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Janeiro de 2016

Um Passense na cidade Luz

O passense Cássio Alves mora em Paris há oito anos. Em entrevista exclusiva para a Foco ele fala sobre sua trajetória de vida pessoal e profissional e conta com detalhes sua experiência de morar fora do país. Fala também sobre os recentes atentados terroristas de 13 de novembro de 2015.

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Cássio Alves na CHAMPS ELYSEES iluminada para Natal.

Cássio é natural de Passos e tem 35 anos. Ele viveu até os 18 anos no Bairro São Benedito com os pais e o irmão. Em Passos, ele começou a trabalhar com 11 anos de idade na Sociedade de Assistência Pró-Menor (SAMP), como guarda mirim. Dentro da SAMP prestou trabalhos para a Santa Casa de Misericórdia por alguns meses até completar 14 anos.

“Na época saíamos da SAMP preparados para o mercado de trabalho. De lá, trabalhei por um ano no Supermercado Tonin como empacotador, depois em um despachante e na Locadora Vídeo Passos”.
 
Na adolescência ele participou de grupos de teatro em Passos, atuou em várias peças e dos festivais de teatro que a Prefeitura promovia nas escolas da cidade. “Com o grupo de Teatro viajei para outras cidades para os famosos festivais de teatro da região. Durante minha experiência no teatro trabalhei com o Gustavo José Lemos, com quem tinha uma amizade muito grande e me abriu os olhos para o mundo. Também trabalhei com o Job Gonçalves, o qual me abriu a mente para a poesia e MPB. Cito essas experiências, pois serviram para o meu crescimento pessoal e cultural”, lembra.
 
Aos 18 anos aproveitou a oportunidade de dois amigos do Teatro que partiram para o Rio de Janeiro para a montagem de uma peça de teatro e embarcou na aventura. Como tinha parentes no Rio ele foi morar com a tia na capital fluminense.  “Ao chegar no Rio percebi que Passos realmente era pequena demais pra mim! Conheci um mundo que me fascinou muito! Enchia-me os olhos estar lá, mesmo tendo uma saudade imensa de Passos”, conta. 
 
Por ter feito Teatro em Passos, a primeira opção de Cássio era trabalhar com arte, e então foi em busca dessa área, mesmo não tendo formação nenhuma. Ele começou a correr atrás de agências de figuração e conseguiu inúmeras figurações em novelas e séries da Rede Globo. “Mas infelizmente depender das figurações não ajudaria a me sustentar e permanecer na cidade. Abandonei esse meu sonho e busquei trabalhos estáveis, com carteira assinada e salário mensal estabelecido.”
 
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Cássio recebendo a visita dos amigos passenses: a Modelo SHAILA GONZAGA que vive em NYC e DIEGO ELIAS que trabalhou na Photo Boutique e agora é responsável pelas vitrines das Lojas Calvin Klein no Brasil. Estão na Torre de Montparnasse, na cobertura onde tem vista de 360 graus de Paris.

Cássio viveu no Rio de 1998 a 2008 e passou por várias experiências, tanto profissionais como pessoais, tendo momentos positivos e negativos. No Reveillon de 2007 ele recebeu os amigos passenses para as festas de fim de ano, a modelo Shaila Gonzaga, que hoje vive em Nova York, e Wesley Gonzaga das Botinas Bela Vista.

“Lembro como se fosse hoje, estávamos no Reveillon na Praia de Copacabana e na hora da virada via todos se cumprimentando e desejando coisas para o Novo Ano que se iniciava. Eu via aquele ato, era recíproco entre todos, mas eu, em minha cabeça, me perguntava o que eu me desejava. E aquilo ficou na minha cabeça! Fomos pra casa e no outro dia quando acordei, havia decidido que sairia do Brasil em 2008. Que eu precisava mudar a minha vida que já estava monótona no Rio. Queria novas experiências, queria uma nova vida que eu não poderia ter no Rio”, comenta.
 
