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Maio de 2018

Páginas do Futuro

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Maio é um mês de comemorações! É o mês do aniversário de Passos, que comemora 160 anos de emancipação político-administrativa, e o mês de aniversário da Foco, que em 2018 completa 13 anos de circulação. Ao longo deste período, as páginas da Revista Foco vêm levando informações de qualidade aos seus leitores, sempre se pautando pela ética, precisão e responsabilidade de suas matérias. Nestes últimos 13 anos, a Foco vem registrando os momentos mais importantes da história de Passos, abrindo espaço para a discussão de temas relevantes na nossa comunidade, sempre levando em conta o interesse público.
Entendemos que quando alguns ciclos se renovam são necessárias algumas reflexões, uma avaliação sobre o que está sendo feito e o que precisa ser melhorado. Com este intuito, entrevistamos algumas pessoas que contribuem em diferentes áreas para o desenvolvimento de Passos, para o reconhecimento e a valorização de nossa terra, da nossa cultura, para que fizessem um balanço sobre o momento atual da cidade e o que precisa ser melhorado para o futuro.
Também pedimos aos entrevistados que fizessem uma análise sobre o papel que a Foco vem desempenhando na comunicação de Passos ao longo destes 13 anos, para que, assim, possamos buscar novas ideias e acompanhar as mudanças que vêm ocorrendo neste segmento tão dinâmico que é a comunicação.
 
 

FIZEMOS AS SEGUINTES PERGUNTAS:

 
1- Como você vê a cidade de Passos, hoje, nos aspectos de desenvolvimento social, econômico e cultural?
 
2- Quais caminhos devem ser trilhados para melhorar a cidade?
 
3- Como você vê o papel da revista Foco como veículo de comunicação impresso para a cidade nesse 13º aniversário?
 
Vivaldo Soares Neto  Médico e Provedor da Santa Casa de Misericórdia de Passos
Vivaldo Soares Neto - Médico e Provedor da Santa Casa de Misericórdia de Passos

 

1- Primeiramente é importante destacar que Passos ganhou nos últimos anos um crescimento considerável, sobretudo com a instalação de algumas empresas de grandeza significativa, que poderão gerar importantes dividendos à comunidade. Sem dúvida, isso agrega uma otimização e boas perspectivas ao desenvolvimento social e econômico. Na questão cultural, também observamos sinais de manifestações artísticas mais acentuadas, com uma maior participação popular. Entretanto, vê-se que Passos tem um potencial enorme para desenvolver-se, precisando assim, de um bom planejamento e de ações mais ousadas e assertivas para chegar a um patamar progressivo como sonha a nossa população. Contudo, temos que saber que não é muito fácil, pelos dias desalentadores que vivemos em nossa economia.
 
2- Acredito que, neste momento, o mais urgente é fomentar a indústria e o comércio, pois são imprescindíveis para a retomada da economia. Isso pode minimizar, sobretudo, a questão do desemprego, um sério problema enfrentado nesses nossos dias. Aliviaria, ainda, a violência que cresce a olhos vistos em nossa cidade, o que seria também minimizada através de mais projetos educativos e culturais para os jovens. Vale ressaltar ainda a problemática da saúde pública que passa por muitos percalços. Uma boa saída seria a busca da eficiência dos serviços oferecidos aos usuários, especialmente na UPA e postos de saúde. Sabemos que há a necessidade de muito trabalho, mas mesmo que a médio prazo, os bons resultados poderão vir.
 
3- A boa mídia é protagonista nos melhores enredos sociais. Assim, vemos o papel da revista Foco, uma fundamental aliada ao entretenimento, informação e cultura de nossa Passos. Nesses 13 anos, ela mantém o mesmo padrão de qualidade, comprometimento e ética favorecendo aos seus leitores. Mês a mês, o leitor da Foco espera por suas páginas ilustrativas recheadas de um jornalismo educativo e bem apurado. Sem dúvida, podemos afirmar que a Foco ajuda a escrever a história de nossa cidade e, já também é, um importante patrimônio cultural de nossa comunidade. Que venham outros e muitos anos dessa importante fonte de comunicação! 
 
 
 
Marcos Pimenta  Delegado Regional
Marcos Pimenta - Delegado Regional

 

1- A localização da cidade de Passos é estratégica e precisa ser melhor explorada nos aspectos sociais, econômicos e culturais. Acredito que com a chegada de novos empreendimentos na área de educação (Faculdade de Medicina) e atacado (dois novos empreendimentos de grande porte) os empregos irão crescer e toda a economia será beneficiada.
 
