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Dezembro de 2015

Itália dos ancestrais

Um grupo de mulheres vai à Itália em busca da terra natal do bisavô e aproveita para conhecer as românticas regiões da Toscana e Campânia.

Itália dos ancenstrais
 
 

A costa sudoeste da Itália, com suas inúmeras e pequenas comunas – o equivalente a cidades no Brasil, banhada pelo Mar Tirreno e pendurada na cordilheira dos Apeninos, é terra de história e artes. Nessa região estão Nápoles, Sorrento, Amalfi e a Ilha de Capri. Ao norte, a mais de 500 quilômetros de distância, encontra-se Florença – ou Firenze, em italiano. A cidade é destino de casais em lua de mel, com seus inúmeros atrativos turísticos, especialmente os museus, galerias e construções ancestrais.

As seis na porta da prefeitura.
As seis na porta da prefeitura.

 

 
Mais de 200 quilômetros ao sul de Nápoles – capital da Campânia – fica a pequeníssima Ispani, comuna de pouco mais de 1.000 habitantes, terra natal de Giuseppe Desimone, bisavô de Márcia Regina de Simone Brito e Maria Guiomar de Simone Martines, filhas do passense Milthon de Simone (irmão de Walter de Simone). Na companhia de filhas e neta, elas viajaram para a Itália a fim de conhecer Ispani. 
 
A viagem foi enriquecida com estadias em Florença, na capital Roma, Nápoles e Sorrento; por um roteiro especial que incluiu um passeio de um dia pela famosa Costa Amalfitana, região com 60 quilômetros de extensão formada por quase 20 vilas, com destaque para Amalfi e Positano.
 
Famoso e delicioso sorvete italiano.
Famoso e delicioso sorvete italiano.

Positano é uma cidade conhecida pelas suas românticas vielas, as lojas de artesanato, os restaurantes sofisticados e as praias Spiaggia Del Fornillo e Spiaggia Grande. Amalfi foi uma importante cidade portuária entre os séculos IX e XII e hoje é afamada por, dentre outros atrativos, ter a praça mais bela da região, com charmosos cafés, a fonte coberta por querubins e a igreja Duomo di Sant’Andrea. 

 
 
Brusqueta.
Brusqueta.

 

Depois de ter vivido durante décadas em São Paulo, e habituada a viagens internacionais, Márcia conta que essas regiões costeiras da Itália a encantou e acredita que suas parentes experimentaram a mesma sensação. “Eu não conhecia a Costa Amalfitana, então, para mim, foi muito interessante. Eu voltaria a Firenze, não sei explicar o motivo direito... acho que é por causa da receptividade do povo, a cidade é muito gostosa, o passeio à beira do rio, as lojas, as artes...”, explica.

 
Situada na região central da Itália, a capital da Toscana, Florença, é uma cidade com mais de dois mil anos de história que preserva muitas construções que datam de centenas de anos, como a Ponte Vecchio, sobre o rio Arno, igrejas como o Duomo – a Basílica Santa Maria Del Fiore, um dos cartões postais da cidade e a quarta maior catedral do mundo. Outro detalhe é que cerca de 40% do acervo artístico italiano estão nos museus e ruas de Florença, terra também do célebre Dante Alighieri, autor de um dos maiores clássicos da literatura: “A Divina Comédia”. 
 
As seis embaixo da Cúpula da Igreja de São Pedro.
As seis embaixo da Cúpula da Igreja de São Pedro.
 

O roteiro do grupo familiar começou em Roma, onde não faltaram visitas a atrações típicas da metrópole, especialmente as religiosas: cidade do Vaticano, com a Praça São Pedro, a Capela Sistina e Museu do Vaticano. Florença foi o próximo destino, uma viagem de pouco mais de uma hora e meia de trem.

Na escadaria do Museu do Vaticano. Juju lá embaixo.
Na escadaria do Museu do Vaticano. Juju lá embaixo.

 

 
 
O trem foi o transporte que as seis mulheres escolheram para percorrer essas duas regiões da Itália. Por isso mesmo, elas decidiram levar malas pequenas, porque, ao contrário dos aeroportos, teriam que carregar a bagagem. E como iriam viajar bastante de trem, não seria uma boa ideia levarem malas grandes. Compras, apenas terços, preces e outros souvenieres que caberiam em qualquer espaço. 
“Acreditávamos que seria impossível fazer malas pequenas, mas acabamos achando muito prático. Recomendo!”
 
Tradição italiana - Juju comendo um  fettuccine Alfredo em Piazza, Campo de Fiore.
Tradição italiana - Juju comendo um fettuccine Alfredo em Piazza, Campo de Fiore.

A próxima parada foi Nápoles, na Campânia, a terceira maior cidade da Itália, com mais de 960 mil habitantes, atrás apenas de Roma e Milão, de onde partem excursões para a região do monte Vesúvio e cidades que o vulcão arrasou, Pompeia e Herculano.