Cássio conta que aproveitou o fato de ter família em Paris e se organizou para ir com eles. “Em seis meses tudo estava pronto! Havia pedido demissão do meu trabalho, entreguei o meu apartamento e vendi todos os meus móveis para fazer dinheiro e poder ir para Paris, sem falar uma palavra sequer de francês. Vim com a cara e a coragem como se diz no Brasil. Eu acreditei, fiz as malas e vim. Minha vida em Paris se iniciava naquele momento, em junho de 2008, com uma mala. Eu digo que sou uma pessoa de sorte! Ao menos tento acreditar ser!”
Paris

 

 
 
A vida em Paris 
 
De braÃÆâ€Ã¢â€žÂ¢ÃƒÃ†Ãƒ¢â‚¬â„¢ÃƒÆ’†ÃƒƒÂ¢Ã¢â€šÂ¬Ã¢â€žÂ¢ÃƒÆ’ƒÃ¢â‚¬ ÃƒÆ’ƒÆ’¢â‚¬â„¢ÃƒÃ†Ãƒ¢â‚¬â„¢ÃƒÆ’‚¢ÃƒÃ‚¢Ã¢â‚¬Å¡Ã‚¬ÃƒÃ¢â‚¬Â¦Ãƒâ€šÃ‚¡ÃƒÃ†Ãƒ¢â‚¬â„¢ÃƒÆ’†ÃƒƒÂ¢Ã¢â€šÂ¬Ã¢â€žÂ¢ÃƒÆ’ƒÃ‚¢Ã¢â€šÂ¬Ã…¡ÃƒÃ†Ãƒ¢â‚¬â„¢ÃƒÆ’¢â‚¬Å¡ÃƒÃ¢â‚¬Å¡Ãƒâ€šÃ‚§os abertos no Jardim do Castelo de FONTAINEBLEU, no interior da FranÃÆâ€Ã¢â€žÂ¢ÃƒÃ†Ãƒ¢â‚¬â„¢ÃƒÆ’†ÃƒƒÂ¢Ã¢â€šÂ¬Ã¢â€žÂ¢ÃƒÆ’ƒÃ¢â‚¬ ÃƒÆ’ƒÆ’¢â‚¬â„¢ÃƒÃ†Ãƒ¢â‚¬â„¢ÃƒÆ’‚¢ÃƒÃ‚¢Ã¢â‚¬Å¡Ã‚¬ÃƒÃ¢â‚¬Â¦Ãƒâ€šÃ‚¡ÃƒÃ†Ãƒ¢â‚¬â„¢ÃƒÆ’†ÃƒƒÂ¢Ã¢â€šÂ¬Ã¢â€žÂ¢ÃƒÆ’ƒÃ‚¢Ã¢â€šÂ¬Ã…¡ÃƒÃ†Ãƒ¢â‚¬â„¢ÃƒÆ’¢â‚¬Å¡ÃƒÃ¢â‚¬Å¡Ãƒâ€šÃ‚§a.
De braços abertos no Jardim do Castelo de FONTAINEBLEU, no interior da França.

 

Ele diz ter chegado a Paris num sábado, e logo ao chegar à casa de sua tia, sem nada pedir, sem ao menos imaginar como seria reiniciar sua vida, buscar trabalho ou estudo, ela lhe disse: “Já tenho um trabalho para você e você inicia na segunda. Não tive tempo nem de me adaptar ao fuso horário e já me via trabalhando na segunda, sem nem ao menos falar francês. Era para trabalhar com portugueses, então ajudou bastante!”

 
 
Em Paris ele trabalhou com faxina e limpando os escritórios da Prefeitura de Neuilly Sur Seine, uma cidade que faz parte da grande Paris. Trabalhava apenas quatro horas por dia, o que lhe permitiu ao menos ter um trabalho de início. Depois conseguiu se inscrever num curso de francês pela prefeitura de Paris. Estudou por três meses para aprender o básico e depois avançou sozinho, sendo que em 6 meses já conseguia se comunicar em francês.Trabalhou com limpeza para a Prefeitura por seis meses e depois foi trabalhar em um Apart Hotel por seis meses.
 
Com o meu patrÃÆâ€Ã¢â€žÂ¢ÃƒÃ†Ãƒ¢â‚¬â„¢ÃƒÆ’†ÃƒƒÂ¢Ã¢â€šÂ¬Ã¢â€žÂ¢ÃƒÆ’ƒÃ¢â‚¬ ÃƒÆ’ƒÆ’¢â‚¬â„¢ÃƒÃ†Ãƒ¢â‚¬â„¢ÃƒÆ’‚¢ÃƒÃ‚¢Ã¢â‚¬Å¡Ã‚¬ÃƒÃ¢â‚¬Â¦Ãƒâ€šÃ‚¡ÃƒÃ†Ãƒ¢â‚¬â„¢ÃƒÆ’†ÃƒƒÂ¢Ã¢â€šÂ¬Ã¢â€žÂ¢ÃƒÆ’ƒÃ‚¢Ã¢â€šÂ¬Ã…¡ÃƒÃ†Ãƒ¢â‚¬â„¢ÃƒÆ’¢â‚¬Å¡ÃƒÃ¢â‚¬Å¡Ãƒâ€šÃ‚£o e estilista KENZO TAKADA, criador da marca KENZO e do perfume FLOWER by KENZO.
Com o meu patrão e estilista KENZO TAKADA, criador da marca KENZO e do perfume FLOWER by KENZO.

