Atualidades

Você está em: Home, Atualidades, Vazamento de petróleo no RJ revela defi ciência nas normas de se...

Janeiro de 2012

Vazamento de petróleo no RJ revela defi ciência nas normas de segurança

ASSUNTO DE VESTIBULAR

.

Um vazamento de petróleo na Bacia de Campos (RJ) evidenciou o quanto o governo brasileiro está despreparado para lidar com acontecimentos dessa natureza. O acidente aconteceu no dia 8 de novembro, no Campo do Frade, localizado a 120 km do litoral fluminense. O vazamento aconteceu durante a perfuração de um poço de petróleo no fundo do mar. 

A multinacional Chevron do Brasil, que explora o campo, assumiu a responsabilidade pelo derramamento de óleo. Ainda não se sabe ao certo a extensão do desastre e nem o impacto à biodiversidade marinha e à pesca na região. A resposta mais dura ao vazamento no Brasil, pelo menos até o final de novembro, foram multas de R$ 50 milhões e de R$ 100 milhões, aplicadas, respectivamente, pelo IBAMA e pela ANP (Agência Nacional do Petróleo). Especialistas, no entanto, acham baixos os valores das multas: para as empresas, dizem, é mais barato correr o risco de poluir o ambiente do que investir em equipamentos caros de prevenção. Para se ter uma ideia, o valor da multa do IBAMA representa menos de 1% do plano de investimento de US$ 5 bilhões da Chevron no país, no prazo de dez anos.

Ventos e correntes marítimas favoráveis evitaram um desastre maior nas praias do Sudeste. A Bacia de Campos possui as maiores reservas de petróleo do país e responde por 80% de toda a produção nacional. Há quatro anos foi anunciada a descoberta de uma imensa reserva na camada pré-sal, o que tornaria o Brasil um dos principais produtores e exportadores mundiais.

Muita gente acha que o Brasil deve ser mais cauteloso com a exploração do pré-sal, pois os vazamentos podem ser bem maiores. Vamos deixar bem claro: a exploração do pré-sal tem seus riscos. Como o pré-sal fi ca distante da costa, medidas de segurança envolvem custos mais altos e complexa logística na sua adoção. É preciso alta capacitação profi ssional para sua operação. A pressão, quando há muito óleo e gás, é contida pela camada de sal. Para extrair o óleo é necessário conectar um tubo à jazida e, quando isso acontece, toda esta pressão tende a buscar a superfície. Seria como furar uma lata de refrigerante que foi bastante agitada. Logo, é preciso ser muito cuidadoso. Não se pode tentar economizar com os equipamentos utilizados e fazer a perfuração rapidamente para começar logo a extração.

Do ponto de vista prático, o acidente demonstrou que precisamos de uma nova legislação, com normas e procedimentos de segurança, bem como uma adaptação à atuação do IBAMA e/ou da ANP, para que o princípio da precaução possa ser implantado através da capacidade de revisar todos os projetos antes de serem implementados pelas empresas. Isso exige recursos, tempo e planejamento.

 

.

 

Murilo de Pádua Andrade Filho
Professor de Geografia em Passos, Franca e Ribeirão Preto

© Copyright 2013 Foco Magazine

by Mediaplus