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Fevereiro de 2016

Lençóis Maranhenses: Uma viagem inusitada

Uma família alpinopolense fez uma viagem em 2015 que, se não foi inusitada, foi, pelo menos, diferente das viagens procuradas pelos mineiros de nossa região. O educador físico Samuel, proprietário da SPEED ACADEMIA de Alpinópolis e sócio da SPEED ACADEMIA II na Barra e sua esposa, a enfermeira e também educadora física Camila, relatam sua experiência nos Lençóis Maranhenses, um destino pouco comum entre nós.

Samuel Santos Ribeiro, sua esposa Camila Aparecida Nunes de Assis, Valdete Aparecida Santos Ribeiro e Carlos Alberto Ribeiro.
Samuel Santos Ribeiro, sua esposa Camila Aparecida Nunes de Assis, Valdete Aparecida Santos Ribeiro e Carlos Alberto Ribeiro.

Para se chegar aos Lençóis, é necessário ir até São Luís, capital do Maranhão. De lá, é possível ir a Santo Amaro, pequena comunidade bem rústica, ou a Barreirinhas, porta de entrada para os Lençóis, de ônibus, van, ou carro. Também é possível ir de avião bimotor ou monomotor, mas essa é uma possibilidade cara. 

A família ficou três dias em Barreirinhas e três em São Luís. 
 
Samuel e Camila aproveitaram cada minuto dos dias que passaram ali. O primeiro passeio foi nas dunas. São quase 70 quilômetros de areia com lagoas encravadas entre os montes de areia, realmente de tirar o fôlego.
 
Lenç&oacuteis Maranhenses: Uma viagem inusitada

Para se chegar até as dunas é preciso ir em mini caminhões abertos - “paus de arara”. Esses “paus de arara” são credenciados e só é permitido o passeio acompanhado de guias também credenciados”, conta Samuel e Camila. Os veículos atravessam o rio Preguiças de balsa e levam os turistas até o pé das dunas. Do alto, avistam-se as lagoas. E aí, é irresistível: é preciso descer e mergulhar nas águas quentes que foram represadas da chuva. Sim, as lagoas são águas de chuva. Por isso mesmo, é bom visitar os Lençóis em junho, julho ou agosto. Isso porque, de janeiro a maio, chove e de setembro a dezembro, as lagoas podem estar secas. O passeio mais tradicional leva o pessoal até a Lagoa Azul e depois até a Lagoa Bonita. 

 
“Na volta, é interessante:  Às margens do rio Preguiças, os moradores armam barraquinhas e vendem de tudo aos turistas que esperam a travessia da balsa - tapioca, churrasco, água, refrigerantes, cerveja, doces e salgados, descreve Samuel.” E Camila completa: “Foi lá que tomei guaraná Jesus”.
 
O guaraná Jesus tem uma história interessante. Um farmacêutico maranhense, de sobrenome Jesus, fez uma mistura de ervas para tentar curar a tosse de um dos netos. Misturou, misturou... e chegou a um sabor agradável. Como o pessoal gostou, ele passou a vender a mistura engarrafada. As vendas cresceram tanto que começaram a incomodar a Coca-Cola. Então, o que a multinacional fez? Comprou a patente do guaraná, manteve o nome e passou a comercializar o produto. Com uma condição: ele só pode ser vendido no Maranhão. E Camila diz que é gostoso e tem gosto de chiclete.
 
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Outro passeio foi feito de lancha voadora pelo rio Preguiças. Há uma parada em Vassouras, com visita à “Tenda dos Macacos”. Essa tenda é circundada por árvores “cheinhas de macaquinhos”, diz Camila.  Depois, há uma passada por Mandacaru, pequena comunidade de pescadores, onde é possível visitar o Farol da Preguiça. 

Samuel fala que o mais bonito desse passeio é a lancha passar por cima dos mangues: “Tem hora que a gente pensa que não vai dar para passar.”
 
Nesse dia, o almoço é na praia de Caburé, onde há encontro das águas do rio com o oceano. Camila completa: “Lá tem uma cocada mole que é divina.”
 
O terceiro e último passeio foi o de flutuação em boias. Novamente o “pau de arara” leva os turistas até um ponto do rio Cardosa ou do rio Formiga. Ali, cada um pega uma boia e desce por 90 minutos até um ponto em que há restaurante e é também onde os pequenos caminhões esperam o pessoal.
 
São Luís é a única cidade fundada por franceses. “E parece que eles têm muito orgulho disso”, diz Samuel. Camila lembra que o guia falou que os franceses construíram só um forte. O resto foi construído pelos portugueses. Por isso, não se chega a um consenso: foram os portugueses ou franceses? “Mas, se tentar discutir isso com um morador de lá, ele vai dizer que foram os franceses”, finaliza Samuel. 
 
Carlos Alberto Ribeiro, Valdete , Samuel e sua esposa Camila  em passeio pelo Centro Historico de Sao Luis.
Carlos Alberto Ribeiro, Valdete , Samuel e sua esposa Camila em passeio pelo Centro Histórico de São Luís.

 

 
 
Do que mais gostaram em São Luís, Samuel diz: “Da praia por ter bons quiosques e do bonito passeio de barco.” E Camila: “O passeio pelo Centro Histórico aonde vimos o Palácio dos Leões, que é sede do governo do estado, o Palácio de La Ravardière, que é sede da prefeitura  e muitas outras construções igualmente imponentes e bonitas.  Gostei também do Boi. O guia disse que o bumba-meu-boi conta a história de Pai Francisco e Mãe Catirina”. Em nosso site, www.focomagazine.com.br, você pode ler a matéria na íntegra onde está sendo contada essa história que também é retratada na dança do bumba-meu-boi. 
 
Passeio no
Passeio no "pau de arara".

Segundo o guia que os acompanhou, há quatro bois em São Luís, mas a história retratada por eles é sempre a mesma. Muda só o ritmo. Samuel e Camila viram o Boi de Matraca. Acharam lindo. “Eles passam vendendo matracas a cinco reais. Como é baratinho, todo mundo compra. Depois, começam a cantar e todos batem as matracas no ritmo. Emocionante!!!”

 
Em relação ao estilo das casas, o casal explica: “As casas tinham, geralmente, três pavimentos. No primeiro, ficava o comércio, no segundo, o dono da casa e no terceiro, abrigavam-se os mascates. Havia uma escada de ligação que ia do terceiro até o primeiro andar, sem parar no segundo porque os donos das casas sempre tinham uma donzela e não queriam encontros dela com os mascates que estavam no andar de cima.”
 
Outro alimento tão típico quanto o Guaraná Jesus é o Arroz de Cuxá. Camila quando provou, achou estranho e com um gosto amargo. Uma outra particularidade da região é a maré: “Por causa da posição de São Luís, o mar recua demais quando a maré está baixa, o que ocorre quatro vezes por dia.
 
CONSELHOS DE SAMUEL E CAMILA PARA QUEM FOR VISITAR OS LENÇÓIS:
 
• Crianças muito pequenas não vão gostar. As crianças que vimos nas dunas se divertiam muito, mas deviam ter mais de oito anos.
 
• Em São José de Ribamar tem uma coisa bonita: a estátua de São José, de mais de 32 metros e é, segundo o guia, a segunda ou terceira maior estátua do Brasil.
• Obrigatório visitar o artesanato em Raposa. Muito bom para comprar toalhas, colchas e redes.
 
• Contratar, sempre, guias nesse tipo de passeio. As informações são valiosas.
 
• Planejar a época adequada para desfrutar ao máximo de suas belezas naturais.
 
por Valdete Santos Ribeiro

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