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Agosto de 2015

Mês de Agosto... Mês da família. Ser família não é uma tarefa fácil.

E a FOCO convida um jovem casal para falar sobre os desafios de construir e manter uma família, forte e unida, nesses tempos modernos.

Família da Foco

 

THALLES ROBERTO E DANIELA nos falam sobre os desafios de conciliar TEMPO, TRABALHO, FAMÍLIA, AMOR E FILHOS. As dificuldades que a família encontra no dia a dia, a importância da família na estrutura da sociedade e a presença imprescindível de Deus, no relacionamento de um casal, no seio de um lar.

Família da Foco

IMPORTÂNCIA DA FAMÍLIA NA ESTRUTURA DA SOCIEDADE

A sociedade é dividida e organizada em pilares e a família, para mim, é a base de todas essas construções, é a formadora de caráter, é a fonte de onde vêm pessoas boas e ruins, a partir daquilo que elas ouviram, a partir daquilo que elas aprenderam, a partir daquilo que elas foram discipuladas.

Tenho observado e analisado sobre isso: pessoas que têm uma boa formação familiar dificilmente vão ser pessoas que não vão “dar certo”, pessoas que não vão “conseguir chegar”... e pessoas bem formadas por suas famílias, além de “conseguirem chegar”, elas formam outras pessoas boas. Acredito que uma pessoa bem sucedida, com certeza, teve uma boa base, uma boa formação familiar.

Relação FAMÍLIA x UNIÃO x TEMPO x TRABALHO. Como conciliar tudo isso?

THALLES responde:

Acho que, antes de construir uma família, nós buscamos em nosso trabalho, estabilidade e melhores recursos a fim de proporcionar conforto e uma vida melhor para nossa família, mas começamos a perceber que a família precisa da gente, da nossa presença, do nosso dia a dia ali pertinho, que os nossos filhos precisam estar conosco o maior tempo possível. Eu acho que a vida de todo mundo é parecida, o que muda é a intensidade. Todo mundo tem compromisso, todo mundo tem trabalho, todo mundo busca as coisas, mas na fase que eu estou vivendo agora, tenho que pensar no que é prioridade. O que é prioridade pra mim? O que é prioridade pra minha família? Você começa a ver o que realmente importa para seus filhos, sua esposa, sua família. Ter alguém com você que realmente entende o que é estar junto e a importância de tudo isso. No meu caso, como eu viajo muito, ter uma pessoa que entende isso é fundamental, um pouco eu vou, outro pouco ela vai. Ser família é um aprendizado, é muito difícil ser família, porque somos seres individuais, somos individualistas. A nossa vida, o nosso quarto,

Thalles

as nossas coisas...  e de repente, quando Deus te dá o privilégio de ser uma família, Ele está te colocando numa universidade, então você vai aprender a compartilhar. É muito difícil tudo isso, mas quando você consegue conciliar, cada um abrindo mão um pouquinho, priorizando o que é mais importante, que é estar junto, a gente passa tanto os bons quanto os maus momentos juntos, a gente divide a carga, consegue passar pela vida, consegue atingir o objetivo de todo mundo que é viver bem.

É muito importante fazer essa consideração porque nós, por exemplo, não temos o dia a dia como todo mundo tem. No final de semana, por exemplo, enquanto todo mundo está sentado num restaurante, comendo algo, passeando com a família, nós estamos viajando. Mas nos momentos em que estamos em casa, somos muito intensos, tanto com os meninos como com a gente mesmo.

Nós procuramos priorizar isso, esses momentos em família. Quando estou em casa com meus filhos, estou em casa com eles, o que eles querem fazer, eu faço, dou total atenção.  -Papai, vamos fazer isso? Eu faço. E se eu estou “morto” de cansaço, sugiro alguma coisa dentro do que eles querem fazer. Um pai normal, que tem uma vida e horários normais, sai para trabalhar às 8h, às vezes o filho está dormindo, ele chega para o almoço, cumprimenta o filho, o filho passa a tarde na escola, à noite o filho tem que fazer o dever, fica um pouquinho com ele e vai dormir. Acaba ficando pouco tempo junto. Acaba aguardando o final de semana para ter um tempo de qualidade. Nós temos uma vantagem, uma coisa que eu gosto. Eu viajo final de semana, mas quando estou em casa durante a semana, eu passo todo o tempo deles, com eles. A gente não tem todos os dias, mas os dias que a gente tem são muito intensos, tanto com os filhos como em nosso casamento também. Uma coisa muito importante é que, às vezes, tenho que viajar finais de semana consecutivos e não deu para ficar tanto tempo juntos, então vamos todo mundo. Daí a Daniela arruma as coisas e vai todo mundo junto, ela, Miguel, Memeu, babá, papagaio, cachorro, periquito, todo mundo pra estrada, passamos o dia inteiro juntos. A gente tenta equilibrar sempre, para que a família esteja unida porque a gente prioriza muito isso. Nós somos muito família.

