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Novembro de 2015

Condomínios: Um novo jeito de morar

A sensação de insegurança da população de Passos causada por centenas de roubos, furtos e homicídios tem levado muitas famílias a se mudarem para condomínios residenciais fechados; e os benefícios vão além da segurança.

Condomínios: um jeito novo de morar

Os condomínios residenciais fechados em Passos passaram a ser uma alternativa para as famílias que querem morar com segurança. Afinal, nos últimos anos, a criminalidade, principalmente os roubos e furtos, vêm assustando e causando indignação na população. Somente no ano passado, foram registrados 421 crimes violentos na cidade, entre roubos, homicídios e estupros. Ao mesmo tempo, o número de construções num condomínio fechado de alto padrão na cidade começou a crescer.

 
Um rápido passeio pelas ruas de um condomínio de alto padrão construído há oito anos é o suficiente para entender os motivos: em vez de muro na frente das casas, vêem-se imponentes fachadas e bem cultivados jardins, crianças brincando à vontade nas ruas e praças, bicicletas deixadas de qualquer jeito em calçadas, sem risco de serem furtadas ou roubadas.
 
Na hora de dormir, tem gente que sequer se preocupa em fechar as janelas da casa. O mesmo acontece com o carro, que fica na garagem com as portas destrancadas.
 
“Eu chego do trabalho às sete da noite e encontro as crianças brincando na rua de patinete, tendo aquela infância segura que nós tivemos”, diz a gestora administrativa Monalisa Machado Marques Fernandes, mãe de três filhas. “A sensação que se tem de morar aqui é o que se vê que o mundo está perdendo, que é esse contato de vizinhança”, acrescenta.
“Não tem preço, isso: você ver que seu filho pode brincar tranquilo na rua”, também comenta a empresária do ramo de automação comercial Anielby Martins Calixto.
 
MOTIVAÇÃO
 
Cristiane Pinheiro Rocha, seu esposo Luiz Antônio e  filha Valentina.
Cristiane Pinheiro Rocha, seu esposo Luiz Antônio e filha Valentina.

Moradora de condomínio horizontal fechado mais antigo de Passos, construído há mais de 30 anos, a advogada Cristiane Pinheiro Rocha, que atua também no ramo de transporte coletivo, e seu marido, Luiz Antônio Rocha - servidor público federal - também pensaram na filha para comprar um terreno, construir e se mudar para o residencial. “Moramos por muito tempo em apartamento, onde o espaço é muito restrito para crianças, daí o principal motivo de nossa decisão em morar em um condomínio fechado, é a nossa filha”, disse.

Para Luiz Antônio, a mudança foi tão impactante, no sentido positivo, que ele custou a se acostumar. “Com tanta tranquilidade, silêncio e privacidade, eu senti até dificuldade de dormir nos três primeiros meses aqui”, observou. Hugo César Fernandes, que mora com a esposa Monalisa e três filhas no condomínio mais novo, lembra de ter escutado os grilos à noite, quando se mudaram, em vez da agitação das ruas do centro da cidade.
 
TENDÊNCIA
 
Família Hugo Fernandes.
Família Hugo Fernandes.

Hugo é diretor executivo da empresa que construiu os dois condomínios e, segundo ele, a segurança foi decisiva para a mudança da família. “Sou uma pessoa que viaja muito e não tenho como deixar minha esposa, as três filhas e a sogra sozinhas em casa, sem me preocupar”, disse. Para ele, a crescente criminalidade no país deve fazer com que esses residenciais fechados se tornem cada vez mais comuns nas cidades. “Infelizmente, por causa de nossas leis, a tendência da violência é de piorar e as pessoas irem para os condomínios. Em Passos, os condomínios são de classe “A”, mas em cidades como São Paulo as classes “B”, “C” e até a “D” estão migrando para condomínios para terem segurança”, disse o empresário.

Segundo o empresário, o residencial foi lançado em 2007, teve a primeira construção em meados de 2010, mas somente dois anos atrás é que as construções deslancharam, coincidindo com o período de crescimento da criminalidade. Hoje, o total de obras supera o de casas ocupadas, mostrando que muita gente está querendo se mudar rapidamente para o condomínio. São 39 casas com moradores e outras 42 sendo construídas e 120 lotes urbanizados.
 
 
Anielby Calixto, seu marido e a filha se mudaram para o local um ano atrás. 
 
Anielby Calixto.
Anielby Calixto.

Antes, a família residia numa casa própria num bem conceituado bairro da cidade, mas a intenção de ter um segundo filho levou o casal a decidir por uma casa maior. A primeira opção foi um terreno na Avenida das Nações, mas, na comparação com o lote no condomínio, constataram que o metro quadrado era equivalente, tendo como diferencial a alta segurança.

 
“Ouvimos dizer que o condomínio estava crescendo e que tinha segurança”, disse. “O melhor investimento que fizemos foi construir aqui dentro, minha filha está tendo o que eu tive na infância”, conta, referindo-se à tranquilidade das ruas, com velocidade dos veículos limitada a 20 quilômetros por hora, e o sistema de segurança, que permite às crianças irem à pracinha, ao playground e até andar de patinete e bicicleta sem serem incomodadas por estranhos. “Tem uma interação muito grande das crianças aqui dentro”, acrescentou a empresária.
 
ALTA SEGURANÇA
 
O sistema de segurança é composto de portaria com vigilantes armados, câmeras de monitoramento, sensores de movimento e outros componentes sigilosos. Ninguém entra no condomínio sem ser identificado e confirmado junto ao morador a ser visitado. Segundo Hugo Fernandes, o residencial tem como modelo grandes condomínios de São Paulo e Ribeirão Preto, regularizado pela lei municipal de concessão real de uso.
 
“O melhor investimento que fizemos foi construir aqui dentro, minha filha está tendo o que eu tive na infância”
 
O volume de construções e a prestação de diversos serviços no local dão ao condomínio uma movimentação de centenas de trabalhadores, diariamente, mostrando o potencial econômico do recinto.
 
“A portaria, pela manhã, parece uma porta de fábrica com a entrada dos funcionários a partir das 6h30. E não para, parece uma indústria de tanta gente trabalhando aqui, hoje”, observa Hugo.
 
Além de tudo isso, os moradores vêem os condomínios fechados muito mais que um local para morar com bem-estar e segurança: “Há tempos, morar em condomínio fechado era sinônimo de status, mas hoje é uma busca pelo privilégio de morar com liberdade, mesmo que vigiada. Existe também uma lógica incontestável, que é a vantagem econômica obtida na valorização do imóvel, diante da estrutura oferecida e dos padrões das construções”, analisa Cristiane Rocha. “Foi a melhor coisa que a gente fez. O melhor investimento foi construirmos aqui dentro”, avalia Anielby Calixto.
 
Hugo Fernandes revela projetos urbanísticos e estruturais para o condomínio que devem valorizar ainda mais os imóveis, dando mais ganho ao investimento dos condôminos. Às áreas de lazer e ao salão de festas devem ser incluídos novos equipamentos para a prática de esporte, como quadras esportivas e um campo de futebol, além da reformulação e arborização da praça. 
 
Enio Modesto

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