Saúde

Você está em: Home, Saúde, Os malefícios do CIGARRO para a saúde

Agosto de 2019

Os malefícios do CIGARRO para a saúde

O cigarro ainda é um dos principais vilões para a saúde de qualquer pessoa. A médica cardiologista Dra. Kenia Lemos Flores faz um alerta sobre as diversas doenças ocasionadas pelo tabagismo, e fala sobre as alternativas que devem ser buscadas por aqueles que pretendem abandonar este vício.

.

 

Dra. Kenia Lemos Flores - Cardiologista Médica Nuclear
Dra. Kenia Lemos Flores 
Cardiologista Médica Nuclear

 

De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a partir de 2013, 14,7% da população brasileira foi considerada tabagista. As principais doenças causadas pelo cigarro são as cardiovasculares, como infarto, doenças cerebrovasculares, como o Acidente Vascular Cerebral (AVC), doenças arteriais periféricas que podem levar a amputação de membros. O cigarro ainda é responsável por vários tipos de câncer, sendo o principal o de pulmão e de enfisema pulmonar. 
A cardiologista Dra. Kenia Lemos Flores explica como o tabagismo pode abreviar a vida de uma pessoa. “As doenças cardiovasculares são a principal causa de morbi-mortalidade em todo o mundo, principalmente o infarto. No sistema vascular, o cigarro ocasiona lesão endotelial, acúmulo de gordura dentro dos vasos, aumenta a agregação de plaquetas, formando trombos  e causando a obstrução do fluxo sanguíneo no vaso, o que leva ao infarto, que é a morte de parte do músculo cardíaco”, afirma a cardiologista.
 
Segundo Dra. Kenia, o tabagismo, deve ser evitado, em qualquer época da vida, desde a infância e adolescência, até os idosos. “As formas de tratamento para as doenças causadas pelo cigarro são variadas. Cada uma delas deve ser tratada por especialistas diferentes, no caso de doença cardiovascular tem que ser tratada por um cardiologista, para quem tem câncer, tem que ser um oncologista e no caso de enfisema tem que ser um pneumologista juntamente com um cardiologista”, pondera.  
 
.

 

Outro ponto que chama a atenção em pessoas que fumam é a questão do envelhecimento precoce. “A parte dermatológica é também atingida, evidenciando-se envelhecimento da pele, ocasionado pela liberação de fatores de estresse oxidativo nas células, associado a alterações vasculares e respiratórias, que culminam em envelhecimento precoce, devido ao mau funcionamento do organismo”, salienta Dra. Kenia.
 
De acordo com a cardiologista, dados do IBGE mostram que no Brasil o número de homens tabagistas é maior que o de mulher, porém, a quantidade de homens que abandonam o cigarro também é maior, o que pode ser ocasionado pelo grande número de campanhas educativas sobre os danos do tabagismo. 
 
“Essas campanhas têm surtido efeito e as estatísticas mostram uma redução considerável no índice de fumantes, além de um maior interesse da população sobre o assunto. Apesar do número de brasileiros fumantes ter caído de 29% para 12% entre os homens, e 19% para 8%, entre as mulheres, em número absoluto ocupamos o 8° lugar no ranking mundial de tabagistas com 7,1 milhões de mulheres e 11,1 milhões de homens”, esclarece Dra. Kenia.
 
.

 

Sobre remédios que ajudam as pessoas a pararem de fumar, a cardiologista explica quais são os efeitos: “Existe a primeira linha de tratamento oficial, que são o adesivo de nicotina e a goma de mascar. A associação deles é bastante efetiva. Às vezes é necessário usar a bupropiona, que é um antidepressivo, que tem ações no sistema nervoso central dopaminérgico e noradrenérgico, também pode ser usada nessa fase de abstinência, pois quando a pessoa para de fumar, podem chegar a ocorrer sintomas depressivos, levando-a, muitas vezes, à recaídas e ao retorno do vício.” 
Para aqueles que pretendem largar o tabagismo, a Dra. Kenia diz que é necessário procurar a ajuda de um médico, e que até na Rede Pública de Saúde, existe o grupo do Tabaco, formado por pacientes e equipe de saúde (médicos, enfermeiros, psicólogos, nutricionistas e até dentistas). “Acontecem reuniões semanais, dos pacientes com a equipe de saúde, além da convivência com pessoas que também desejam abandonar o vício e enfrentam as mesmas dificuldades. Essa convivência pode ser benéfica”, enfatiza.
 
A cardiologista diz ainda que os profissionais da área da saúde devem iniciar um trabalho já com as crianças, pois são muitos problemas relacionados à infância e à juventude que acabam levando os jovens ao tabagismo. “Crianças que sofrem algum tipo de abuso, seja mental ou sexual, adolescentes que querem evitar o bullying, separação ou conflitos entre os pais e a família, tudo isso pode ser o gatilho que os levam a experimentar o cigarro. Aqueles que começam a fumar na adolescência são os que têm mais chances de fumar pelo resto da vida, mais do que aqueles que começam a fumar na fase adulta. O tabagismo passivo também é muito nocivo e é um prejuízo muito grande para a pessoa que não fuma, por isso, deve ser evitado a todo custo”, alerta a doutora.
 
.

 

 Renato Rodrigues Delfraro

© Copyright 2013 Foco Magazine

by Mediaplus