2- Como filho de Passos, torço e me esforço para que a cidade tenha condições de prosperidade em todos os setores, em especial, no âmbito da educação. Uma cidade mais civilizada terá menos crimes e mais possibilidades de crescimento socioeconômico.
 
3- A revista Foco se consolidou como o maior veículo de comunicação de Passos e região. Face ao alcance, a responsabilidade social da Foco cresceu proporcionalmente ao seu sucesso, razão pela qual, entendo que a revista é indispensável no tocante a informação municipal e regional. PARABÉNS! E AINDA MAIS SUCESSO. 
 
 
Marco Túlio Costa Escritor
Marco Túlio Costa -  Escritor

 

1- No aspecto social, Passos é um retrato do Brasil. O discurso ainda não chegou ao campo onde os problemas estão estendidos e crescem como mato. A sociedade enfrenta essas questões através do terceiro setor, as ONG’s, mas o grande número delas é também uma prova da ausência ou ineficácia do Estado. Na questão econômica, o marasmo instalado mostra a falta de um grande projeto, um plano diretor. O que queremos ser? O que podemos ser? Como chegar lá? Além disso, os setores existentes me parecem desagregados e desamparados. Na cultura sempre tivemos os batalhadores, os novos talentos buscando espaço. É preciso, da mesma forma, estruturar um projeto, amarrar as coisas para que persistam e ajudem a formar uma ‘cultura da Cultura’. Por exemplo, estamos iniciando a elaboração do Plano Municipal do Livro e Leitura que terá uma abrangência enorme, profunda e duradoura na sociedade como um todo. Espero que a sociedade compreenda a importância dessa iniciativa e participe.
 
2- O caminho para qualquer coisa é, primeiro, levantar o que existe, o que somos hoje. Depois, amarrar as propostas, agregar as forças existentes na sociedade, para que os esforços sejam no mesmo sentido. Pensar, agir, avaliar, realinhar... Não tenho dúvidas de que, na base de todos os problemas, vamos encontrar uma necessidade gritante de dar sentido à vida das crianças e dos jovens.
 
3- Veículos impressos são verdadeiros milagres numa sociedade que lê pouco. É uma persistência admirável. A palavra impressa tem credibilidade acima de qualquer outra, portanto é necessário prezar pela qualidade jornalística do material, pelo embasamento das opiniões. Estamos numa época do achismo midiático, todo mundo acha isso, acha aquilo, de preferência sobre o que nada entendem. Um veículo informativo (de opiniões o inferno está cheio) é sempre transformador. 
 
 
 
Antônio Teodoro Grilo Historiador e Antropólogo
Antônio Teodoro Grilo - Historiador e Antropólogo

 

1- Passos é até certo ponto um enigma enquanto cidade. É uma cidade relativamente antiga e teve um desenvolvimento razoavelmente grande, construída a partir de um suporte agropecuário. A cidade cresceu não só em desenvolvimento urbano como também em infraestrutura. O problema é como este urbanismo se estendeu, já que teve na agricultura este suporte. A partir das usinas açucareiras houve o início da industrialização, e aí houve um outro boom de expansão. Passos era uma cidade de fazendeiros, que se concentravam no eixo Praça da Matriz, Largo do Rosário e Penha, e mais adiante teve um desenvolvimento que chegaria aos nossos bairros periféricos. Na região central houve um desenvolvimento diferenciado que foi a questão do comércio, voltado tanto para produtos agrícolas quanto de importação e exportação. A cidade se ergueu a partir do eixo Mumbuca, Arraial do Senhor Bom Jesus dos Passos e Penha.
 
2- O desenvolvimento está conectado com a economia, para que as famílias possam sobreviver. Depois que as usinas se instalaram aqui, a produção agrícola voltada para o consumo foi acrescida de outro segmento da indústria. Nós perdemos a cultura, estamos sendo urbanizados no sentido capitalista, e quando isso acontece nós perdemos o lastro cultural. A produção cultural hoje é muito fechada, restritiva, e não mais traduz o pensamento, a existência e o sonho dessa população. Temos que preservar essas tradições, a Congada, os Ternos de Congo e Moçambique. Hoje Passos é uma cidade do século XX comandada muito mais pelo que a TV e a internet mostram, do que pelo convívio entre as pessoas. Os bairros se urbanizaram de tal forma que não há mais espaço para essas manifestações culturais e o cultivo das tradições. Não tem mais a vivência dessa cultura.
 
3- A grande herança que nós temos é a Revista Foco, pois tem um compromisso com a cultura, ainda com toda a ligação social. Tem que ser mantida essa revista. 
 
