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Novembro de 2014

Em busca do peixe gigante do Araguaia

Jovem pescador se aventura na captura do maior peixe de couro da Bacia Amazônica, a Piraíba; junto a seu pai e um parceiro de Franca (SP), o rapaz viveu uma emocionante experiência sobre as águas do Rio Araguaia.

“Quem já visitou tal rio o classifi ca como possuidor do mais belo pôr do sol do país”, Pedro Daher.
“Quem já visitou tal rio o classifica como possuidor do mais belo pôr do sol do país”, Pedro Daher.

 

Com mais de dois quilômetros de curso, desde sua nascente no Parque Nacional das Emas, na divisa dos estados de Goiás e Mato Grosso, até sua foz no rio Tocantins, situada na divisa tripla de Tocantins, Pará e Amazonas, o rio Araguaia é um dos mais generosos em volume de peixes e em quantidade de espécies. Pescador amador desde criança, o jovem Pedro Daher, de 15 anos de idade, já havia se aventurado nesse afamado rio da Bacia Amazônica por três vezes antes de sair à captura do maior de suas espécies, o “peixe-mãe de todos os peixes”, a Piraíba – gigante da água doce que atinge três metros de comprimento e 150 quilos de peso.

Capivaras pastando nas margens do rio.
Capivaras pastando nas margens do rio.

A pescaria aconteceu de 3 a 7 de março deste ano no entorno do distrito de Luís Alves, município de São Miguel do Araguaia, em Goiás. Pedro viajou com seu pai, Hilton Daher e Rodrigo Marques, de Franca. A aventura rendeu até matéria em revista especializada em pescaria (Pesca & Companhia, edição de julho 2014), pois ele conseguiu realizar seu sonho, que era capturar a Piraíba. 

“A Piraíba é hoje um dos peixes de pescaria mais técnica e específica do mundo. Além de ser um peixe ameaçado de extinção, é um bagre migrador extremamente sensível, que necessita de rios preservados e sem barragens para se reproduzir”, diz. “As técnicas para se fisgar um exemplar variam de acordo com a estação, fase da lua, temperatura e turbidez da água, dentre muitos outros fatores. Ou seja, é o desafio máximo da pesca de bagres de água doce do Brasil”, ressalta.

A pescaria foi um sucesso e Pedro realizou seu sonho, com a ajuda do pai, do parceiro e de dois guias locais (os irmãos Tatinha e Nica), que era fisgar a grande Piraíba. E eles conseguiram mais, foram dois exemplares – um de 1,80 metro e o outro de 1,90 metro, que eles soltaram depois de registrar a façanha em fotos.

“Mais que uma obrigação, a soltura de um grande exemplar após as fotos é uma das melhores sensações que um verdadeiro pescador esportivo pode sentir. Ver o ‘troféu’ ir embora após uma exaustiva ‘briga’ é extremamente gratificante. A soltura é o momento de maior comoção nos barcos que presenciam a captura, pois um peixe que dá tanta alegria ao pescador não merece ser levado para a panela, mas deve seguir seu curso para a perpetuação da espécie”, afirma.

Pedro custa segurar a enorme Piraíba de 190 centímetros.
Pedro custa segurar a enorme Piraíba de 190 centímetros.

PRESERVAÇÃO 

A pesca esportiva em Goiás é permitida desde que o pescador não leve embora os peixes capturados em rios, lagoas e represas, em respeito à lei instituída no ano passado. Mas desde 2003 o estado protege as maiores espécies da bacia – Pirarucu, Pirarara e Piraíba –, o que vem restringindo a pesca e dando chance para as populações de peixes aumentarem. Da Piraíba, por exemplo, até 12 anos atrás, apenas dez exemplares eram pescados por ano em média. Com a lei restritiva, sua população chegou a 250 peixes fisgados, e soltos, anualmente no distrito de Luís Alves.

Pedro e seu pai, Hilton, já haviam pescado no Araguaia três vezes antes da viagem deste ano. Segundo o jovem, essa experiência lhes facilitou organizar a nova expedição, porque eles já possuíam contatos no hotel e com os guias de pesca. Eles viajaram de carro particular, cerca de 1.200 quilômetros e 15 horas de estrada. “As estradas do estado de Goiás estão em excelentes condições, mesmo sem a presença de pedágios, e a paisagem é marcada pela vegetação típica do cerrado e por vastos latifúndios”, conta.

Hotel em que Pedro, Hilton e Rodrigo se hospedaram, às margens do Araguaia.
Hotel em que Pedro, Hilton e Rodrigo se hospedaram, às margens do Araguaia.

 

Pedro, Rodrigo e Nica com a Piraíba de 180 centímetros.
Pedro, Rodrigo e Nica com a Piraíba de 180 centímetros.

HOSPEDAGEM

Pedro, Hilton e Rodrigo ficaram num dos quatro hotéis do distrito de Luís Alves. Segundo ele, “o estabelecimento oferece ótima infraestrutura para atender pescadores e suas famílias: suítes com TV e ar condicionado, piscina, sauna e ampla área de lazer. A comida típica goiana marca presença no local”, observa Pedro Daher. 

Apesar da proibição de transportar peixes no estado, a chamada “cota zero”, é permitido ao pescador consumir peixes no hotel ou na beira do rio, conforme explica Pedro Daher, ressalvadas as medidas mínima e máxima do animal. Apesar de todo o alvoroço por sua captura, a Piraíba não está entre as espécies que agradam o paladar.

Os visitantes preferem o Mandubé ou Palmito, bagre parente da Piraíba com mais de 3 quilos. “Possui carne deliciosa! Nós os comemos assados inteiros em churrasqueiras improvisadas na barranca do rio, temperados apenas com sal e limão. Sem dúvida, um prato que merece ser experimentado!”, conta o pescador.

Hilton com um Mandubé.
Hilton com um Mandubé.

No hotel, a comida é caseira e muito saborosa, segundo Pedro, que fala em várias opções de peixes com temperos regionais, principalmente com o pequi – fruta nativa do cerrado, muito apreciada na culinária goiana. 

“Em Luís Alves, há vários hotéis e pousadas preparados para receber muito bem quem deseja pescar no Araguaia. Inclusive, o distrito é sustentado exclusivamente pelo turismo, cuja maior parte vem da pesca esportiva (pesque e solte).”

BELEZA RARA

Segundo o jovem, mas experiente, pescador – aos dois anos de idade, Pedro já acompanhava o pai nas pescarias, a pesca não é o único atrativo daquela região do Araguaia. Tanto é assim que a viagem em si já basta pelo simples contemplar da paisagem, para quem não é muito afeito a aventuras pelas águas carregando apetrechos de pesca. “Goiás possui uma paisagem de beleza rara; particularmente, sou apaixonado por esse estado. Mas o Araguaia, ainda mais, tem peculiaridades que impressionam. Quem já visitou tal rio o classifica como possuidor do mais belo pôr do sol do país. Suas margens preservadas fazem com que o turista se sinta em total contato com a natureza”, conta Pedro.

Para aqueles que desejam conhecer essa região tão rica em natureza é importante saber que a maioria dos hotéis de Luís Alves fecha de novembro a fevereiro, que é o período da piracema, em que a pesca fica restrita. O distrito fica a 50 quilômetros de São Miguel do Araguaia, que está ligada a Brasília (DF) pela Rodovia BR-153. O acesso é fácil, já que a estrada é toda asfaltada.

Enio Modesto

Paisagem do Araguaia.

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