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Novembro de 2017

Intercâmbio acadêmico

 O intercâmbio estudantil coloca o aluno em contato com os melhores sistemas de ensino do mundo. Na área acadêmica essa experiência é importante para elevar o nível do futuro profissional e dar mais brilho ao seu currículo.

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A Arquiteta e Urbanista Ana Beatriz Pinto Coelho em Venaria Reale - Castelo perto de Torino onde a turma da faculdade visitou para estudar HISTÓRIA DA PAISAGEM.

 

 
Estudar fora do país é um desejo de estudantes do mundo todo que cresce a cada ano, em média, 12%, segundo um site (estudarfora.org) especializado em informações sobre intercâmbio estudantil. Os dados mais recentes, do ano de 2015, indicam que cinco milhões de pessoas passaram um período fora de seu país de origem e o Brasil figurava em sexto lugar entre os países com o maior número de alunos em intercâmbio. O motivo de tanto interesse é que, muito mais que conhecer outra nação e aprender seu idioma, o intercâmbio estudantil, especialmente na área acadêmica, é considerado um diferencial na carreira do futuro profissional.
 
Com duas experiências no exterior enquanto estudante, a arquiteta e urbanista Ana Beatriz Pinto Coelho afirma que “morar fora faz toda a diferença” porque eleva o currículo e contribui para um rápido amadurecimento do aluno. “Você aprende a se virar. Lá não tem muito esse negócio de ser filho de ninguém, você tem que conquistar seu espaço”, diz a jovem profissional, que estudou na Itália no ensino de nível médio e, depois, no superior.
 
Formada no final do ano de 2015 pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Ana Beatriz estudou fora pela primeira vez aos 16 anos. Foi um ano todo, de agosto de 2009 a julho de 2010, no “Liceo” italiano, em Sassari, na Sardenha (Itália), durante o segundo ano do nível médio.
BRASILEIROS EM PARTIDA PARA ITALIA 2009.
BRASILEIROS EM PARTIDA PARA ITÁLIA 2009.

 

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MEIO USUAL DE LOCOMOÇÃO EM TORINO - primeira coisa que minha irmã me levou para comprar.

 

 
Quatro anos mais tarde, já aluna da Escola de Arquitetura da UFMG, Ana Beatriz foi selecionada pelo programa Ciências Sem Fronteiras, do governo federal, para estudar durante um ano no instituto “Politecnico di Torino”, classificado entre os 25 melhores da Europa nas áreas de engenharia, tecnologia e ciências da computação.
 
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Ainda estudante, Ana Beatriz num canteiro de obras em TORINO - visitação através da disciplina TECNOLOGIAS DA CONSTRUÇÃO.

Quando é questionada o porquê de ter escolhido Itália, Ana Beatriz confessa:  “Não sei explicar muito bem... mas sempre quis aprender uma outra língua além do inglês (o inglês já é obrigatório para qualquer currículo)... Achava muito linda a língua italiana e a parte cultural da Itália sempre me encantou.”

Segundo a arquiteta, ambas as experiências foram compensadoras porque ela aprendeu o italiano, conheceu um sistema de ensino com qualidade e conteúdo bem diverso do Brasil e disciplinas universitárias que podem fazer a diferença na concorrência profissional. Outro diferencial é ter no currículo o prestígio de ter estudado numa instituição que é referência mundial em arquitetura, design e moda.
 
“Têm muitas matérias que estudam tecnologia, mas num grau muito avançado”, diz a arquiteta, explicando que nos três primeiros anos do curso na Itália o foco é a arquitetura, ficando os dois anos restantes para o estudante optar pela área em que deseja atuar, como construção, urbanismo e restauro de edificações.
 
Morar no exterior e estudar numa das mais renomadas faculdades do mundo enriquecem o currículo acadêmico e alça o estudante a um nível mais elevado que seus concorrentes no mercado de trabalho, mas exige bastante sacrifício e força de vontade: ter que ficar um tempo considerável sem ver a família, se habituar com as diferenças culturais da população, superar a barreira da língua e a didática dos professores.
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Primeiro dia de aula - a emoção de estudar arquitetura num castelo do sec. XVI à beira do Rio Pò situado dentro de um parque.

 

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A então estudante em frente ao Castelo del Valentino di Torino, onde fica a Faculdade de Arquitetura (Politecnico), no inverno.

 

 
Em relação às aulas da faculdade, um diferencial é que a presença não é obrigatória e a carga horária leva em consideração o tempo de estudo em casa. Isso exige muita dedicação e disciplina do aluno, porque o conteúdo vai muito além do que é exposto em sala. Outra grande diferença é que as provas são orais, são aplicadas na frente da sala toda e acontece somente uma vez – no final da disciplina cursada. Dentro das disciplinas mais teóricas, quase não é dado trabalho para o aluno fazer. O que conta mesmo é essa prova única.
 
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No Liceo, Ana Beatriz teve dificuldades com o latim, porque não conseguia desenvolver bem os textos, ficando apenas “no essencial”. Mas outras matérias - como desenho arquitetônico e história da arte - a ajudaram a confirmar seu interesse pela arquitetura.

