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Fevereiro de 2019

A Idade da Pedra - não acabou por falta de pedras

A Idade da Pedra é um período da Pré-História que remonta cerca de 2,5 milhões de anos, durante o qual os seres humanos criaram utensílios, ferramentas e armas em pedra lascada, a princípio, e depois em pedra polida.

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A pedra como fundamento de quase toda a tecnologia da época sucumbiu, porém, não por escassez do produto, mas devido à sua substituição por fundição e moldagem de metais, como o cobre e o bronze. Isso inaugurou uma nova era denominada Idade dos Metais, mais propriamente, Idade do Bronze, em que objetos de uso trivial e bélico ganharam mais refinamento e qualidade.
E ao que tudo indica também o petróleo seguirá saga semelhante à da pedra...
Não pela finitude dessa importante matriz energética, que impulsionou sobremaneira o Século XX, mas por sua substituição natural por outras ideias motrizes. Motores térmicos a explosão de combustíveis fósseis concebidos há mais de 100 anos estão dando lugar a projetos fotovoltaicos, a hidrogênio, além de tecnologias eletromecânicas.
 
Estas últimas vêm ganhando terreno mundo afora pelas suas características de baixos índices de ruído e poluição, além de manutenção muito mais barata. Veremos, em breve, a maioria dos veículos automotores literalmente ligados à tomada, carregando suas baterias, que têm se mostrado melhores e mais eficientes a cada dia. 
Fato semelhante se deu com os velhos componentes eletrônicos – válvulas termiônicas, capacitores enormes, resistores e bobinas – que subitamente desapareceram da praça dando lugar à miniaturização de circuitos em larga escala. Surgiram em profusão os chips semi condutores, feitos de silício ou germânio,que permitem atualmente a fabricação de câmaras, televisores, computadores de toda sorte, smartphones, etc.
Esses equipamentos nos permitem dizer que estamos na 4ª Revolução Industrial, agora capitaneada pela conectividade, com tudo e todos interagindo com tudo e todos. Em breve, chegaremos à internet das coisas (tecnologia Blockchain), em que a geladeira de uma pessoa avisará quais insumos e produtos precisam ser repostos no eletrodoméstico. Itens de consumo básico informarão digitalmente sua procedência, composição detalhada e prazo de validade...
 
Isso impactará todas as profissões hoje conhecidas. Na Medicina, diagnósticos serão feitos em casa por App(s) de telefones celulares; médicos realizarão algumas cirurgias à distância utilizando robôs. A inteligência artificial estará presente em toda parte, assessorando a lida jurídica e os negócios. Hoje, a elaboração de um contrato cibernético (smart contract) pode ser mais completa e confiável que pela intervenção humana.
Sim, a História nos aponta na direção de etapas que se sucedem – uma após outra –, que revelam novos mundos emergindo com rapidez cada vez maior.
Por isso, todos devem estar prontos a aprender, desaprender e reaprender; descartar velhos paradigmas e incorporar novos conceitos e tecnologias que chegam como ondas.
E diferenças se farão sentir; diferenças de opiniões, opções e condutas; diferenças entre pessoas... Todos deverão estar abertos em franca generosidade de modo a conviver com tudo e todos em ambientes plurais.
 
A escola, corresponsável pela suplementação de valores e conhecimento, também estará diante do constante desafio de se reinventar. Serão frequentes as demandas por adequações e mudanças. Afinal, o mundo e as pessoas estão em permanente metamorfose; coisas que pegavam bem aqui não mais pegarão bem acolá; gaps etários de três ou quatro anos entre irmãos colocarão esses indivíduos em gerações distintas com aspirações diversas e tecnologias independentes ao seu dispor.
Isso pode ser notado observando-se pessoas dos tempos do velho Atari (o leitor se lembra?) e do atual Playstation. De uma geração para a outra, mudaram concepções, possibilidades e os meios inerentes a cada proposta. Atualmente, contudo, a necessidade de realinhamento chega de forma muito mais célere.
Logo, o momento presente não se extinguirá por falta de gente ou de recursos, mas será superado por outros momentos que se sucederão, obrigando a todos, em cada fase, se atualizarem e se redescobrirem.
 
por Prof. Ricardo Helou Doca

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