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Junho de 2010

A GEOPOLÍTICA DA COPA DO MUNDO - ed. 62 - junho/2010

Grandes eventos esportivos podem ser usados como ferramenta de estudo de geopolítica, disciplina cada vez mais cobrada em vestibulares devido à sua interdisciplinaridade. Para começar, num mundo tão desigual, o grau de desenvolvimento alcançado pelos diversos países muitas vezes pesa na definição das nações que se destacam no esporte. Veja o exemplo do Japão e dos EUA, duas potências econômicas: sem tradição no futebol, investiram muito dinheiro em técnicos e jogadores e estarão na terceira copa consecutiva.

A Copa é uma competição sobretudo de países bem de vida. Das 32 nações competidoras, 16 pertencem ao grupo de elevado Índice de Desenvolvimento Humano (acima de 0,900). A Costa do Marfim é a única seleção que faz parte das 24 nações do planeta com baixo IDH, além de ser a única que conta com mais da metade da população analfabeta. Apenas 16% do total de países do mundo participam da Copa, mas somados eles têm 67% do PIB global (tudo que o mundo produz em um ano).

Outro fato: 100% dos países campeões mundiais de futebol participam dos grupos de alto ou muito alto desenvolvimento humano (Brasil: IDH 0,813)

Com relação à China, mesmo não participando da Copa, muita coisa que os jogadores levarão saiu de lá, já que ela é um dos 4 principais parceiros comerciais de 31 dos 32 participantes da Copa (exceto Honduras). Todos os 6 times africanos têm a China como um dos principais fornecedores externos. O Brasil é um dos 4 grandes destinos de exportação de 5 países presentes na Copa e um dos 4 principais fornecedores externos para 4 participantes.

Na Copa de 2010, 29 países entre os 32 participantes mantêm hoje soldados ou tropas no exterior, em missões de pacificação da ONU. A Costa do Marfim, em meio a uma guerra civil, é ocupada por tropas de paz da ONU, com a participação de outros 10 países presentes da Copa. Além disso 50% das 32 nações representadas estão diretamente envolvidas em uma guerra agora. A Coréia do Sul e a Coréia do Norte, que travaram uma guerra na década de 50, chegaram a uma trégua, mas nunca assinaram um acordo de paz. Formalmente, estão em guerra até hoje.

Alguns jogos da primeira fase colocam frente a frente países com história em comum, como é o caso de Inglaterra x EUA e Brasil x Portugal, que têm ligações que datam do período colonial. Outros jogos, estes marcados por um histórico de tensões e conflitos no campo geopolítico, podem acontecer a partir das oitavas de final, como é o caso de Argentina x Inglaterra (Guerra das Malvinas); Argélia x França (longa guerra pela independência da Argélia) e Coréia do Norte x Coréia do Sul. Tudo isto mostra que, além da disputa e do espetáculo, há muitas relações invisíveis em uma Copa do Mundo que falam bastante do mundo em que vivemos.

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