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Agosto de 2014

Desconstrução - Construir ou desconstruir? Eis a questão

Dia desses, soubemos de um grupo de jovens que, por volta das dez da noite, pichava o muro de uma escola, elaborando um imenso painel de arte bizarra. Se isso não bastasse, os garotos barbarizaram com pauladas e ponta pés dois ou três veículos estacionados em frente ao local. Feito o ato de vandalismo extremo, o grupo saiu calmamente, rindo em alto e bom som, como que debochando do escracho praticado...

Mais tarde, ao deparar o veículo todo danificado, um dos proprietários sentou-se na calçada e pôs-se a chorar, lamentando-se e dizendo aos transeuntes que aquele carro era seu instrumento de trabalho, vital para a subsistência de sua família.

A pergunta que não quer calar: Por quê? Cenas assim estão se tornando corriqueiras. Lamentavelmente!

Poderíamos enumerar muitas outras atitudes de destruição gratuita que permeiam a rotina de todos nós. Orelhões e monumentos são danificados; o patrimônio – público e privado – é ultrajado todos os dias...

Esse fenômeno, porém, não é apenas brasileiro, mas focalizaremos nosso país.

O Brasil é um país jovem que carece de construção em todos os sentidos. Precisamos edificar pequenas e grandes obras que dotem nossa população de melhores condições de saneamento, saúde, moradia, locomoção, segurança e educação. Precisamos, isso sim, conduzir o Brasil ao seu grande destino de liderança e supremacia. E isso passa por uma mentalidade de edificar, de melhorar as coisas, de deixar para os nossos descendentes um lugar melhor para se viver; digno de orgulho para cada brasileiro.

É imperativo que cada um de nós replique em nossos procedimentos cotidianos a postura de compatriotas que sonharam, laboraram e engrandeceram nosso país em tempos não tão distantes. E foram tantos... Apenas para destacar alguns: o visionário Barão de Mauá, o vendedor da maior utopia brasileira – Brasília, hoje, uma grata realidade –, Juscelino Kubitschek de Oliveira, e seu talentosíssimo arquiteto, Oscar Niemeyer. Todos eles acreditaram na construção de um grande país, à altura de seus ideais.

Devido a essas atitudes anárquicas e impunes com que convive o Brasil neste momento, muitos brasileiros estão deixando o país. Vivemos um verdadeiro êxodo de talentos que estão imigrando em busca de ambientes mais estáveis, em que a ordem geral e o espírito de trabalho imperem. O Brasil estaria perigoso para se morar?

Enquanto isso, permanecemos aqui, nesta terra, acreditando que nossa recente democracia vai vicejar. Precisamos amadurecer como cidadãos, como pessoas éticas que convivem em um estado de direitos – mas também de deveres. Uma vez definidas democraticamente as regras de nossa sociedade, estas devem ser cumpridas e respeitadas, como ocorre em países com maior grau de evolução.

Cumpre a cada um de nós olharmos no espelho retrovisor de nossas vidas e vislumbrarmos uma obra de construção; um legado que inspire nossos filhos e netos a continuar lutando e construindo um país melhor.

Certa vez, fui convidado a paraninfar uma turma de formandos e minha mensagem aos jovens concluintes foi traduzida em um pequeno poema com que encerro esse artigo.

Construtores de Catedral

Vejo-lhes agora moços, plenos de viço,
Vigorosos e exuberantes, cheios de esperanças...
Logo eu que lhes conheci crianças,
Deslumbrados por um mundo postiço...

Mas eis que chega a realidade adulta,
Nova era que interroga e desafia...
Terá início a longa jornada consciente e culta,
Que se enseja luminosa e densa, sem jamais ser fria...

Apeguem-se ao sonho e doem-se em tudo.
Entreguem-se à paixão e busquem a intensidade.
Inebriem-se de amor...

Construam uma bonita ala na catedral da cidade
E cuidem da vida como de uma flor...

por Prof. Ricardo Helou Doca

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