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Setembro de 2014

Jovem cria looks para deficientes e é classificada para Concurso Internacional

MODA E DEFICIÊNCIA: duas palavras que normalmente não se encontram. Será? Tornar a moda acessível e tátil, etiquetas em Braille (a moda nas mãos de todos), fechos de velcros e imãs, tecidos confortáveis. Você já refletiu sobre tudo isso? Uma jovem passense, de 19 anos, não só estudou o assunto profundamente como criou peças para esse público, participando, inclusive, de um disputadíssimo concurso sobre ´Moda Inclusiva`. Se depender de ANNA CAROLINA MELO LEMOS, a semente da inclusão já está plantada.

Anna Carolina Melo Lemos

O contato com o tema “Moda Inclusiva” deu-se ao estudar a disciplina de Comunicação do curso de Moda, do Centro Universitário Moura Lacerda, de Ribeirão Preto (SP). Anna Carolina, estudante do 3º Ano, teria que criar uma marca fictícia que deixasse um diferencial. A partir dessa ideia, ela mergulhou neste universo absorvendo tudo o que existia no meio, desde palestras a Associações de Deficientes, filmes e livros.

Em determinado momento Anna Carolina se deparou com uma palestrante, que inclusive é coordenadora da Adevirp (Associação dos Deficientes Visuais de Ribeirão Preto) e ficou surpresa com o que viu.

“Por ser deficiente visual, ela estava muito bem vestida, fiquei impressionada com aquilo e fiquei me questionando: ‘Como ela consegue escolher as peças no guarda roupa?’ Descobri neste meio tempo que havia um Concurso sobre Moda Inclusiva de SP acontecendo e como o assunto havia me despertado bastante interesse, não pensei duas vezes em participar”, conta Anna Carolina, que criou três looks para Deficientes Visuais, sendo classificada entre 20 candidatos para a etapa internacional.

Após a criação de três looks para deficientes visuais, Anna Carolina foi classificada entre 20 candidatos para a etapa internacional do Concurso de Moda Inclusiva de SP, concorrendo com este look do “O Pequeno Príncipe”.

Anna Carolina recebeu do concurso 8 metros de tecido Vicunha Textil para desenvolver suas peças. O tema escolhido foi literatura, a saga de “O Pequeno Príncipe”, do autor Antoine de Saint- Exupéry. Conforme explicou, no caso específico do deficiente visual, o que mais conta são os detalhes.

“Em primeiro lugar a ideia é fazer com que o deficiente não se sinta diferente das demais pessoas. Para o deficiente visual, o ideal é fazer o jogo de texturas porque assim você estará estimulando o sentindo tátil, principalmente e sobretudo, das crianças”, explica Anna Carolina.

Ela também utiliza nas etiquetas das peças a identificação da cor através do Braille, que servirá tanto para escolher a roupa com que usar, como na hora de lavar esta roupa, já que muitos deficientes visuais hoje em dia moram sozinhos e lavam suas próprias roupas.

“A intenção é mesmo facilitar a vida do deficiente na hora de se vestir, além de passar uma imagem bacana para o mundo externo. Penso que hoje, os deficientes estão se adaptando ao meio enquanto deveria ser o contrário, o meio é que deveria estar se adaptando a ele.

Moda inclusiva é isso, fazer adaptações na vestimenta garantindo a autonomia e dignidade do indivíduo, contemplando assim, toda a população que a indústria da moda não contempla”, comenta a jovem estudante.

“Quando falamos em moda, falamos em linguagem da imagem. Essa linguagem deve ser permitida a todos: altos, baixos, brancos, negros, adultos, crianças, magros ou não e, pessoas com deficiência.”

Brasil ainda engatinha em relação à moda inclusiva

Para Anna Carolina, a moda inclusiva é uma moda abrangente, humanizada, não segregadora, mas acolhedora. O Brasil, diz ela, começa só agora a despertar para a ideia e vislumbrar este tipo de vestimenta não só como parte de um processo de inclusão, mas também, como uma boa oportunidade de negócios.

“Quando falamos em moda, falamos em linguagem da imagem. Uma assinatura daquilo que somos, ou a que viemos.

Essa linguagem deve ser permitida a todos: altos, baixos, brancos, negros, adultos, crianças, magros ou não e, pessoas com deficiência. O novo olhar deve dar origem a um vestuário que visa a estética funcional, aliada a peças ergonomicamente projetadas para todo tipo de necessidade e para fácil circulação e mobilidade”, diz ela.

De olho no talento da garota, a Apae de Passos convidou Anna Carolina para expor suas peças durante um desfile de moda realizado durante a Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla, que aconteceu em agosto. Alunas da Apae vestiram dois looks também inspirados no livro “O Pequeno Príncipe”, como: a Rosa e a Raposa. O desfile foi um sucesso!

Questionada sobre seu trabalho intenso sobre Moda Inclusiva, Anna Carolina respondeu: “Tudo ainda é novo para mim, o que sei é que estou muito contente com as oportunidades que foram aparecendo no meu caminho. Moda é tudo, é a expressão do indivíduo e acredito que está completamente ligada à arte. Gosto muito da possibilidade de expressar através da arte o que sinto, o que sou, o que quero. Sempre vejo a moda pelo viés da arte.”

“Aproveito a chance para agradecer a todos que contribuíram para o desenvolvimento do meu projeto: a Deus primeiramente, minha família, minha faculdade, o pessoal da Adevirt, o Alaor, do Reviver de Passos que me ajudou muito a entender as dificuldades dos deficientes visuais, o pessoal da Apae, aos meus amigos e às costureiras. É realmente um grande trabalho de equipe. Sem essas pessoas eu não conseguiria realizar nada!”, concluiu a jovem e talentosa Anna Carolina.

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