No período entre junho de 2008 e novembro de 2009, graças a um amigo francês ele teve uma proposta de trabalho, e foi quando sua vida começou a mudar para melhor. “Graças a esse amigo, eu tive a sorte de começar a trabalhar como Mordomo para o Estilista Kenzo Takada, criador da marca mundialmente conhecida KENZO, mais conhecida no Brasil, pelo perfume KENZO FLOWER. Já trabalho com ele há seis anos e com ele pude aprender muitas coisas.”

 
Há oito anos morando em Paris, Cássio diz que não consegue ver nada de muito negativo na cidade. “Apenas a falta de coisas que somos acostumados a ter no Brasil em relação à comida, ao clima, ao respeito de horários, à diferente cultura. Não vejo isso como negativo, mas apenas a real diferença cultural. No mais, fica apenas a questão de adaptação dessas  diferenças.”
 
 
Com Kenzo na festa de comemoração dos seus 50 anos em Paris.
Com Kenzo na festa de comemoração dos seus 50 anos em Paris.

Matar a vontade de certas comidas não é algo fácil por existir poucos restaurantes brasileiros. Existe a possibilidade de se preparar em casa, mas, sempre fica a dificuldade de encontrar alguns produtos necessários para o tal prato que você pode ter vontade de preparar. Ele diz que na grande Paris não se encontra muitos supermercados ou lojas com produtos brasileiros, e às vezes é necessário sair da região parisiense para encontrar produtos e/ou restaurantes brasileiros. “Por serem caros, os proprietários preferem abrir em cidades próximas, onde é mais barato o aluguel e o custo de vida, para oferecer bom preço. Encontram-se mais lojas portuguesas, onde podemos às vezes, encontrar produtos brasileiros. Eu sempre faço pão de queijo! Um bom mineiro não pode ficar sem pão de queijo! Consegui encontrar um local onde sempre encontro o meu polvilho”, conta. 

 
Um detalhe que Cássio se sente incomodado é em relação ao comércio. Por ter morado no Rio de Janeiro, estava acostumado com os shoppings abertos até às 22h, lojas abertas aos domingos para compras quando necessário no fim de semana, o que não acontece na capital francesa. “Aqui tudo fecha às 19h e não abre aos domingos. Até mesmo a grande maioria dos supermercados. Isso sim foi difícil de me acostumar. O lado ruim dos parisienses é que são muitas vezes frios, assim como o inverno (risos).”
 
O lado bom da cidade é a praticidade do transporte! Ônibus e metrôs funcionam corretamente com horários e tempo corretos e não há atrasos, somente em casos graves, como acidente ou greve.  Cássio afirma que o custo de vida é caro, mas a praticidade em vários serviços é muito melhor que no Brasil, o que faz valer à pena. “O custo de telefone celular, por exemplo, é correto e te oferecem vários serviços. O melhor pra mim é o cinema! Eles te oferecem uma carta a 20 euros onde você pode ir ao cinema quantas vezes quiser durante o mês, enquanto no Brasil, acho que com 20 euros, você deve conseguir ir ao cinema 4 vezes, talvez. Eu sou fã de cinema, então pra mim, é útil! Preços de Shows de artistas internacionais são corretos. A facilidade que você tem para se vestir, por ter muitas opções de lojas e marcas diferentes que no Brasil não são acessíveis para uma pessoa de classe média”, destaca. 
 
Inverno em Paris na Place des vosges. A mais velha praça de Paris onde morava o escritor Victor Hugo.
Inverno em Paris na PLACE DES VOSGES. A mais velha praça de Paris onde morava o escritor Victor Hugo.

 

 
Para quem pretende morar fora do país é necessário ORGANIZAÇÃO! Muitos brasileiros vão a Paris, segundo Cássio, na busca de uma vida melhor ou na intenção de ganhar dinheiro para poder construir algo melhor no Brasil. Ele afirma que viver em Paris não é fácil se não houver planejamento. 
 
Cássio Alves.
Cássio Alves.

“Vale lembrar, que para morar no exterior, se você quer viver tranquilo e com os seus direitos, o melhor é vir com um visto e algo já em mente ou encaminhado. Porque para viver ilegal, hoje em dia, não é fácil. Encontrar trabalho não é tão fácil, ainda mais se você não fala francês. Eu aconselho a se planejar! Estudar francês, ou outro idioma, se tiver planos de ficar e se quiser estudar aqui, que se programe para ao menos vir com um visto de estudante, poder estudar e trabalhar, porque o visto de estudante te dá o direito a trabalho. Mas não aconselho a vir sem visto para viver ilegal! É possível! Mas, não é a melhor opção. E falar francês é fundamental. Prepare o visto, moradia, língua, trabalho! Tudo isso é necessário para sua sobrevivência no exterior, seja na França ou em qualquer outro país”, finaliza.