 
 
 
José Leite de Carvalho  Historiador
José Leite de Carvalho - Historiador
 
 
1- O aspecto social em Passos é bastante complicado, a cidade ainda não está fundamentada socialmente, está mal estruturada. A classe dos trabalhadores, que é a maior, ainda é muito ligada à lavoura, a mão de obra é barata, estão fora do grande bolo rico da nação. A classe média é muito tímida em Passos, o que ajuda a população a ter uma renda melhor é quando se analisa a fonte pagadora, o Estado e o Poder Judiciário são os que pagam melhor. Não temos grandes indústrias, elas são tímidas, acanhadas, Passos é pobre nesse sentido. O investidor tem que olhar este lado, grandes empreendimentos às vezes desaparecem aqui, falta resposta de mercado. O nosso quadro econômico não é bem estruturado. No aspecto cultural, a nossa cultura foi bem oxigenada nas décadas passadas, depois esfriou. Houve uma retomada na cultura, de cinco anos para cá, através de algumas pessoas, para fazer que Passos volte a ser o que foi no passado.
 
2- Empresários devem investir na educação, que é a indústria do futuro. Passos está investindo em universidades, em novos cursos, e as perspectivas nesse campo são ótimas. Não se pode deixar de lado o turismo, tem que aproveitar melhor as nossas águas, represas, etc. Isso aí pode alavancar a cidade de Passos para o futuro.
 
3- A Foco começou de forma muito tímida e aos poucos a revista foi deslanchando, o que é bom, muito positivo. Eu tenho um processo de leitura dinâmica, olho as reportagens, as divisões, e observo o que ficou e não ficou. Tem que dar uma atenção especial para o lado social. 
 
 
 
 Cesar Tadeu Elias  Arquiteto e Jornalista
Cesar Tadeu Elias - Arquiteto e Jornalista

1- Aos 160 anos, infelizmente, não vejo Passos melhor nestes aspectos. Está melhor no desenvolvimento econômico, estacionada no cultural e não evoluiu como deveria no social. É muito fácil debitar qualquer responsabilidade na conta da política, mas, quando se quer fazer algo pela cidade se faz, independente de quem esteja no poder. Eu hoje vejo menos pessoas sendo gentil com a cidade e isso vale para, desde as mais altas patentes até para quem joga papel na rua ou suja as praças. A gente vê isso, por exemplo, na câmara de vereadores, onde os ocupantes são um retrato desse não desenvolvimento social, cultural e consequentemente político. É uma câmara de medíocres, como também foram medíocres recentes e anteriores legislaturas. Ninguém lá me representa. A cidade hoje é mais poderosa do que antes por conta da iniciativa privada, da diversidade, da prestação de serviços, do comércio e da agroindústria. Ela é poderosa por si só. Passos é um microcosmo do Brasil e, talvez, até esteja um pouquinho melhor que o restante do país. Ela vai se desenvolver sozinha, independente de poderes públicos. As pessoas envolvidas no processo de gestão da cidade como um todo, se tivessem mais conhecimento de causa, seriam mais eficientes. No aspecto cultural, o único fato relevante que eu vejo atualmente é o trabalho da Adriana Polez Rocha à frente do Conselho Municipal de Patrimônio Cultural, o qual ela preside. O conselho tem feito um trabalho relevante no sentido de preservar um aspecto da nossa cultura que precisa ser preservada. No mais, o folclore, por exemplo, está acabando ou descaracterizado. Algumas iniciativas isoladas têm feito a diferença, como o Coral Pequenos Cantores, ou a Trupe Ventania/Adesc Cultural, que estão, efetivamente, fazendo o Teatro Rotary funcionar. E que não se confunda Cultura com eventos.
 
2- É você sair do conforto dos gabinetes e das salas de diretoria, das instituições de ensino, filantrópicas, recreativas e afins. Sair e ver o que a cidade tem e o que ela quer, ou precisa, lá fora. O caminho é esse: andar mais na rua e fazer menos reuniões, ver a cidade como um todo, o que está faltando, o que está funcionando, o comportamento das pessoas. A saída é menos burocracias, menos gabinetes, menos reuniões e mais presença na cidade.
 
3- O fato da Foco ter alguns outros títulos além da publicação mensal é um atestado do crescimento e da evolução da revista. O que eu gostaria de ver na Foco é que temos uma cidade maior do que a revista dá conta de mostrar, atualmente em suas páginas (e isso acontece também em outros veículos de comunicação da cidade). Eu me lembro que nas seis primeiras edições da revista havia certa dificuldade em conseguir anunciantes. Mas logo depois a dificuldade era outra: tinha mais anunciantes interessados na revista do que páginas disponíveis para anúncios. E a Foco, como Passos, começou a andar sozinha. O grande desafio é não se acomodar. É não pensar que já chegou lá! 
 
Renato Rodrigues Delfraro

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