Daniela

DANIELA responde:

Refletindo, hoje, sobre família...  Família, com certeza, é um projeto de Deus, é algo que Deus idealizou para que as pessoas pudessem conviver, se amar e ser feliz. É algo que foi criado por Deus, mas dentro da família existem muitas diferenças. E durante essa minha experiência de 7 anos, aprendi através da Palavra de Deus, que a mulher sábia, é a mulher que edifica o seu lar; e a tola, é a que destrói seu lar. E tenho pedido a Deus essa sabedoria, pois não é fácil. As mulheres da nossa geração (estou com 37 anos) foram criadas para serem mulheres independentes, mulheres muito bem sucedidas profissionalmente, mulheres que não pensam em administrar, em cuidar do seu lar. Porque ser uma mulher do lar, hoje em dia, pra nossa geração, “diminui” a mulher. E com o passar do tempo, aprendendo alguns princípios cristãos, dentro do casamento, eu tive que aprender a exercer uma “submissão da mulher”. Eu tive que mudar, porque meu marido tem uma profissão diferente, e toda vez que ele chegava em casa, às vezes passava 3, 4 ou 5 dias fora de casa, e eu falava: Oi, tudo bem? Foi bem de viagem? Fique aí à vontade que eu vou trabalhar. E eu deixava minha casa, deixava meu marido, deixava meu filho (na época eu tinha só o Miguel), e ia trabalhar, porque na minha cabeça, eu fui formada para ser uma profissional de sucesso, não fui formada para ser uma esposa. Só que quando você deixa de administrar o seu lar, de cuidar do seu lar, tudo em sua volta pode virar ruína. Porque se a família não tiver uma base consolidada, com certeza, ela vai ter problema. Ou você vai ter problema com seu marido, ou vai ter problema com seus filhos, e daí, o que era para ser algo forte, algo coeso, algo unido, vai ser algo que vai destruir e trazer muita dor, muita decepção para as pessoas. E com isso, eu tive que, praticamente, nascer de novo, porque a submissão ao marido que a gente aprende na Bíblia, não é você ser mandada pelo seu marido, é você estar ao lado da missão do seu marido, e ajudá-lo a cumprir essa missão. E é a mulher que dá vida à casa, é a mulher que enfeita a casa, é a  mulher que apronta a casa para receber os filhos e o marido. E eu não fazia isso. Comecei, então, a fazer, e isso realmente mudou o olhar do meu marido, mudou a minha casa, mudou o ambiente dos meus filhos.Mas não é fácil porque tem dia que o marido quer uma coisa, você quer outra coisa, e aí a gente tenta chegar a um consenso, e por ter esses valores cristãos, na maioria das vezes, a gente consegue. Não é sempre, porque nós somos humanos, nós erramos, nós brigamos.

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Brigamos no sentido de discutir, que é uma coisa saudável, mas como a gente tem Deus, Ele sempre toca no coração de um ou de outro, e aí a gente consegue pedir o perdão, “- Você me perdoa?”, e a gente vai detectando e sabendo direitinho o que um gosta e o que o outro não gosta, para que não se repita isso novamente. Então, família para mim é um aprendizado, um aprendizado diário. Todos os dias a gente aprende um pouco.

