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Janeiro de 2010

O que há em comum entre as guerras urbanas ocorridas na Colômbia e no Rio de Janeiro?

ASSUNTO DE VESTIBULAR

Bandeiras do Brasil e do Rio de Janeiro hasteadas no teleférico do Complexo do Alemão.
Bandeiras do Brasil e do Rio de Janeiro hasteadas no teleférico do Complexo do Alemão.

Em uma operação inédita, a polícia, com o apoio das Forças Armadas, ocupou em novembro passado, o Complexo do Alemão, um conjunto de favelas controladas por traficantes no Rio de Janeiro. Os militares fizeram a diferença na operação de ocupação das favelas do RJ. Não pela tropa em si, mas pelos equipamentos. Momentos antes da invasão, os traficantes se posicionaram em suas fortalezas, fazendo provocações, confiando nas armadilhas colocadas nas ruas e vielas, estratégia que era eficiente contra os “caveirões” com pneus. Mas aí, vieram os carros blindados, que passaram por tudo, permitindo que os homens do BOPE fossem até onde nunca tinham ido. A ação provocou uma fuga em massa dos bandidos. A ocupação da região da Penha e do Alemão vai ter que ser diferente de tudo que os militares já fizeram no Rio até agora. O próprio governador Sérgio Cabral deu um prazo de sete meses para a instalação de uma UPP e pediu ao Ministério da Defesa que os militares permaneçam no local até outubro de 2011.

Até dez anos atrás a Colômbia estava se transformando em um “narcoestado”. O governo controlava apenas uma parte do território. Grandes áreas eram ocupadas pelas guerrilhas de esquerda associadas ao narcotráfico. Hoje o governo controla todo o território e os índices de criminalidade caíram à metade.

Os chefões do tráfico estão cumprindo longas penas de prisão. Os guerrilheiros estão em debandada.

Qual o segredo do sucesso da Colômbia?

A maior parte do que foi feito na Colômbia é o que estamos vendo no Rio agora. Policiais e militares recuperando áreas que estavam sob controle dos traficantes. Este foi o primeiro passo. Mas os colombianos foram mais longe. Também criaram vários planos centrados no desenvolvimento econômico. Medellín, que chegou a ser a cidade mais perigosa do hemisfério ocidental, se não do mundo, instituiu uma série de políticas para tentar reintegrar as áreas de periferia à economia e à sociedade como um todo. Isto incluiu estender o microcrédito e microempresas a estas áreas, melhorar escolas, os serviços públicos, construir infraestrutura, linhas de metrô e de outros transportes, para assegurar que estas áreas não ficassem isoladas e assim acabassem se tornando áreas abandonadas ao próprio destino. Isto facilitava que traficantes e cartéis a ocupassem e administrassem estas regiões como se fossem seu Estado particular.

O que o episódio no Rio deixou claro é que o Estado, apesar de ter deixado a população pobre abandonada por décadas, pode desarticular o tráfico nos morros. A operação também contribuiu para mudar a imagem da polícia do Rio, reconhecida como a mais violenta do mundo. Foi uma belíssima vitória contra o crime organizado, mas a guerra está só começando.

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