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Novembro de 2010

Uma fronteira em guerra entre dois países em paz

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Os 3 mil quilômetros de fronteira entre México e Estados Unidos são 3 mil quilômetros de problemas. A passagem de drogas, armas e imigrantes ilegais faz desta fronteira uma das mais tensas do mundo. Uma barreira eletrifi cada de centenas de quilômetros separa os dois países. Do lado americano, aviões-robôs, iguais aos das guerras do Iraque e Afeganistão, vigiam os mexicanos, que injetam nos EUA, trabalhadores ilegais e drogas.

Em 1992 entrou em vigor o NAFTA - Tratado de Livre-Comércio da América do Norte - que prometia integrar a economia dos dois vizinhos e do Canadá. Era a promessa de acontecer o que aconteceu na Europa: superação dos confl itos, comunhão de interesses, abertura de fronteiras. Não deu certo. Uma grande falha foi não tratar do problema fundamental de fluxo de mão-de-obra, que resultaria das transformações que o setor rural mexicano iria enfrentar, quando se deparou com uma drástica necessidade de modernização, gerando um imenso movimento migratório, inicialmente interno, de pessoas que não conseguiam mais ganhar a vida com o trabalho na terra e, em seguida, a emigração internacional para os EUA.

Hoje, o governo do México recomenda à seus cidadãos que não viajem ao Arizona, onde podem ser caçados pela polícia. E o Departamento de Estado em Washington alerta aos americanos em visita ao México: podem ser caçados pelos narcotrafi cantes. O poder dos cartéis da droga ameaça o Estado mexicano. O presidente Felipe Calderón declarou guerra ao narcotráfico. Apresenta algumas vitórias, mas os cartéis faturam quase 50 bilhões de dólares por ano, abastecendo os vizinhos do norte com cocaína, maconha, heroína e metanfetamina. As bocas-de-fumo mexicanas controlam o tráfico em 2.500 cidades americanas. O primo rico se tornou dependente das drogas e da mão-de-obra barata fornecidas pelo primo pobre.

Os mexicanos alegam que a migração ilegal existe porque há demanda nos EUA por mão-de-obra barata e insistem que o consumo de drogas pelos americanos é o que alimenta a produção e o narcotráfico no México, estimulando a violência dos cartéis. O NAFTA se concentrou apenas em comércio e investimento, nunca incluiu cláusulas sobre políticas sociais ou coordenação destas. A luta do governo mexicano contra o narcotráfi co conta com a ajuda financeira dos EUA. Ao longo de 3 anos, doaram o equivalente ao que eles gastam em apenas uma semana na guerra do Afeganistão. A maior parte do dinheiro nem sai dos EUA. Vai direto para as empresas americanas que vendem ao México helicópteros e sistemas de segurança. Como os próprios mexicanos costumam dizer: “pobre México, tão longe de Deus, tão perto dos Estados Unidos”

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Murilo de Pádua Andrade Filho
Professor de Geografia em Passos, Franca e Ribeirão Preto

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