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Dezembro de 2010

Reformas nas regras de aposentadoria na França geram revolta

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As manifestações que sacudiram as ruas das principais cidades francesas no mês de outubro, juntaram sindicalistas, estudantes secundários e milhares de simpatizantes em protesto contra a lei – já aprovada no Legislativo – que eleva em dois anos a idade mínima para se aposentar. Os sindicatos, que reclamam da obrigação de trabalhar mais tempo, convocaram uma greve geral e paralisaram as refinarias de petróleo. Os jovens alegam que o prolongamento da permanência dos mais velhos na ativa, deixa menos vagas para quem, como eles, busca espaço no mercado de trabalho, onde a taxa de desemprego entre os mais jovens chega a 20%.

Mas, se a reforma é necessária, por que os franceses se manifestaram contra o projeto? Greves afetaram os transportes, os serviços e os portos, causando prejuízos ao país e desabastecimento em postos de combustíveis. Houve confrontos nas ruas entre polícia e manifestantes. Até a cantora Lady Gaga teve que cancelar a apresentação que faria em Paris.

A questão foi política. O presidente francês, Nicolas Sarkozy, com seu jeito arrogante, impôs o projeto de reforma sem discutir com entidades de classes e outros setores da sociedade. Os sindicatos de esquerda, que são fortes na Europa, reagiram. Para eles, a aposentadoria aos 60 anos é uma conquista e praticamente um símbolo da luta de classes. O sistema previdenciário atual vigora desde 1983, período do governo de François Mitterrand, que era socialista. E, além disso, os sindicalistas reclamam que os encargos da previdência recaem sobre os mais pobres. Sarkozy, que vinha num processo de queda de popularidade (com aprovação de 25% dos franceses), decidiu enfrentar a oposição. Mas ele não contava com os jovens, que são um fator de desequilíbrio social desde o Maio de 68. E eles não estão sozinhos. Numa consulta feita recentemente, quase 70% da população da França apóia as greves e os protestos.

No conjunto, as manifestações revelam o descontentamento dos franceses com o que percebem como um ataque ao sistema de pensões, um dos mais generosos da Europa. Eles consideram os benefícios um direito adquirido e irreversível, caro talvez para o Estado, mas parte da alta qualidade de vida no país e querem mantê-los. O governo de Sarkozy alega que as mudanças são indispensáveis, porque os custos da previdência estão altos demais e os gastos públicos precisam ser contidos. Além disso, a expectativa de vida na França, uma das mais altas do mundo, exige a aposentadoria mais tarde. Caso nada seja feito, o déficit chegará a 45 bilhões de Euros até 2020. Pior: mesmo com as alterações aprovadas pelos parlamentares, a partir de 2021, o regime previdenciário volta a entrar no vermelho.

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