E para mim a função da mulher é ser A COLUNA DA FAMÍLIA. É a mulher que traz a harmonia para dentro do seu lar. Eu tento fazer isso, peço a Deus sabedoria. E como a nossa vida é muito diferente, muito difícil na questão de horários e disponibilidade, sempre que eu posso, acompanho o Thalles nas viagens dele, para sustentá-lo, porque sei que sou, no papel de esposa, um ponto de apoio para ele, fundamental no trabalho e no ministério. E quando ele volta, a gente tem sempre os “nossos dias”, a gente separa um dia só para nós. Porque como ele fica muito fora de casa, quando ele chega, a gente gosta de ficar só dentro de casa. Então, eu preparo alguma coisa para ele, naquele dia especial, os meninos dormem mais cedo, ou na outra semana ele prepara para mim, e “aquele é o nosso dia”, é o dia de investir no casal, porque o casal precisa de investimento também. Porque senão a gente vai se distanciando, fica dando atenção só para os filhos, para o trabalho, e esquece o principal. O principal é o casal, porque se não tiver o casal, não tem as outras coisas. E a gente vai tentando se achar, um no outro, e eu me vi bem ao lado dessa missão do meu marido e é difícil, às vezes, a maneira como as pessoas julgam a gente, porque ninguém conhece a nossa vida, ninguém conhece o interior das famílias, o que se passa.

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O nosso ministério é um ministério grande, que tem atingido muitas pessoas, e muita gente acha que a gente vive só no glamour, nas viagens e ninguém vê o tanto de renúncia, as pedradas que a gente leva. E o que eu falo para o Thalles é o seguinte: O mais importante é o que Deus sabe sobre nós, é Deus que conhece nosso coração. Então, a gente se aninha é na família mesmo. E se a família não estiver unida, um para apoiar o outro, é muito mais fácil do outro desmoronar. Nós que temos uma vida pública, é muito difícil, então a gente tenta permanecer o mais unido possível. Temos as nossas desavenças sim, temos opiniões contrárias sim... mas quando isso acontece, a gente pede a Deus, a gente ora e fala: Deus, se é ele que está certo, coloca paz no meu coração para aceitar o que ele quer.

Uma outra coisa que quero reforçar o que o Thalles já falou, é sobre a qualidade de tempo que a gente tem com nossos filhos. Muitas pessoas criticam: “Vocês viajam muito, vocês ficam muito fora de casa, os meninos ficam muito sozinhos, mas a qualidade de tempo que temos com eles, é muito diferente da quantidade de tempo que muitos outros casais têm com seus filhos, mas não têm qualidade, que mal conversa com o filho. Então, quando o Thalles está em casa, ele joga bola, futebol, anda de bicicleta, anda de moto, anda de carro, vive 24 horas em função dos meninos.A não ser quando é o “nosso dia”, a gente põe os meninos para dormirem mais cedo e a gente comemora o nosso dia. Também em algumas viagens, quando a gente pode levar as crianças, a gente sempre leva. É difícil a viagem com eles, mas a gente quer estar perto.Então, a família pra mim é tudo. A Bíblia diz: Você vai deixar pai e mãe, vai se unir à sua esposa, ao marido. A família é isso: A esposa, o marido e os filhos. Muita gente tem deixado de investir na sua família. Não deixe de investir em sua família... invista tempo, invista qualidade, criatividade, tente deixar sua casa bonita, harmoniosa, sua casa cheirosa... uma roupa de cama e banho bonitas, isso é harmonia do lar, isso faz com que fique todo mundo aninhado, ali na sua casa. Isso é extremamente importante. Ter um lugar para onde voltar, para onde seu marido e seus filhos têm o prazer de voltar, e que seja de onde eles nunca vão querer sair. Que seja um lugar seguro, onde eles encontram a paz, junto à família deles. E essa paz a gente encontra só quando temos Deus. Que os momentos difíceis sejam passados em família, que os momentos bons sejam passados em família, que o erro de um, o outro possa ajudar a superar, a confortar, que a alegria do outro possa ser a alegria de todos, família é isso. Eu amo minha família.

