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Abril de 2014

Procura-se um maestro

O maestro de uma orquestra sinfônica jamais chega a esta condição de supremacia e liderança por atalhos facilitadores ou indicações impositivas. Isso levaria as dezenas de músicos virtuosos submetidos à sua batuta a perceberem prontamente - a partir de cada pequena ação - sua incompetência, o que seria fatal para a permanência desse ´profissional` diante de tão honorável trupe.

E o Brasil? Pobre Brasil!

Além de um incomum talento e alto grau de sensibilidade, um maestro precisa conhecer cada naipe da orquestra; instrumento por instrumento: seu timbre e possibilidades, desde as mais sutis. Além disso, deve saber dos recursos de cada instrumentista para extrair de todas as intervenções acordes envolventes e notas perfeitas; tijolos essenciais em uma boa peça musical.

Certamente, um maestro em sua formação passa por incontáveis momentos de introspecção e estudo – hora após hora; dia após dia – em busca do conhecimento amplo, do vibrato impecável e da nota absoluta, do oboé ao violino; do fagote ao flautim.

A busca pela perfeição não se restringe à música. É notada também nos esportes, como na ginástica olímpica, no salto ornamental e também no desempenho escolar.

Na China, por exemplo, persegue-se em todos os níveis a excelência em Matemática. É muito difícil bater os chineses em certames olímpicos internacionais envolvendo essa disciplina e outras da área de ciências exatas, como Física. As crianças estudam em média 13,8 horas por dia entre a permanência na escola e a complementação domiciliar.

E isso tem refletido diretamente nos resultados do Pisa, o mais importante teste de qualidade da educação do mundo, realizado a cada três anos com alunos de 15 anos. A China, tem se mantido nos primeiros lugares, mostrando que essa história de que não pode haver educação de qualidade em cenários de pobreza é mera balela.

No Pisa do ano 2000, a Alemanha sofreu uma sensível queda em relação aos primeiros colocados. Isso foi bastante para que fosse ligado o sinal de alerta. Imediatamente, o governo fez o mea culpa, escancarando as entranhas da educação e iniciando uma campanha nacional com vistas a melhorar os resultados daquele país. E, de fato, os resultados melhoraram, alavancando novamente a Alemanha à cabeceira do ranking.

E o Brasil? Pobre Brasil!

Dos 65 países avaliados no último Pisa, nossa nação ficou em 58º lugar. E para tampar o sol com a peneira, o Sr. Ministro da Educação surgiu na mídia dizendo que crescemos muito em relação aos resultados anteriores, já que houve uma ligeira melhora – pífia, na verdade – no resultado em Matemática...

A educação por aqui está doente, e não é de hoje!

Formamos em grande número, ao fim do ensino médio, verdadeiros analfabetos funcionais, que não entendem o que leem e são incapazes de elaborar raciocínios elementares envolvendo proporções. A qualidade da redação desses alunos é ainda pior, como revelam todos os exames que visam aferir esse quesito.

Deveríamos ter o mérito como meta. Temos que parar de fazer vista grossa em relação à mediocridade. Urge propormos uma escola que realmente almeje o domínio das habilidades e competências propostas para cada nível escolar.

Ainda há escolas muito boas em nosso país – públicas e privadas –, mas muitas famílias – infelizmente –, deslumbradas pelas esmolas oficiais, buscam caminhos menos sinuosos e exigentes, recorrendo a instituições que prestam assistência social, sim, mas não educacional.

E o remédio para isso é diretrizes e bases gerais e gestão pontual – equipe local –, não políticas macroscópicas vindas de gabinetes distantes.

Mas, a vida profissional e corporativa cobra seu preço. Nela, valores como conhecimento e competência são pressupostos, já que isso se refletirá no mérito dos resultados e na magnitude do lucro. Meros produtos que caminharam de facilitador em facilitador não terão espaço, sendo penalizados sumariamente em suas pretensões.

Por isso, a busca por uma instituição educacional séria, com ampla e eficiente proposta pedagógica, é fundamental. Ainda que o canto da hidra seja sedutor, cada família e cada estudante devem buscar o caminho da disciplina e do esforço, sem o que nunca se chega ao posto de maestro.

A batuta da liderança pela eficiência nunca será delegada a mãos inábeis e malformadas.

Prof. Ricardo Helou Doca

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