a maio de 2012 capacitando municípios da macroregional de saúde.

As causas para essa epidemia são multifatoriais, explica a infectologista. “Os ovos dos mosquitos são muito resistentes, temos a situação climática, verão, período de chuvas, e por fim, pessoas que não cuidam de seus quintais; mantendo terrenos com lixos e água parada, barris, garrafas pets, pneus abandonados, não mantendo fechadas as caixas d’água, tambores, etc. Temos que lembrar que as campanhas de conscientização, prevenção e capacitação são de suma importância. Por isso, além das iniciativas governamentais, é importantíssimo que a população também colabore para interromper o ciclo de transmissão e contaminação”, fala a médica.

Conforme Dra. Priscila, a dengue possui quatro sorotipos: Den1, Den2, Den3 e Den4. Em Minas Gerais circulam desde 2011 os quatro sorotipos. “Toda vez que temos um novo sorotipo chegando em um Estado onde nunca circulou, ele encontra uma população suscetível. A verdade é que o País todo está suscetível porque praticamente ninguém teve o Den4. Esse sorotipo tinha sido erradicado do país e não há ações específicas para combater esta cepa do vírus no Brasil”, diz a profissional.

De acordo com Dra. Priscila, a presença dos quatro tipos diferentes de vírus é uma ameaça para a saúde pública, pois cada pessoa pode ter dengue uma vez por cada tipo de vírus. Isso significa que quem já teve dengue tipo 1, só poderá ter novamente a doença se for infectado pelos tipos 2, 3 ou 4. Como o tipo 4 vem se espalhando com mais rapidez, aumenta na mesma proporção o risco de epidemia generalizada, alerta a médica, dizendo que em Passos o mais comum é o sorotipo 1. Ela conta que o município está pesquisando se há outros sorotipos circulando.

As ações

Na cidade, toda a rede de atenção primária (PSF’s, Ambulatórios e a Unidade de Pronto Atendimento – UPA) está mobilizada para os casos de Dengue. O Núcleo de Controle em Zoonose está realizando tratamentos perifocais (aplicação de inseticida sobre as superfícies internas e externas de recipientes) e mutirões nos bairros com maior número de notificações. Está também convocando mais 41 novos agentes que participaram do processo seletivo para agente de endemias em 2014.

O diretor de Saúde Coletiva da Prefeitura de Passos, Michael Silveira Reis faz um apelo aos moradores de Passos para que compreendam a gravidade da situação e deixem os agentes entrarem em suas residências.
O diretor de Saúde Coletiva da Prefeitura de Passos, Michael Silveira Reis faz um apelo aos moradores de Passos para que compreendam a gravidade da situação e deixem os agentes entrarem em suas residências.

De acordo com o diretor de Saúde Coletiva do município, Michael Silveira Reis, várias ações têm sido realizadas na cidade para combater a doença. A vigilância ambiental acionou o telemarketing, uma vez que estão realizando 60 ligações por dia nos bairros de maior índice de notificações, desenvolvendo também um trabalho de notificações de residências em que os agentes de endemias encontraram dificuldades para entrar.

“Terrenos baldios notificados estão sendo encaminhados para o departamento de Limpeza Urbana do município, para a Polícia Militar do Meio Ambiente e para o Ministério Público quando necessário”, diz o diretor de Saúde Coletiva, acrescentando que a Prefeitura Municipal, junto à Superintendência Regional de Saúde solicitaram o carro UBV Pesado (Fumacê) que já está circulando desde o dia 20 de fevereiro na cidade entre os horários de 6h às 9h e das 17h às 20h30min.

Outra ação solicitada urgentemente pela Prefeitura de Passos e Superintendência Regional da Saúde foi a “Força Tarefa”, que é uma equipe com 16 agentes de Belo Horizonte que já estão realizando visitas domiciliares nos bairros com maior número de notificações. O “Dengue Móvel” também é outra ação a ser realizada e consiste em trocar material reciclável por material escolar e óleo de soja.

