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Abril de 2018

Redação Nota 1000

(...) Esse sentimento é tão surreal, tão inacreditável, tão incrivelmente assustador que não sei o que vai acontecer em minha vida. Quero dizer, Ok, agora eu vou cursar MEDICINA! (...)

.

 

Essas foram algumas das emocionadas palavras da Carol em uma rede social, agora minha ex-aluna. Foi um grito de alívio e felicidade há três anos entalado na garganta desta jovem que, finalmente, pôde ser bradado em alto e bom som. Sim, a Carol passou em Medicina em uma das faculdades mais concorridas do Brasil: a Faculdade de Medicina de Botucatu, da UNESP (mais de 350 candidatos / vaga).
 
Tive o privilégio de lecionar para essa estudante (de fato, estudante e não simplesmente aluna) desde o 3º ano do Ensino Médio. No princípio, identificava na garota requintada educação; fino e respeitoso trato. Mas ela era muito verde em seus 17 anos, embora já laboriosa nos estudos e ciente de suas obrigações. Veio o primeiro vestibular e, como eu já vaticinava intimamente, não deu. Mas a Carol não se deixou abater. Imergiu-se no cursinho em busca do aprimoramento necessário. De novo, também não deu... Vi a Carol frustrada – e de certa forma inconformada – a caminhar solitária pelos corredores da escola. Ela vagava como se não entendesse o porquê de, mais uma vez, ter ficado de fora.
 
Usando de alguma experiência e humanidade que hoje acredito ter, bati um papo com ela: —Calma, Carol! O que você almeja (Medicina em uma faculdade pública de excelência) não é realmente fácil. Para ter chance, você deverá praticamente gabaritar o exame, além de fazer uma redação nota 1000; obter média acima de 9,0 para ter certeza da aprovação. Nessa área, a preparação deve ser quase olímpica e a fila anda um pouco devagar. É um trabalho hercúleo! (...). Senti depois dessa conversa uma Carol um pouco mais tranquila e algo menos avexada.
 
Pareceu-me ter criado alma nova.
Outros colegas também deram muita força à Carol, que tomou uma sábia decisão: fazer mais um ano de cursinho com toda a calma, humildade, dedicação e foco, exigidos nessa empreitada.
E veio ela de novo em março, iluminando a primeira fileira da classe com seus olhos verdes vivazes, cheios de juventude e fé.
Perguntava tudo; não deixava nenhuma questão escapar. Agora, as dúvidas eram boas, repletas da maturidade necessária a quem integra as listas de aprovados dessas contendas escolares. Abril, maio, junho, julho (Férias? Que nada!), agosto, ... E ela rachou e rachou. Estudou fundo, com método, disciplina e qualidade; todas as matérias.
Fim do ano passado, durante a revisão final, assisti à Carol naquela mesma carteira, agora plácida e confiante, como se esperasse apenas o momento certo de fazer nas provas o download de seus muitos conhecimentos.
 
Bem, o fim, caros leitores, vocês já sabem.
A Carol é apenas um caso dentre inúmeras histórias de sucesso que vivenciei. A coroação pelo foco, abnegação e empenho; o merecidíssimo happy end.
Não há atalhos nem caminhos fáceis. Por trás de cada pessoa honesta e bem sucedida há sempre uma saga de trabalho, privação e perseverança, mas sempre vale a pena.
Digo então para aqueles que sonham: acreditem, busquem e laborem.
Parabenizo com muita satisfação e orgulho todos os meus alunos aprovados nos vestibulares 2018.
 
Que maravilha, moçada!
Sei de cada segundo das dificuldades que vocês enfrentaram nessa caminhada, por isso, atribuo mérito máximo a essa conquista.
Sigam, agora, como universitários, com a mesma garra que os trouxe até aqui.
Assim, um futuro brilhante aguardará um por um de braços abertos, porque assim é recebido o talento.
 
Valeu!
 
 
por Prof. Ricardo Helou Doca

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