Nápoles combina belezas naturais, agitação urbana, o porto de Nápoles, de onde se avista também o Vesúvio, os cafés e a pizza margherita, com as cores da bandeira da Itália: o branco da mussarela, o vermelho do molho de tomate e o verde do manjericão. Não faltam também as centenárias igrejas e as vielas, tão típicas do sul italiano. 
 
A meia hora de barco de Sorrento (que pertence à província de Nápoles) está Capri, uma ilha de dez quilômetros quadrados, cheia de belezas naturais, inúmeras opções de passeios, dois municípios (Capri e Anacapri) e dois portos. Capri foi descoberta no ano 29 antes de Cristo por Otávio Augusto, primeiro imperador romano, que se encantou com seus atrativos e mandou construir vilas no local. Seu sucessor, Tibério, também usufruiu da ilha, chegando a governar o império de uma de suas mansões na ilha – ainda restam as ruínas da construção.
 
Márcia conta que gostou do passeio pela cidade, com suas lojas de grifes, mas não se esquece da Gruta Azul, a atração mais famosa da ilha. A Gruta Azul é uma cavidade natural com cerca de 60 metros de comprimento por 25 de largura. A entrada tem apenas um metro de altura e dois de largura.
 
Entrada da Gruta Azul.
Entrada da Gruta Azul.

 

 
 
Para entrar na gruta, utiliza-se um barco a remo com capacidade para quatro pessoas, todas deitadas no fundo do barco, para que apreciem, depois de um início em plena escuridão, a água de azul transparente com reflexos prateados. A impressão dos visitantes é de estarem flutuando, em vez de navegando. 
 
Canoli Italiano.
Canoli Italiano.

Vizinha de Nápoles e da Costa Amalfitana, Sorrento é conhecida também por inspirar poetas e compositores e pela vista “infinita” do Mar Tirreno. Através dessa cidade, Márcia e familiares cumpriria o objetivo principal da viagem, conhecer a terra do bisavô Giuseppe: Ispani. Para isso, elas teriam que percorrer a Costa Amalfitana, começando por Positano, prosseguindo por Amalfi. Esse trecho do passeio foi feito de carro, uma van que elas alugaram para que um nativo fizesse o percurso, pois descobriram que dirigir na Itália é uma missão para poucos, devido ao trânsito caótico e as ruas muito estreitas. 

 
Fizeram o passeio em um dia e esse aluguel, com motorista, foi a melhor opção, por razões de segurança. “A estrada é muito estreita, tem a montanha de um lado e o precipício do outro”, disse Márcia.
 
Ao longo da viagem, o grupo viu as infinitas plantações de limão sobre a montanha. “Sorrento é uma cidade muito conhecida por causa do Limoncello, um licor de limão típico do sul da Itália, especialmente nas regiões de Nápoles e na Costa Amalfitana, muito apreciado pelos italianos e pelos turistas.”
 
Carpaccio de peixe
Carpaccio de peixe

Chegando a Ispani, o grupo se surpreendeu com o tamanho da cidade, o pequeníssimo número de habitantes e com a alta sensação de segurança. “O Google diz que Ispani tem 1.080 moradores, mas um funcionário da prefeitura nos disse que são apenas 80.”

A visita foi rápida, pois não há mais parentes de Giuseppe naquela cidadezinha, mas o suficiente para conhecer o estilo das casas e dos prédios públicos: a igreja, a agência da empresa de correspondência italiana e a prefeitura. A tranquilidade é tanta, que é possível encontrar carros com a chave na porta, sem correr risco de ser levado por algum ladrão. “Essas coisas que a gente não vê mais no Brasil, nem em cidades interioranas como temos por aqui”, comenta Márcia.
 
A busca pelas raízes da família “de Simone” levou a um longo processo para a obtenção da cidadania italiana para todos: mães, filhas, netas, até mesmo para os sobrinhos. A certidão retirada na Itália mostra que o nome da família era escrito de forma diferente, nos tempos de Giuseppe, era “Desimone” em vez de “de Simone”. 
Maria Guiomar:
Maria Guiomar: "O que ficou no meu coração foi honrar nossos antepassados e conviver amorosamente com o lado feminino das nossas descendentes. A força, equilíbrio e determinação feminina na organização, respeito à individualidade na convivência grupal. O conhecimento histórico e emocional batendo forte no coração."

 

 
 
De toda essa experiência, Maria Guiomar comenta: “O que ficou no meu coração foi honrar nossos antepassados e conviver amorosamente com o lado feminino das nossas descendentes. A força, equilíbrio e determinação feminina na organização, respeito à individualidade na convivência grupal. O conhecimento histórico e emocional batendo forte no coração.”
 
 
Enio Modesto

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