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Julho de 2018

Novo tempo

Quem cochicha, o rabo espicha; Quem reclama, o rabo inflama; Quem não se reinventa, se atormenta.

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Esta é uma adaptação livre de alguns dizeres que trago da minha mineira infância aos quais acrescento a última frase por pura convicção.
Nos dias correntes, com a rapidez das mudanças, de fato, quem não se reinventa, se atormenta.
Foi o que aconteceu, devido à era da fotografia digital, com a grande Kodak, hegemônica na venda de filmes fotográficos. Hoje, essa ex-gigante internacional se restringe a produzir impressões de imagens com qualidade profissional.
 
Também sucumbiu a Polaroid, cujas câmeras geravam, em poucos minutos, uma imagem impressa da cena fotografada. Afinal, as atuais câmeras eletrônicas e telefones celulares reproduzem no display do equipamento a imediata visualização do que foi fotografado...
Nos anos 1990, para locação de fitas VHS com os filmes de todos os tempos, a Blockbuster tinha mais de 9000 lojas mundo afora, inclusive no Brasil. Havia ainda em cada loja pipoca, Coca-Cola e sorvetes, insumos que completavam os combos.
 
Atualmente, esses conteúdos estão disponíveis em diversos streamings, como a - Netflix, em condições mais cômodas, baratas e com qualidade digital.
Pois é, a Blockbuster acabou, deixando uma dívida de 1 bilhão de dólares!
Para mim, amante do Rock ‘n’ Roll de qualquer tempo, é profundamente triste saber que a fabricante norte-americana das excelentes guitarras Gibson e Les Paul está em dificuldades. Instrumentos de sua lavra deram voz a músicos virtuosos, como B. B. King, George Benson, Mark Knophler, David Gilmour, Keith Richards e Jimmy Page, dentre outros. É que a música eletrônica, quase totalmente produzida em computadores, inunda as rádios FM hoje em dia, tomando espaço do som produzido por instrumentos verdadeiramente tocados.
E por falar em rádios FM, estas, sim, estão se reinventando, dispondo agora de estúdios equipados com sistemas de câmeras que permitem ao ouvinte/espectador assistir ao desempenho dos âncoras e DJ(s) pelo YouTube.
Empresas e instituições devem se reinventar para estarem em sintonia com esta sociedade mutante, que se transforma a reboque da avassaladora tecnologia que não para de inovar.
 
E essa premência também deve ser aplicada a escolas, que precisam ter um olhar atento a todas essas reacomodações, tentando incorporar à sua pedagogia parte dessa incessante metamorfose. Não tem mais sentido propor aulas puramente socráticas – em que o estudante é um copo vazio à espera de ser preenchido pela fluida sapiência da jarra do mestre – quando os costumes e recursos técnicos pertencem a um novo tempo. 
Ocorre um descompasso; total falta de sintonia... A aprendizagem fica sem significado, enfadonha e desestimulante.
 
Há que se inserir a modernidade no ensino, como ocorre na Estônia, Finlândia, Coreia do Sul, China e Japão, países que lideram com folga todos os rankings escolares internacionais, como o Pisa (Programme for International Student Assessment).
No Brasil, escolas de excelência também já existem e estão praticando esse modelo transformador. E esse é o paradigma que eu, autor e profissional de Educação, haverei de perseguir. Em workshops e visitas a escolas top, tenho assistido a verdadeiros shows de como inserir no ensino essas novas tecnologias. E isso não está ocorrendo de forma desconexa – gratuita –, mas por processos integrados que dão sentido à utilização de softwares e App(s).
 
Mas, para que essa reinvenção realmente ocorra, ela tem que vir de dentro das pessoas; de cada profissional.
Esse pensamento é corroborado pelo escritor norte-americano Alvin Toffler, que diz:
“Os analfabetos do século XXI não serão os que não souberem ler ou escrever, mas os que não souberem aprender, desaprender e reaprender.”
 
por Prof. Ricardo Helou Doca

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