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Outubro de 2018

ARQUITETURA RURAL

De volta à natureza Muitas pessoas estão deixando de viver na cidade para se instalar na zona rural, fazendo o sentido inverso dos antigos que trocaram a roça pela vida urbana.

Vista da fachada da casa principal de Tereza Sawaya; integração com a natureza.
Vista da fachada da casa principal de Tereza Sawaya; integração com a natureza.

 

Cristina Grilo, Arquiteta.
Cristina Grilo, Arquiteta.

 

Muito mais que lazer ou recreação, hoje em dia as pessoas estão preferindo a zona rural para morar, em busca de qualidade de vida em harmonia com a natureza. E esse sentido inverso ao que fizeram muita gente da roça anos atrás, hoje, é feito com planejamento, com orientação profissional, seja para construção, reforma ou restauro de moradias. São nesses aspectos que entra a arquitetura, adaptada para atender ao desejo da pessoa de viver bem, confortável e perfeitamente integrado ao ambiente silvestre.
“Conheço muitas pessoas que largaram tudo e vieram morar aí (na zona rural), buscando qualidade de vida”, diz a arquiteta Cristina Grilo, autora de projetos de arquitetura rural em vários municípios da região de Passos. 
 
O piso revestido com cimento queimado combina com a rusticidade da casa.
O piso revestido com cimento queimado combina com a rusticidade da casa.

 

“Sempre gostei muito da natureza. Sinto uma necessidade imperiosa de estar conectada com ela. Como frequento a serra há muitos anos e tenho um profundo gosto por estar lá, resolvi fazer também uma moradia para mim”, diz a empresária Tereza Sawaya, que destaca a proximidade da Serra da Babilônia (no Parque da Canastra), no município de Delfinópolis, onde está sua nova propriedade, com Passos, onde também possui uma residência e trabalha.
Cristina Grilo foi quem projetou a casa de Tereza ao pé da Serra da Babilônia, bem perto do Ribeirão Grande. Sempre empreendedora, a empresária aproveitou o tamanho do terreno e construiu mais três casinhas para locação, todas mobiliadas e decoradas para que o hóspede possa experimentar a sensação de morar na roça, fazer seus próprios cafés e refeições, mesmo que por apenas alguns dias.
 
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LISTA 
DE DESEJOS
 
Ao encomendar o projeto da casa principal com a arquiteta, de quem já era amiga e cliente, Tereza Sawaya fez uma lista de desejos para que o resultado fosse o que ela esperava. “Eu queria uma casa com boa vista, algo que me lembrasse uma casa de fazenda e, como eu já tinha umas janelas de demolição de uma fazenda, começamos por elas. E tudo ficou maravilhoso, com a minha cara, personalidade!”, exalta a empresária.
 
A casa principal tem aproximadamente 230 metros quadrados e o bloco com as três casinhas, cerca de 120 m² - esse segundo projeto foi em parceria de Cristina Grilo com a também arquiteta Tatiana Borim de Simoni. A casa grande foi distribuída em uma suíte, um quarto de hóspede com banheiro, lavabo, salas de estar e refeições integradas com a cozinha e saídas para as varandas e um mezanino que dá vista privilegiada para a Serra da Babilônia.
“A casa ficou linda e faz jus aonde se encontra ‘plantada’. Construir e decorar, escolher cada coisinha para ‘recheá-la’ e dar vida em cada canto é também uma expertise”, conta a proprietária.
“Ela (Tereza) queria que fosse em estilo rústico. E ali nós fizemos com que em qualquer lugar da casa ela tivesse a vista da serra”, conta a arquiteta.
 
A proprietária Tereza Sawaya.
A proprietária Tereza Sawaya.

 

REAPROVEITAMENTO
 
Os materiais e objetos usados na obra foram obtidos de diversas formas, sempre ao gosto da cliente, como o reaproveitamento de janelas de madeira e o uso de artigos artesanais “garimpados”, segundo Cristina, em lojas de Passos. Outras peças foram adquiridas em viagens da proprietária e junto a amigos dela que trabalham com arte e artesanato, como a artista plástica Cristiane Gasparoto, autora de um mosaico que ornamenta uma das paredes da sala.
O piso da sala e cozinha foi feito com cimento queimado, com uma ornamentação de ladrilho hidráulico fabricado em Cássia instalada em frente à pia. A bancada da cozinha também foi revestida com cimento queimado, salpicado de pedrinhas coletadas à beira do ribeirão. Na área dos quartos, o piso é de madeira. A cobertura é com telhas de barro e forro de madeira.
Na sala, uma lareira de tijolos para ajudar a se proteger do friozinho da serra. Na varanda, um detalhe em bambu faz fundo para o fogão e forno à lenha, que são opções ao fogão à gás para cozinhar e assar comidas típicas da roça. No banheiro e no lavabo, cubas de cerâmica pintadas à mão, criação da artesã local Denise Frederico, foram assentadas sobre pranchas de madeira.
 
A antiga sede da fazenda de Ademar e Marisa após a obra de revitalização.
A antiga sede da fazenda de Ademar e Marisa após a obra de revitalização.