O diretor de Saúde Coletiva faz um apelo aos moradores de Passos para que compreendam a gravidade da situação e deixem os agentes entrarem em suas residências. “É ideal não acumular entulhos em quintais e jardins e principalmente denunciar quem estiver jogando lixo nos terrenos e locais impróprios”, fala Michael. O telefone para este fim é 0800 283 4249.

Transmissão

A dengue é transmitida para o homem através da picada do mosquito Aedes aegypti – da fêmea hematófoga. Na picada, ela aplica uma substância anestésica, fazendo com que a pessoa quase não sinta dor, diz a médica infectologista, Dra. Priscila Freitas.

Dra. Priscila: “Precisamos do apoio de todos, principalmente da população que se mantenha alerta, promovendo a limpeza dos quintais e terrenos, evitando qualquer tipo de objeto que acumule água parada.”
Dra. Priscila: “Precisamos do apoio de todos, principalmente da população que se mantenha alerta, promovendo a limpeza dos quintais e terrenos, evitando qualquer tipo de objeto que acumule água parada.”

As fêmeas costumam picar no começo da manhã ou no final da tarde. Picam nas regiões dos pés, tornozelos e pernas. Isto ocorre porque costumam voar a uma altura máxima de meio metro do solo. A disseminação é de difícil controle, já que seus ovos são muito resistentes e sobrevivem vários meses até que a chegada de água propicie a incubação.

O mosquito da Dengue deposita seus ovos em diversos locais. Após a incubação pela água, os ovos rapidamente se transformam em larvas, que dão origem às pupas, das quais surge o adulto. “Os ovos dos mosquitos são depositados normalmente em áreas urbanas, em locais com pequenas quantidades de água limpa, sem a presença de materiais orgânicos em decomposição e sais”, fala a infectologista.

“Em função disso, a água parada é ácida. Normalmente, eles escolhem locais que estejam sombreados e em zonas residenciais. Por isso, é importante não deixar objetos com água parada dentro de casa ou no quintal. Sem este ambiente favorável, o Aedes aegypti não consegue se reproduzir. Combinação perigosa é esta: água limpa e parada”, esclarece Dra. Priscila.

A fêmea vive em média 40 dias e pode colocar cerca de 450 ovos em qualquer época do ano, todos em condições de resistir por mais de um ano à espera de água para eclodir. Para isso, basta haver locais de fácil concentração de água – de caixas d’água a pneus. Mas vale destacar que até um copo descartável, uma casca de ovo ou um pote de margarina destampada podem se tornar um risco.

Outro fator importante é que ao se tornar adulta, a fêmea pode voar a distância de até 100 metros de seu criadouro, com capacidade de contaminar uma média de 300 pessoas. A disseminação da doença acontece principalmente no verão e até o mês de maio, quando há maior incidência de chuva.

Sintomas

Os sintomas da dengue são: febre, dor no corpo, dor de cabeça, náuseas, vômitos, dor retroorbital, gosto amargo na boca, podendo evoluir com manchas avermelhadas pelo corpo. Entre o terceiro e sexto dia de sintomas é o período crítico da doença. Durante essa fase as pessoas com suspeita de dengue devem ingerir muito líquido para não ocorrer a desidratação. A maioria das evoluções desfavoráveis com óbitos, diz Dra. Priscila, foram desencadeadas pela desidratação. A dengue acomete toda a população, da criança ao idoso. Nos extremos de idade a doença pode ser um pouco diferente, com sinais e sintomas inespecíficos como sonolência ou irritabilidade, prostração e apatia. Outro grupo de risco são gestantes e pacientes com comorbidades; Diabetes Mellitus, doenças pulmonares, HAS (hipertensão arterial sistêmica), cardiopatia, etc.

Precisamos do apoio de todos, principalmente da população que se mantenha alerta, promovendo a limpeza dos quintais e terrenos, evitando qualquer tipo de objeto que acumule água parada. As campanhas já estão sendo feitas e a capacitação dos profissionais da saúde também, tanto em nível primário como terciário, agora é todos contra a dengue”, concluiu a infectologista.

Graciela Nasr

0800 283 4249
Mitos e Verdades sobre a Dengue.

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