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Dezembro de 2016

Parto Normal - Passos tem sua primeira doula

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A doula Giseli Bárbara (à dir.) com Mariana Ribeiro Prado Barbosa, que ainda planeja a gravidez mas já tem interesse no acompanhamento da profissional.
 
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Doula é o nome dado para a acompanhante especializada para atuar na gestação, parto e pós-parto principalmente de mulheres que desejam o parto natural ou parto normal.

No dia 24 de novembro, numa escola infantil de Passos, um grupo de mães e futuras mamães assistiu a uma palestra e a um documentário sobre a situação do parto no Brasil e no mundo. O destaque do evento foi a importância da doula, mulher treinada para acompanhar a gestação, parto e pós-parto  – uma profissão reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelo Ministério da Saúde. Essa atividade foi trazida para Passos pela pedagoga e psicopedagoga Giseli Barbosa de Melo Bárbara, mãe de quatro filhos por parto normal e a primeira doula da cidade.

A palestra para o grupo de mulheres foi proferida pela própria Giseli, que falou de sua experiência como mãe e respondeu a perguntas das participantes. Logo depois, a doula exibiu o documentário “O Renascimento do Parto”, de Eduardo Chauvert, que trata da realidade obstétrica no Brasil, com um alerta para o número “alarmante” de cesarianas ou partos com intervenções traumáticas e desnecessárias.
 
Segundo as estatísticas mais recentes, o Brasil é o recordista mundial em cesarianas, com 55,6% de partos por essa intervenção médica. Enquanto isso, a média mundial é de 30%, embora a OMS preconize entre um índice de 10% a 15%.
 
Com a doula, espera-se que a gestante tenha um maior controle sobre o nascimento de seu filho, especialmente aquelas que desejam o parto normal. Segundo Giseli Bárbara, o modelo de assistência ao parto contemporâneo, em hospitais, fez com que a mulher perdesse o vínculo com alguém próximo a ela, como o marido ou um parente, no momento do parto. “Isso gera insegurança, solidão e pode atrapalhar o desenvolvimento do trabalho de parto”, avalia.
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Giseli, a primeira doula de Passos, explica o trabalho durante encontro com mulheres interessadas no serviço.

 

 
 
“Muitas mulheres só olham para o lado do sofrimento, dor, estresse... Para mim é bom, é por causa de um fruto. (O parto normal) é a forma mais natural, como Deus planejou, porque antes não havia intervenção médica.“
(Mariana Barbosa)
 
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Com a doula, a gestante volta a ter uma experiência positiva de parto, pois teve seu acompanhamento desde a gestação e o terá após o nascimento do filho. “Mesmo sendo uma figura muito antiga no cenário do nascimento, retratada em diversas obras de arte, já assumida por servas ou mulheres experientes da comunidade, para a nossa realidade é algo completamente novo. Nos Estados Unidos é uma profissional bem conhecida, tanto que as pessoas costumam perguntar: quem é sua doula?”, observa.

O primeiro contato que a doula passense teve com essa atividade foi através do documentário de Eduardo Chauvert, que alcançou recorde de financiamento coletivo para ser realizado, tamanho o interesse das pessoas pelo assunto. Sua irmã Danieli Bárbara e seu cunhado Yan Dorgi, que moram em Londrina (Paraná), também assistiram ao filme e ficaram impressionados a ponto de decidirem ter um filho e convidarem Giseli para ser a doula deles. 
 
Na época, Giseli não aceitou o convite, mas a gestação do sobrinho foi acompanhada por uma profissional paranaense. “Eu não sei como você conseguiu ter quatro filhos sem a presença de uma doula. Foi a profissional que eu mais me senti acolhida”, disse-lhe a irmã, após o parto. 
 
Inspirada e experiente em partos normais, afinal foram quatro filhos, a pedagoga decidiu fazer o treinamento para ser doula, ou “a mulher que serve”, em grego. O curso, ela o fez no Grupo de Apoio à Maternidade Ativa (Gama), em São Paulo, que é especializado em cursos, oficinas e consultorias para profissionais e gestantes.
 
Recém-formada, a educadora passou a exercer a nova atividade e em novembro já tinha três gestantes em sua agenda. Em 24 de novembro, ela reuniu as clientes e outras mulheres interessadas pela primeira vez para fazer a palestra e exibir o documentário.
 
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Uma das participantes é a administradora de empresa Mariana Ribeiro de Almeida Prado Barbosa, que está planejando a gravidez do primeiro filho para o ano que vem e sempre pensou em fazer o parto normal. “Muitas mulheres só olham para o lado do sofrimento, dor, estresse... Para mim é bom, é por causa de um fruto. (O parto normal) é a forma mais natural, como Deus planejou, porque antes não havia intervenção médica”, disse, explicando que deseja ter a doula para que seu parto seja “um momento tranquilo e mais especial”.

 
O trabalho da doula é feito conforme um protocolo de atendimento, que consiste em pelo menos quatro encontros com a gestante: o primeiro, na 30ª semana de gravidez; o segundo, entre a 36ª e 37ª semana; o terceiro, no parto; e o quarto encontro é feito cerca de cinco dias após o parto. Um quinto encontro ainda pode acontecer, caso a mãe ache necessário. 
 
 
Funções da doula, segundo o Ministério da Saúde
 
 
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1 - Dar apoio emocional e fornecer informações à parturiente sobre todo o desenrolar do trabalho de parto e parto, intervenções e procedimentos necessários, para que a mulher possa participar de fato das decisões acerca das condutas a serem tomadas durante este período;

2 - Durante o trabalho de parto e parto, a acompanhante: orienta a mulher a assumir a posição que mais lhe agrade durante as contrações;
 
3 - Favorece a manutenção de um ambiente tranquilo e acolhedor, com silêncio e privacidade;
 
4 - Auxilia na utilização de técnicas respiratórias, massagens e banhos mornos; orienta a mulher sobre métodos para alívio da dor que podem ser utilizados, se necessários;
 
5 - Estimula a participação do marido ou companheiro em todo o processo; Apoia e orienta a mulher durante o período expulsivo, incluindo a possibilidade da liberdade de escolha quanto à posição adotada;
 
6 - No pós-parto a doula instrui e apoia, tanto físico quanto emocionalmente, a mãe que acabou de dar à luz: oferece orientação e apoio na amamentação; sugestões de cuidados com o bebê; ouve a mãe sem julgá-la; dá dicas de como inserir o(s) filho(s) mais velho(s) e orienta a ajuda da família. 
 
 
 
Enio Modesto

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