 

CASINHAS
PARA ALUGAR
 
As casinhas para locação são no mesmo estilo de construção, mobiliário e decoração, com um ou outro detalhe diferente para dar personalidade própria a cada uma delas. Móveis rústicos ou de madeiras reaproveitadas, cimento queimado, varanda, toalhas coloridas sobre as mesas, colchas de renda e almofadas com capas de retalhos de tecidos conferem beleza única, bom gosto e aconchego.
O terreno adquirido por Tereza Sawaya para construir suas casas na roça tem um alqueire de área, mas exceto por uma mata ao lado, possuía poucas árvores nativas. E, segundo Cristina Grilo, foi ela mesma quem selecionou as plantas e coordenou a criação do paisagismo, a partir da demarcação feita pela arquiteta para o pomar e jardim.  
 
Ambos os espaços ganharam espécies nativas para ornamentação e produção de frutas, conferindo uma perfeita integração com a natureza. “Tem uma área no gramado com bancos que é própria para fogueira e uma roda de violão com amigos”, observa Cristina. “É uma questão de viver, acordar cedo, cuidar das plantas e passar o dia bem.”
“Eu costumo dizer que gosto e acho indispensável o arquiteto para fazer um projeto que capte a minha necessidade e desejo, mas os materiais, o recheio, aí é comigo. Tenho facilidade para escolher o que gosto. Tenho algum conhecimento, pois não é a primeira obra que realizo. Adoro escolher os materiais, inventar algo diferente e lá me possibilitou tudo isso, e a Cristina percebe muito bem, afinal, além da casa de Passos, temos uma grande amizade com horas de vinho e boas viagens”, elogia a empresária. 
 
Antes da revitalização.
Antes da revitalização.

 

Velha sede ganha VIDA NOVA
 
 
A arquiteta Cristina Grilo conta que além da casa nova da empresária Tereza Sawaya, ao pé da Serra da Babilônia e às margens do Ribeirão Grande, em São João Batista do Glória, outros projetos foram realizados para vários clientes que procuram resgatar a vida no campo. Um desses projetos foi a recuperação de uma antiga sede de fazenda que encontrava-se bem desgastada pelo tempo.
Segundo Cristina Grilo, a casa de 150 metros quadrados pertencia aos avós dos atuais proprietários, Marisa Amaral e Ademar Martins Pereira, e, pelas condições em que estava, até mesmo com rachaduras, não poderia simplesmente ser restaurada. O projeto, então, procurou preservar as características básicas do imóvel, aplicando-se alguns conceitos modernos de arquitetura, sem abrir mão da memória que o casal tem do lugar.
“Não dava para fazer uma restauração, mas utilizamos o que poderia ser reaproveitado para que a casa permanecesse cheia de referências daqueles tempos passados”, disse.
 
Com essa premissa, a arquiteta viu que dava para reaproveitar as janelas e dar nova utilização para uma velha prancha de madeira, que virou bancada de banheiro sustentada pelo pé de máquina de costura – outro reaproveitamento que dá muita personalidade num design interno de residência.
Uma surpresa durante a escavação do piso foi descobrir uma espécie de ladrilho de cerâmica, que tem um desenho de flor em relevo, que Cristina acredita ter sido feito no local, na época da construção da casa. Esse material foi reaproveitado, agora como detalhe ornamental numa parede do imóvel.
A antiga sede reutilizou também azulejos, ladrilhos e outros materiais retirados de outras obras. “A gente foi garimpando coisas”, revela a arquiteta, contando também sobre a criação de uma área de convivência, um espaço gourmet com fogão à lenha, e a revitalização de uma casinha de fundos para hóspedes, onde uma antiga bica d’água confere um ar de frescor e tranquilidade.
A área externa já havia ganhado novo gramado, mas ainda não estava pronta nos dias desta reportagem. Segundo Cristina Grilo, Marisa Amaral, que “é apaixonada por plantas”, estava cuidando pessoalmente da renovação do jardim. 
Contentes com o resultado, Marisa e Ademar revelam que a revitalização da antiga sede é um sonho realizado, conquistado com muita luta. “A ideia foi trazer o tempo de volta. Revitalizar as coisas boas. Demonstrar que com amor você é capaz”, disseram, acrescentando, em elogios à arquiteta: “Nossos objetivos foram atingidos. Todos que conheceram a casa e a veem hoje, se emocionam. Ficou bela!!!”
 
 
Enio Modesto
 
Acesso para o mezanino, que dá vista para a Serra  da Babilônia; na parede, araras na visão artística.
Acesso para o mezanino, que dá vista para a Serra da Babilônia; na parede, araras na visão artística.
Antes da revitalização.
Antes da revitalização.

 

Janelas antigas e ladrilhos dão charme à nova varanda da casa de Ademar e Marisa.
Janelas antigas e ladrilhos dão charme à nova varanda da casa de Ademar e Marisa.

 

No espelho, o reflexo da proprietária registrando o espaço da cuba artesanal.
No espelho, o reflexo da proprietária registrando o espaço da cuba artesanal.
A casa principal ganhou até uma lareira rústica.
A casa principal ganhou até uma lareira rústica.
Um espaço na sacada para um café com vista para a paisagem da serra.
Um espaço na sacada para um café com vista para a paisagem da serra.

 

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Como ficou a decoração dos espaços integrados da casa na Serra da Babilônia.

 

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Detalhes da sala com o acesso para o mezanino da casa de Tereza.

 

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O quarto da casa da Serra da Babilônia com a velha janela pagando tributo a um passado saudoso.

 

 

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