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Março de 2017

Eu vi o futuro

Seria bom ou ruim se pudéssemos ver o futuro, deslocando para o presente informações e ações relacionadas aos tempos que ainda estão por vir? É claro que, como simples mortais, não temos esse dom. Supostamente, apenas intuições ou premonições esporádicas. Mas creio que um vivente vidente seria inconveniente (desculpem as rimas vulgares, rsrs).

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Mas, eu vi o futuro.
Garanto!


Éramos muito jovens naquela época, recém-saídos da adolescência. Lá se vão 45 anos... Termináramos de passar pela peneira do vestibular de engenharia e havíamos ingressado na FEI (Faculdade de Engenharia Industrial, em S. Bernardo do Campo – SP). Escola difícil! Ainda um tanto imberbes, planejávamos uma carreira próspera na área da nascente especialização em eletrônica. Dependendo de alguma sorte, talvez conseguíssemos até ascensão a cargos de gerência ou mesmo de diretoria em grandes corporações. Éramos em maioria egressos de famílias de classe média baixa – gente da lida nos primórdios da década de 70. Pessoalmente, eu era um dos mais pobres, vindo de Uberlândia a despeito de condições totalmente desaconselháveis ou mesmo proibitivas. Confesso que nos primeiros anos passei necessidades básicas, contudo, mesmo assim, brilhava nas notas, distinguindo-me em Cálculo, Física, Geometria Analítica, Mecânica Geral, etc. Meus colegas, especialmente os mais próximos, também se agarravam como podiam àquela oportunidade de estudar, especialmente um, que era o primeiro de sete irmãos a ter acesso ao ensino superior.
Sim, não era nada fácil! Morávamos, comíamos e nos deslocávamos mal, mas o ideal de nos tornarmos engenheiros somado à nossa juventude nos impelia a superar aquelas precariedades.

Os anos se seguiram e eis que, em 1976, aquela turma se formou; conseguimos, com muita tenacidade, o batalhado diploma de graduação.
Despedimo-nos fraternalmente e cada um seguiu seu rumo. Siemens, Embratel, Bosch, Metrô de S. Paulo... Estes foram alguns dos primeiros destinos da rapaziada. Vieram os casamentos, filhos... Certos colegas foram trabalhar por longos anos em outros estados e países.
E aqueles futuros meramente idealizados nos tempos da academia começaram a se materializar – um a um – da melhor forma possível. Os obstáculos iniciais foram sendo gradativamente removidos. Vieram as casas e os carros próprios; a possibilidade de mais estudo, cursos e viagens ao exterior. Sim, alguns, como eu, cursaram outra faculdade. Fiz Matemática. Outros fizeram Administração e Direito. Anunciaram-se pós-graduações, mestrados, doutorados...

Enfim, a nova era chegou de fato para cada um de nós. Exatamente aquele período de bonança que projetávamos nos primórdios de nossos devaneios juvenis.
Neste ano de 2016, comemoramos 40 anos de formatura em Engenharia Eletrônica e fizemos um encontro de celebração. Grande iniciativa! Até que ainda estamos bonitos na fita – sessentões de cabelos brancos (para os que ainda têm cabelos) com certas barriguinhas exuberantes – e plenos de vitalidade com boas histórias para contar.
 

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Esse foi o futuro que outrora antevi, ainda de cabeça raspada, na condição de calouro universitário que sonhava com um tempo melhor.
Educação, estudo, disciplina e superação, esses valores constituíram o amálgama que agregou a nossa turma. Somos indivíduos diferentes, de procedências diferentes, mas o que permitiu que chegássemos até aqui, cada um do seu jeito e pelo próprio caminho, foram esses ingredientes que hoje são transmitidos com ênfase aos nossos descendentes. E foi muito bacana saber que, dentre os nossos filhos, há médicos, engenheiros, promotores de justiça, juízes, empresários, etc, todo mundo sempre estudando, agora em condições bem melhores do que foram as nossas.

Hoje, como educador que me tornei, dou esse testemunho a alunos e pais, salientando eloquente a premência do estudo como veículo de promoção pessoal, social e material.
O mundo moderno não é mais para amadores. Indivíduos despreparados tendem a perder na corrida desenfreada da vida. Os bons empregos e funções requerem, em qualquer área, especialização e capacitação. A história recente é pródiga em exemplos de grandes patrimônios que foram dilapidados por falta de uma gestão técnica e eficaz.

Por isso, vamos estudar, moçada! E uma simples graduação hoje em dia é pouco! Há que se enfeitar o currículo com cursos de suplementação que fazem a diferença no momento de se obter uma boa colocação; um trabalho edificante e compensador.

por Prof. Ricardo Helou Doca

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