No Politecnico di Torino, a jovem deparou também com matérias bem diversas da Escola de Arquitetura da UFMG - o já citado restauro e reformas de museus, por exemplo. “Foram matérias muito diferentes das que eu fiz aqui”, disse, ressaltando que essas diferenças são justamente o que enriquecem os estudos e o motivo que leva um universitário estudar um tempo fora do país.
 
Segundo a arquiteta, o intercâmbio não atrapalhou a continuidade do curso no Brasil, mas, antes, foi preciso fazer um acordo com sua escola para que as notas obtidas fossem aceitas. Pelo Ciências Sem Fronteiras Ana Beatriz teve a grade curricular, as horas de aulas e o conteúdo do curso na Itália analisados pela UFMG. As que não equivaliam às matérias no Brasil, como o restauro, por exemplo, eram eliminadas, mas contavam como cumprimento de disciplinas eletivas ou optativas.
 
Com Grazia no Monte Bianco.
Com Grazia no Monte Bianco.

 

 
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Aniversário de 20 anos em Sassari - 2013.

Estudar no Liceo Scientifico durante um ano foi fundamental para Ana Beatriz confirmar sua vocação para a arquitetura. A experiência também deu a ela uma boa base para prestar o vestibular, sem precisar fazer cursinho. Apenas um “intensivão” de um mês em São Paulo e as notas do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) bastaram para ela obter sucesso no vestibular da UFMG, em Belo Horizonte.

Fazer intercâmbio estudantil está ao alcance de todo estudante brasileiro. São diversos programas de concessão de bolsas de estudos no exterior em vários níveis de ensino, do médio à graduação e até pós-graduação.
 
Segundo Ana Beatriz, o primeiro passo é pesquisar sobre o país e a instituição em que o aluno deseja estudar. Em seguida, se preparar para o idioma, para ter uma base da língua, principalmente os termos técnicos.
 
Mas, antes de tudo isso, o interessado tem que estar seguro do que realmente quer, porque essa opção requer muito sacrifício emocional. “A pessoa tem que estar certa de sua escolha, porque é bem difícil e exige desprendimento por parte do estudante”, observa a arquiteta, ressaltando: “sempre morar com família local e ir de coração aberto para conhecer os hábitos locais. Lá, por exemplo, não se toma três banhos por dia como aqui e muitas vezes a água quente acaba no meio do banho.”
 
 
Nova família
 
Durante o intercâmbio do ensino médio na Itália, Ana Beatriz adotou uma nova família; segundo ela, é a melhor maneira de se sentir em casa e aprender uma cultura diferente.
 
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PIERA - minha mãezona da Itália - sempre presente desde 2009 até hoje.

 

 
Nos dois intercâmbios estudantis que fez na Itália, Ana Beatriz Pinto Coelho fez profundas amizades com moradores, o que a ajudou a superar a saudade dos pais, irmãos, demais familiares e amigos. No Liceo (nome do ensino médio na Itália), quando tinha 16 anos, a jovem arquiteta morou numa casa de família em Sassari, na ilha da Sardenha. Giovannino, Piera e seu casal de filhos, Ginevra e Gavino, se tornaram a família italiana de Ana Beatriz.
 
No intercâmbio do curso de arquitetura, a então universitária morou numa casa com três estudantes italianas, uma delas era Ginevra, sua “irmã” italiana. As outras duas eram Grazia e Lella. A irmã italiana até veio passear em Passos, assim como Grazia, em 2016. 
 
A segunda família e as amigas ajudaram Ana Beatriz a passar os dois intercâmbios e a suportar a falta de seus pais Maurício Silveira Coelho e Carla e irmãos José Maurício e João Victor. Na primeira vez que morou na Itália, então com 16 anos de idade, a jovem só pode ver os pais um ano depois. A restrição à família, trata-se de uma regra do intercâmbio para não prejudicar a adaptação do estudante nos aspectos emocional e cultural, afinal, ao ver os pais, o aluno poderia ter uma recaída e até desistir do curso.
 
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Quando meus pais do Brasil Carla e Maurício foram passar o Natal com os pais italianos Piera e Giovannino, na Sardenha.

 

 
Estudar fora do país oferece também a oportunidade de fazer turismo e conhecer uma variedade de lugares. Na Europa, os estudantes costumam aproveitar os finais de semana e o transporte por trens, que agiliza muito as viagens.  E na Itália, rica em história e cultura, não é diferente.
 
A arquiteta conta que no Liceo viajou menos, mas sempre junto com sua família local. No intercâmbio universitário, dentre outros lugares, ela pode conhecer Roma, Pompeia, a região da Toscana, a cidade de Assis (Terra de São Francisco) e o monte Etna, na Sicília, onde fez uma pequena escalada e testemunhou o momento em que o vulcão - que é ativo e, portanto, pode entrar em erupção a qualquer instante - expeliu um pouco de fumaça. “Mas é lindo, é uma paisagem super diferente!”, encantou-se.
 
 
Enio Modesto
Venaria Reale - Castelo perto de Torino onde a turma da faculdade visitou para estudar História da Paisagem.

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