 
 
ATENTADOS TERRORISTAS EM PARIS
 
Torre Eiffel com as cores da bandeira da França logo após o atentado do dia 13 de novembro.
Torre Eiffel com as cores da bandeira da França logo após o atentado do dia 13 de novembro.

Sobre os atentados terroristas que a cidade sofreu no mês de novembro, ele diz que na noite do ocorrido, estava em um restaurante jantando com uma amiga, de passagem em Paris nessa noite, que se conectou no Facebook e então ficaram sabendo que tinha começado os atentados. 

“Ali mesmo no restaurante onde eu estava, mesmo sendo a 6 km do local dos atentados, porque eu moro no Rive Gauche e os atentados foram no Rive Droite, sentíamos já a tensão na cidade. Um amigo que estava próximo do local em um restaurante disse que eles fecharam tudo e que ele não podia nem ir embora.

Consegui sair do restaurante por volta da 1h da manhã. Eu tinha uma festa de aniversário de uma amiga e não pude ir, porque não havia mais táxis nas ruas. O governo pediu para todos ficarem em casa, não saírem e os poucos táxis que estavam nas ruas estavam indo para próximo do local dos atentados para poder levar as pessoas gratuitamente para suas casas. Achei esse ato muito bonito da parte deles! Ali eles esqueceram o egoísmo que existe em cada um e pensaram no próximo. A cidade se mobilizou para ajudar as pessoas! Foi emocionante ver isso, mesmo que pela televisão. Eu fiquei em casa, assistindo as notícias e falando com meus familiares em Passos para acalmá-los nessa noite”, explica.

Cássio conta que no sábado a cidade estava em luto e ele não saiu de casa. O presidente francês pediu que o povo ficasse em casa, por segurança. “Lembro que ao olhar pela minha janela, percebia Paris triste. As lojas fechadas, tudo fechado! Sábado e domingo o meu bairro parecia uma cidade fantasma. Aos poucos fomos nos readaptando, mesmo percebendo que os parisienses estavam com medo, tensos e vigilantes. A vigilância e a segurança foram aumentadas nas cidades e nas lojas. Hoje ainda, em várias lojas e locais públicos, você é revistado antes de entrar. Mas, eu senti mais forte isso, uma semana depois do atentado. Me lembro de ter ido ao cinema no centro de Paris, a sala de cinema fica no mesmo local onde tem uma Estação Central de Trens e Metrôs e em pleno horário de pico, às 19h, eu cheguei e não tinha ninguém. Estava fácil! Ali eu percebi que ainda estava tudo estranho, que as pessoas ainda não se sentiam à vontade de pegar o transporte público e que evitavam estar em locais de grande concentração de pessoas. Me senti mal de estar ali! Não com medo, mas apreensivo. Esses atentados, com certeza, prejudicaram muito Paris. Comércio e estabelecimentos de turismo perderam muito com o ocorrido.”

De acordo com o brasileiro, a Europa tem traçado uma busca apreensiva contra os possíveis terroristas e atacado os países árabes, como tem sido mostrado na imprensa. “Às vezes me pergunto se eles não estão começando uma guerra. Não é a primeira vez que houve um atentado. O atentado ao jornal Charlie Hebdo, no começo do ano, mobilizou Paris e também foi chocante! Na verdade acho que tudo começou ali, depois a guerra na Líbia. Aparentemente esse atentado já havia sido informado. Paris está sempre em alerta. Nesse mesmo dia 13 de Novembro minha amiga que tinha chegado a Paris estava pela Gare de Lyon e eles haviam evacuado a estação por um possível atentado a bomba. À noite, vem o atentado em vários pontos de Paris. Então, penso que o governo já estava ciente de um possível atentado, mas o mais difícil era saber onde. Como foi esse último, os terroristas atacaram vários pontos diferentes, mesmo que dentro da mesma região. Mas o resgate, a polícia e a ajuda não poderiam estar presentes em todos os lugares ao mesmo tempo. Depois desses atentados, foram contratados mais policiais, para que seja aumentada a segurança na cidade e creio que o governo tem se preparado. Espero que isso não se torne uma guerra”, revela o brasileiro.

Renato Rodrigues Delfraro

Um Passense na cidade Luz

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