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Maio de 2010

As catástrofes no Haiti e no Chile - ed. 61 - maio/2010

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Tema frequente em questões de vestibulares, a movimentação das placas tectônicas (tectonismo) deve ser mais uma vez bastante explorada nos vestibulares de 2010, devido aos terremotos do Haiti e do Chile. Apesar do curto espaço de tempo entre a ocorrência do terremoto no Haiti (7.0 graus na Escala Richter), que matou mais de 200 mil pessoas no início de janeiro, e o terremoto do Chile no final de fevereiro (8.8 graus e matou mais de 700 pessoas), qualquer relação feita entre os dois é mera especulação. Além de Chile e Haiti estarem em placas tectônicas diferentes, os movimentos feitos por elas não foram iguais.

Enquanto o tremor do Chile resultou de um “movimento de convergência” entre a placa de Nazca (oceânica), e a Sulamericana (continental), o terremoto do Haiti foi fruto de deslizamento lateral entre a placa do Caribe (em sua maior parte oceânica) e a Norte-americana (continental). Trocando em miúdos: no Chile, a placa de Nazca “entrou” na Sulamericana.

No Haiti, as duas placas “se ralaram”. Mas por que o número de mortos no Haiti foi maior, se o terremoto foi “mais fraco”? Por mais que recorrêssemos a argumentos óbvios, como dizer que no Haiti as consequências do terremoto foram ainda piores por conta do estágio anterior de desorganização (pobreza, falhas no sistema de organização governamental), enquanto o Chile, por estar situado no chamado “Círculo de Fogo do Pacífico”, é um local mais preparado para a ocorrência de terremotos (frequentes na região), o fato é que há outros fatores.

Em primeiro lugar, o epicentro (ponto da superfície terrestre diretamente acima do foco de um terremoto) do abalo ocorrido no Haiti era mais próximo a locais habitados do que no Chile. O sismo do Haiti foi praticamente embaixo do centro da capital Porto Príncipe, enquanto o epicentro do terremoto chileno foi no mar, a 115 Km de Concepción e 325 km da capital Santiago. É como se fosse uma explosão.

Quanto mais longe, menores as consequências. Em segundo lugar, o terremoto haitiano aconteceu mais próximo da superfície, a 13 Km de profundidade, contra 35 Km do tremor do Chile. Quanto mais profundo o terremoto, menor o seu poder destrutivo. A sensação que estaria ocorrendo aumento da atividade sísmica da Terra é devida ao avanço da comunicação e a atuação da mídia, que permitem acompanhar em tempo real este tipo de evento. A partir de 2004 notamos um aumento no número de tremores com mais de cinco graus de magnitude. Mesmo assim não dá para dizer que a atividade sísmica da Terra aumentou.

Não temos parâmetros para isto. É apenas um século com equipamentos para medir e acompanhar contra quatro milhões de anos de História. Nem mesmo Estados Unidos e Japão, que são países avançados em pesquisas nestas áreas, estão preparados para prever os tremores maiores. A solução que resta é preparar suas estruturas da melhor forma possível para evitar catástrofes e perda de vidas em caso de um terremoto.

Murilo de Pádua Andrade Filho Professor de Geografia em Passos, Franca e Ribeirão Preto
Murilo de Pádua Andrade Filho Professor de Geografia em Passos, Franca e Ribeirão Preto

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