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Janeiro de 2017

Acompanhamento Multiprofissional no trabalho para recuperação de dependentes químicos

A Associação Sagrada Família foi criada em 1998, e desde então desenvolve um trabalho clínico na recuperação de dependentes químicos. A ideia da criação de uma comunidade que atendesse este público surgiu durante um encontro de casais na Igreja Nossa Senhora das Graças, do qual participavam muitos dependentes químicos. A entidade mantém parceria com o Governo do Estado e com o Governo Federal, porém, precisa de ajuda para continuar seus trabalhos.

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A inspiração católica influenciou na escolha do nome da entidade, batizada como Sagrada Família. A fazenda de recuperação foi inaugurada no dia 1º de maio do ano 2000, numa área de três alqueires e meio, na estrada entre Passos e Fortaleza de Minas. A sede da fazenda começou a ser construída com recursos obtidos por meio de eventos. 
 
Ao longo de 16 anos, 1.209 pessoas já foram atendidas pela comunidade e o índice de recuperação é de 40%. Atualmente, a Associação Sagrada Família oferta como modalidade de tratamento cuidados com a saúde mental de usuários de álcool e outras drogas, atendendo esse público através de acompanhamento multiprofissional diariamente. São realizadas atividades que visam à reinserção social, lazer, cultura, o exercício dos direitos civis e o fortalecimento dos laços familiares. As iniciativas têm como objetivo dar ao paciente todo apoio necessário na busca pela autonomia.
 
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Casa de Triagem no Jardim Eldorado. Local foi cedido pela Loja Maçônica Deus, Justiça e Fraternidade para a Associação Sagrada Família.

“Estamos atendendo atualmente 26 residentes, mas a capacidade é para 40 residentes. O tempo de internação tem duração de seis meses, sendo que com quatro meses o residente tem sua primeira saída, ficando quatro dias na sua residência ou de familiares, e com cinco meses de internação tem novamente a saída de mais cinco dias, para complementar sua reinserção social”, explica o casal Jarbas Aparecido Hipólito Gonçalves e Miriam Silva Hipólito Gonçalves, membros da diretoria da entidade e fundadores da comunidade.

O quadro de funcionários é composto por cinco conselheiros, uma assistente social, um psicólogo, um médico psiquiatra e um enfermeiro. Os conselheiros são dependentes químicos em recuperação que passaram pela comunidade, e que ajudam no acompanhamento dos atuais residentes. 
 
Além do tratamento, os residentes exercem diversos trabalhos dentro da comunidade. Eles preparam a própria alimentação, fazem a limpeza dos alojamentos e estão trabalhando atualmente na construção de uma nova capela, que deverá ficar pronta nos próximos meses. Os que fazem uso de medicação são atendidos toda segunda-feira pelo psiquiatra Dr. Carlos Maia, e de segunda a sexta-feira pelo psicólogo Oronilce Júnior.
 
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Equipe de funcionários e membros da diretoria da entidade.

 

 
Um intenso trabalho espiritual e religioso também é desenvolvido na comunidade, com palestras de grupos religiosos de diversas Paróquias de Passos e de cidades da região, celebração de missa, uma vez por mês, além de orações diárias e semanalmente a celebração da palavra. Esse trabalho é feito através da cartilha “12 Passos”, que é um cronograma com as etapas a serem seguidas ao longo do tratamento. 
 
Os residentes também recebem a visita de grupos, como o de Hospitais e Instituições (HI), dos Alcoólicos Anônimos (AA), e dos Narcóticos Anônimos (NA), que seguem a cartilha dos “12 Passos” e a planilha do Programa de Prevenção de Recaída (PPR).
 
“A Associação Sagrada Família é uma entidade sem fins lucrativos que recebe recursos financeiros disponibilizados pelo Governo de Minas Gerais, através do convênio Cartão Aliança pela Vida, e do Governo Federal, através do convênio com o Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública do Ministério da Justiça e Cidadania (Senad). Também promovemos eventos através de doações de pessoas físicas e jurídicas do nosso município, para realizarmos o chá beneficente, rifas, pizzas e feijoada”, afirma Jarbas. 
 
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Nova Capela que está em fase  final de contrução.

Para dar continuidade aos trabalhos, a entidade precisa de mais apoio por parte da Prefeitura Municipal de Passos, do Governo do Estado e do Governo Federal. Os coordenadores do projeto afirmam que o Governo Estadual encontra-se em débito com a entidade desde agosto de 2015, e o Governo Federal está efetuando o pagamento parcelado. “As despesas com alimentação, materiais, folha de pagamento e manutenção em geral, ultrapassam os valores recebidos, e essa escassez de recursos não possibilita a realização de melhorias na estrutura física e contratação de novos profissionais”, enfatiza Jarbas.

 
A Comunidade Sagrada Família recebe pacientes de diversas cidades da região, que são encaminhados pelas Secretarias Municipais de Saúde e pelo Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (Caps AD) de Passos. A assistente social Joseane Faria atende na Casa de Triagem, de segunda a sexta-feira, das 8 às 14h.
 
Todas as quartas-feiras, às 19h30, na Casa de Triagem, localizada na Rua Geórgia, nº 370, Jardim Eldorado, acontece reuniões com familiares dos residentes que estão em tratamento, e que são abertas para pessoas que precisam de auxílio. Também são realizados trabalhos com os familiares, seguindo os 12 passos do “Coda” (Co-dependentes anônimos), já que as famílias também precisam de tratamento devido a desestrutura em que ficam. 
 
“Temos também, nesse mesmo dia e horário, o Núcleo de Apoio aos Toxicômanos e Alcoólatras (NATA), que realiza uma reunião para quem sai do tratamento, e também é aberta ao público. Aproveitamos o momento para solicitar e informar à população que a Associação Sagrada Família está aberta para receber doações. Temos carnês e conta bancária: (Banco do Brasil - Agência 0194-5, Conta corrente 8676-2). 
 
Para mais informações, as pessoas que tiverem intenção de nos apoiar podem entrar em contato pelos telefones (35) 3021-2750, (35) 3521-0682 ou pelo celular (35) 9-9988-0682 (vivo) ou ir até a Casa de Triagem”, salientam os membros da direção da entidade, que são voluntários.
 
 
Renato Rodrigues Delfraro
 
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Residentes que são atendidos no local.
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Residentes trabalham durante o tratamento.

 

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