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A gente tem percebido muitas famílias se acabando, se destruindo, em pouco tempo. Casais com 15 ou 16 anos de casados e que em um mês conseguiram se separar... a gente fica triste. Eu não estou julgando ninguém, mas o Thalles falou assim: Gente, vamos gravar um CD romântico, porque ele tem muitas músicas de amor. Gravamos “As canções que eu canto pra ela.” Como fomos criticados. O Thalles canta música gospel, e disseram que ele não poderia cantar música de amor, música de amor para sua esposa. Deus é amor, Deus criou a família, por que não pode cantar uma música de amor? Ele gravou para incentivar os casais, à volta do romantismo, a investir mesmo nos relacionamentos, porque a gente tem visto muita separação e como uma separação dos pais destrói a vida dos filhos. Como isso traz ruína para muitas vidas. E esse CD pra mim foi um presente lindo, porque foi uma homenagem, ou melhor, uma demonstração de amor. E o Thalles ainda me colocou na capa, para que todos pudessem ver que é para investir no casal, um CD para os casais, para que os casais invistam neles mesmos. E foi um projeto muito criticado no meio evangélico, mas seguimos em frente, porque o importante é o que Deus sabe sobre nós. Nossa família está baseada em Deus, está firmada na rocha, é uma rocha que não vai se abalar... em nome de Jesus.

Quais as principais atitudes da família perante as dificuldades enfrentadas no dia a dia?

Eu creio que a família, nesse tempo, tem que se proteger, tem que agir, nesse momento, como se estivesse em uma guerra, agir com contra ataques mesmo. As pessoas ensinam coisas erradas, e nós temos que estar cientes do que está certo na sociedade. Devemos contra atacar isso com ensinamentos dos princípios éticos, morais, os princípios segundo a palavra de Deus, nós que somos cristãos. Então, as principais atitudes da família, acredito que tem que ser o contra ataque: com conhecimento do que está acontecendo lá fora, pleno conhecimento de quais estão sendo os ataques do inimigo contra os filhos e a família em si, e contra atacar com bons ensinamentos, com bons exemplos, com antídotos a imunizar esse caos que tem se tornado a má influência contra as famílias.

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A estrutura familiar de hoje é diferente de décadas passadas. Mudou para melhor ou pior?

Muito pior. Na grande maioria, os filhos não têm medo dos pais, não respeitam, o filho fala mais alto que o pai, não é o pai que decide. A substituição da mesa pela liberdade de cada um sentar e comer onde quer. A preferência dos filhos em estar com os amigos ao invés de estar com os pais. Chegam em casa e logo querem levar alguém ou algum amigo para lá, e preferem assim, do que estar entre a família. A família, para mim hoje, é uma instituição que estão querendo falir com ela. Algumas estão em ruínas, mas ainda existem famílias que querem lutar contra isso. A família é a única estrutura que a sociedade tem. E nós precisamos investir nisso.

Qual a importância de existir Deus no centro de tudo?

Thalles responde:

Eu gosto de dizer que Deus desempata o jogo. Porque a mulher e o homem são criados em famílias diferentes, de maneiras diferentes, com prioridades diferentes. Mas a princípio, as pessoas se apaixonam e se revelam. Quando o princípio é igual, as ideias batem. Eu falo: eu vou fazer assim. E a outra pessoa fala: eu vou fazer assado. Eu acredito que é nesse momento aí que os casamentos se acabam, é nesse momento que a corda arrebenta, é nesse momento que é implantado o ódio, a ira, o desentendimento. Eu acredito nisso, e vivo isso, que Deus desempata o jogo. Quando você conhece a palavra de Deus, e conhece a Deus, você tem as reações normais como qualquer ser humano, mas você vai lutando com você mesmo, a sua biologia contra a presença de Deus ali. Poxa, eu sou assim, mas a Palavra manda ser assim. Eu queria falar isso aqui agora, eu estou com raiva, mas Deus me dá uma calma, uma tranquilidade. Pelos frutos do Espírito Santo a gente tem que ter domínio próprio, a gente tem que se dominar. É muito difícil exercitar isso. Mas o importante é que Deus abençoa, Deus protege, Deus une, Deus é amor, mas principalmente, desempata o jogo. Quando você tem Deus, você toma as decisões a partir de Deus, mas mesmo que a gente erre, porque todos nós erramos, Deus vem depois, te dá um toque no que você tem que fazer, se você tem capacidade de ficar na sua, de conseguir resolver, de fazer um carinho e de conseguir voltar ao normal, e não terminar. Seguir em frente. Eu não acredito na família sem a presença de Deus.

Mês de Agosto... Mês da família. Ser família não é uma tarefa fácil.

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