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Outubro de 2011

O 11 de setembro viabilizou a guerra no Iraque

ASSUNTO DE VESTIBULAR

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Logo depois dos ataques de 11 de setembro, todos no governo Bush se concentraram em um único objetivo: encontrar e punir os culpados e garantir a segurança da América. Ficou claro que era preciso mudar a estratégia de defesa e a política externa do país, que ainda usava o modelo da Guerra Fria. Era o início da “guerra contra o terror”.

As decisões de qualquer Chefe de Estado são moldadas pelas pessoas que o cercam. Há quem alegue – e as evidências são obscuras – que o governo Bush já cogitava a invasão do Iraque no dia seguinte aos atentados. Muitas pessoas influentes que faziam parte do governo argumentavam que, para a segurança do Oriente Médio (ou de Israel), Saddam deveria ser derrubado. Não começaram a dizer isso em 2001 ou 2002, mas ainda em 1995/96. Estas ideias não receberam atenção do governo antes dos atentados: o 11 de setembro viabilizou a guerra do Iraque. Desenvolvemos a capacidade de imaginar o horrível depois desta data. Sem os acontecimentos daquele dia, seria impossível conseguir os votos democratas no Senado que aprovaram o uso da força.

Antes dos ataques, o governo americano não estava focado em política externa. Uma das ironias é que Bush chegou ao poder em 2001 com a ideia de diminuir o impacto da política americana ao redor do mundo. Ele considerava que o governo Clinton tinha se envolvido demais em crises humanitárias e assistência externa, e Bush queria que os EUA voltassem a ter um papel mais tradicional e limitado no mundo. Após os atentados, reconheceu- se que havia ameaças demais para que o país pudesse ter um papel menor no mundo e o governo Bush mudou completamente de direção. A invasão do Iraque foi baseada em três pontos:

• Estabelecer uma ligação entre a Al-Qaeda e Saddam Hussein. Houve comunicações entre a Al-Qaeda e pessoas do regime de Saddam Hussein? Sim! Mas eram operacionais? Houve alguma atividade que aumentasse os riscos desta relação? Não, os serviços secretos não viam esta relação como uma ameaça.

• A posse de armas de destruição em massa. Muitas pessoas mundo afora diziam que talvez Saddam Hussein tivesse armas deste tipo, mas há uma diferença entre pensar que ele tivesse algo e pensar que havia fundamentos para ir à guerra.

• A formalização da existência do chamado “eixo do mal”. Os Estados bandidos, com terrorismo e a ameaça das armas de destruição em massa.

As três coisas juntas e, no final, a liberdade do povo iraquiano. Isso foi jogado como uma salada em uma churrascaria rodízio: foi um acompanhamento que, meses depois de todos os argumentos terem caído por terra, tornou-se a principal justificativa para a guerra, como se tivessem esquecido todo o resto.

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Murilo de Pádua
Andrade Filho
Professor de Geografia em Passos, Franca e Ribeirão Preto

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