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Dezembro de 2017

Cinema e Psicanálise

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A psicanalista Maria Luiza Crisóstomo Piantino.

 

O projeto “Cinema e Psicanálise” é uma iniciativa da Sociedade Brasileira de Psicanálise, e tem como objetivo promover uma reflexão sobre o papel da psicanálise na sociedade através da linguagem cinematográfica. Este projeto é desenvolvido em algumas cidades do interior de São Paulo e está chegando a Passos e São Sebastião do Paraíso. A psicanalista Maria Luiza Crisóstomo Piantino dá mais detalhes sobre o projeto, e explica alguns fundamentos da psicanálise.
 
No dia 25 de novembro foi exibido na Casa da Cultura o filme “Homens, Mulheres e Filhos”. A sessão marcou o início do projeto “Cinema e Psicanálise” em Passos. Após o filme, aconteceu uma explanação da psicanalista Ana Rita Nuti Pontes, de Ribeirão Preto, seguida de um bate-papo com o público presente.
A psicanalista Maria Luiza Crisóstomo Piantino é uma das profissionais que está envolvida na implantação do projeto em Passos. Ela explica que este é um projeto da Sociedade Brasileira de Psicanálise, e está chegando a Passos através do Núcleo de Psicanalistas da cidade.
 
 “Este projeto já é desenvolvido em cidades como Ribeirão Preto, Jaboticabal, Franca, entre outras, e agora estamos trabalhando para implantá-lo em Passos e São Sebastião do Paraíso, através dos respectivos núcleos de psicanalistas. No início de janeiro será exibida uma sessão em São Sebastião do Paraíso, depois outra em Passos, e assim vamos alternando as exibições nas duas cidades a cada dois meses”, afirma Maria Luiza. 
 
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O filme exibido na Casa da Cultura “Homens, Mulheres e Filhos”, fala sobre adultos, adolescentes e crianças que amam, sofrem, se relacionam e compartilham tudo, sempre conectados. A internet é onipresente e, nesta grande rede em que o mundo se transformou, as ideias de sociedade e interação social ganham um novo significado. Algumas situações como um casal que não tem intimidade; uma garota que quer ser uma anoréxica melhor; um adolescente que vive num mundo de pornografia virtual, fazem o espectador repensar nas relações humanas.

 

De acordo com a psicanalista, a proposta de relacionar psicanálise e cinema se dá pelo fato de que através do cinema é possível explorar toda uma gama de sentimentos que existe dentro de cada ser humano, e isso faz com que as pessoas se identifiquem com o que está sendo apresentado.“A psicanálise também é uma arte. Através dos filmes, a gente visualiza situações do nosso dia a dia. A intenção da Sociedade Brasileira de Psicanálise é despertar nas pessoas o desejo de refletirem sobre si mesmas através das emoções que o cinema suscita”, destaca.
 
Maria Luiza diz que os filmes são escolhidos de acordo com a mensagem que vão transmitir ao público e sempre levando em conta a capacidade que eles despertam de mobilizar algo dentro das pessoas, gerando posteriormente um bate papo gostoso e uma boa reflexão.“A intenção é analisar a maneira como o filme mexe com as nossas dificuldades. A partir do comentário do psicanalista, o debate é aberto e nós somos convidados a fazer uma conexão com a nossa vida, com os acontecimentos sociais que estamos vivendo, com os nossos relacionamentos, etc. Este é um projeto que será desenvolvido a longo prazo, e vamos trabalhar para que ele se consolide”, pondera.
 
 
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O neurologista austríaco Sigmund Freud, o criador da Teoria da Psicanálise há mais de 100 anos. 

 

A importância da psicanálise nos dias atuais
 
A teoria da psicanálise foi criada pelo neurologista austríaco Sigmund Freud há mais de 100 anos. A Psicanálise é um ramo clínico teórico que se ocupa em explicar o funcionamento da mente humana, ajudando a tratar distúrbios mentais e neuroses. O objeto de estudo da psicanálise concentra-se na relação entre os desejos inconscientes e os comportamentos e sentimentos vividos pelas pessoas. 
 
Segundo Maria Luiza, a teoria da psicanálise foca na análise do inconsciente de cada pessoa, e até hoje conserva os alicerces criados por Freud. “Hoje em dia a psicanálise é muito voltada para a relação do vínculo que se estabelece entre paciente e analista, e através desse vínculo vai se conhecendo o funcionamento psíquico do paciente. Nós só temos condições de mudar de comportamento se nos desenvolvermos e nos conhecermos.”
 
A psicanalista afirma que no mundo atual, em que tudo é tão fugaz e as pessoas têm tanta pressa, a psicanálise proporciona a possibilidade de um encontro que nos ajude a nos sentirmos inteiros.
Sobre o momento atual, caracterizado por um alto grau de intolerância e troca de acusações em diversos setores da sociedade, a psicanalista afirma “que essa mudança passa pela educação, e deve começar em casa com o planejamento dos pais, que muitas vezes não estão preparados para o desafio de serem pais.”
Maria Luiza reforça ainda a importância da psicanálise como forma de ajudar a superar traumas da infância, e que podem interferir negativamente pelo resto da vida de uma pessoa. “A psicanálise vai fazendo essa conexão do presente com o passado. A pessoa consegue se lembrar de fatos vividos na sua infância, vai fazendo essa volta. Nós somos produto de tudo que nós vivemos. A psicanálise é um processo dinâmico e não se pode desprezar o passado do indivíduo, a sua formação, suas relações familiares e outras relações ao longo da vida. Não tem como desprezar isso. Através dessa busca, desse vai e vem, a gente chega no aqui e agora.”
A psicanalista afirma que o preconceito em relação a terapia diminuiu muito nos últimos anos, e não há mais tanta vergonha em se procurar ajuda de profissionais da área. “Esse conceito vem mudando, até porque as pessoas estão sofrendo, estão precisando de ajuda. Uma conversa boa pode levar o ser humano a fazer ressignificações na sua vida, ajudando-o a compreender o que se passa dentro dele”, finaliza.
 
Renato Rodrigues Delfraro

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