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Outubro de 2018

AMBLIOPIA - Universitários fazem triagem

Uma oftalmologista pediátrica e alunos de medicina da UEMG (Universidade do Estado de Minas Gerais) se uniram num projeto de extensão universitária para prevenir um distúrbio que pode causar a perda da visão de crianças. A ambliopia, que ocorre pela falta de desenvolvimento da visão no cérebro, afeta de 2 a 3% das crianças e precisa ser diagnosticada durante a infância. Se a causa desse distúrbio não for tratada a tempo, ele pode se tornar permanente, comprometendo a acuidade visual do portador.

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Elfos do Bem fazendo triagem de crianças que podem ser portadoras de ambliopia.
Elfos do Bem fazendo triagem de crianças que podem ser portadoras de ambliopia.

 

Durante uma atividade voluntária no projeto Fadas do Bem (reportagem na edição 155 da Foco), a oftalmologista Luciana Almeida Morais viu a oportunidade de prevenir a ambliopia entre os alunos dos centros municipais de ensino infantil (Cemeis) e escolas públicas de Passos. Com a parceria da UEMG através de um projeto de extensão universitária do curso da medicina, e de uma ótica de Passos, a médica e professora aproveitou o projeto de duas alunas – Ana Luiza Bastos Grillo e Ana Gabriela Cecato – para fazer a triagem de crianças com baixa acuidade visual e estrabismo.
 
A ambliopia é um distúrbio visual que pode ser causado por diversos fatores, sendo os principais: problemas de focalização da imagem (miopia, hipermetropia ou astigmatismo), estrabismo, catarata congênita, dentre outros. “Durante a infância, a criança aprende a enxergar. Se nesse período o desenvolvimento da visão não ocorre corretamente no cérebro, que é o responsável por interpretar a imagem captada pelo olho, o adulto não terá uma boa acuidade visual”, explica a oftalmologista.
 
ELFOS DO BEM
 
Aluno observa cartão de teste de acuidade visual mostrado pela Dra. Luciana.
Aluno observa cartão de teste de acuidade visual mostrado pela Dra. Luciana.

 

Como a ideia de prevenir os danos permanentes da ambliopia surgiu nas atividades das “Fadas do Bem”, os alunos que participariam desse novo trabalho foram denominados Elfos do Bem, uma forma de facilitar a aproximação das crianças através do mundo lúdico.
Assim, sob a orientação da professora e médica, os Elfos buscam identificar alguma baixa de visão nos alunos. Após essa triagem inicial, as crianças que apresentam alguma deficiência na visão são encaminhadas para exames específicos no consultório oftalmológico.
“Na triagem, nós conseguimos identificar a baixa de visão. No consultório, nós diagnosticamos a causa dessa baixa de visão e promovemos o tratamento”, diz Drª. Luciana, acrescentando que esse trabalho não tem custos para a família da criança, nem mesmo se esta precisar de óculos, já que o projeto conta com a ação social da ótica na parceria.
 
Aluno durante teste; diagnóstico precoce é importante para correção visual.
Aluno durante teste; diagnóstico precoce é importante para correção visual.

 

O diagnóstico e tratamento de deficiências visuais antes da idade adulta, quando a visão chega à maturidade, são importantes para evitar que as doenças se tornem definitivas e limitem as atividades da pessoa. “Algumas doenças devem ser corrigidas na infância para que a visão se desenvolva adequadamente. Enxergar é um aprendizado, como andar e falar”, afirma a médica. 
A Drª Luciana Morais observa que é comum o diagnóstico tardio das doenças visuais que podem ser tratadas porque as crianças portadoras da ambliopia não têm noção do que é enxergar normalmente. Se ela enxergar bem de um olho, não terá ideia de que existe alguma deficiência em sua visão. Por isso, a importância das consultas oftalmológicas preventivas. 
 
 
Crianças fazendo teste de acuidade visual no Cemei do Jardim Primavera II.
Crianças fazendo teste de acuidade visual no Cemei do Jardim Primavera II.

EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA

 
A triagem voluntária feita pelos “Elfos do Bem” nas escolas públicas explica-se com o projeto de extensão universitária das alunas Ana Luiza e Ana Gabriela voltado para a saúde coletiva na área de oftalmologia.  Elas estão no terceiro ano do curso de medicina da UEMG e têm a colaboração de outros colegas na triagem das crianças.
O nome do projeto é “Avaliação da saúde ocular de crianças: uma estratégia para o diagnóstico precoce de ambliopia no município de Passos, MG, Brasil”. As universitárias contam que a ideia foi desenvolvida no ano passado, sob a orientação da professora e enfermeira Vanessa Queiroz, depois que um colega com deficiência visual revelou que provavelmente enxergaria normalmente se tivesse sido tratado na infância.
 
O projeto ganhou aplicação prática a partir da entrada da Drª Luciana Morais. A triagem começou pelo Cemei Sueli Imaculada de Souza, no Jardim Primavera II (região da Penha), onde 45 crianças foram examinadas pelos Elfos. O resultado foi que, desse total, sete alunos apresentaram suspeitas de diminuição da acuidade visual e serão encaminhados para consulta e exames detalhados no consultório da Drª Luciana.
Ana Gabriela e Ana Luiza estão no segundo projeto de extensão universitária – que desenvolve junto à comunidade algumas práticas aprendidas no curso. O primeiro foi na área de cardiologia.
Ana Luiza pretende seguir na área oftalmológica após concluir o curso. Ela conta que tem adquirido amadurecimento e responsabilidade com o projeto, além de poder ficar junto das crianças, com as quais se sente feliz. “O que mais me motivou foi a questão da prevenção, atuar antes da doença acontecer, e a oportunidade para as crianças, porque muitas delas nunca estiveram num consultório de oftalmologista”, observa.

 

“Sempre gostei muito de trabalhar com crianças e, para mim, ter essa sensação na prática, de poder ajudá-las, é muito importante”, diz Ana Gabriela. “Como futura médica, é uma responsabilidade, porque a vida das pessoas vai estar em nossas mãos. E é um aprendizado, porque tivemos que estudar muito para desenvolver o projeto”, acrescentou. 
 
Enio Modesto
 
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