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Fevereiro de 2012

Marco Túlio Costa em estado de graça

Fato incomum na carreira do escritor: em um ano, quatro contratos com editoras para lançamento de livros; neste ano, sua primeira obra publicada, O Mágico Desinventor, completa 30 anos.

 

O premiado escritor radicado em Passos, Marco Túlio Costa.
O premiado escritor radicado em Passos, Marco Túlio Costa.

Em junho, a publicação da primeira edição do livro O Mágico Desinventor (editora Record), de Marco Túlio Costa, completa 30 anos. O escritor nem dava conta dessa data redondíssima e longeva, talvez porque ainda estivesse tentando entender por que, depois de 14 títulos publicados e participação em três antologias literárias de renome nacional, num só ano conseguiu quatro contratos com três editoras diferentes. Um deles está no mercado desde outubro - Mágica para Cegos (Saraiva/2011) é composto de oito contos, cujas histórias se repetem sob pontos de vista diferentes. O segundo – A Árvore do Medo (Formato/2012) chegou às livrarias no final deste mês de janeiro.

Os outros dois - Sequestro no Cibermundo (FTD) e A Farsa das Más Intenções (OZé) – já passaram pelo processo editorial e agora estão prontos para serem impressos. Assinar contratos para lançar quatro títulos em um único ano é um acontecimento ímpar na carreira de Marco Túlio. O mais próximo que ele chegou disso foi em 1985, com a editora Record, que resultou na publicação de O Pastor de Nuvens (1985) e o premiado O Canto da Árvore Maldita (1986).

“É meio fora do comum”, comenta o escritor, ao se referir aos contratos firmados em 2011. “Foi um ano muito especial no meu astral, deve ter tido uma conjunção de planetas que deu certo”, brinca. O lançamento nacional fica por conta das editoras, que costumam fazê-lo por meio de uma estratégia de distribuição e vendas. No entanto, em Passos, Marco Túlio não pretende fazer um evento especial para promover suas novas obras. “Mas devem ser apresentados na Feira Literária de Passos, a FLIPASSOS, que acontece em maio (em comemoração ao aniversário da cidade)”, disse.

Nascido e criado até os 11 anos de idade em Formiga, no Centro-Oeste de Minas Gerais, Marco Túlio Costa tem 56 anos de idade e é pai de quatro filhas de dois casamentos – Glícia Naira, Laura Elise (Ir. Laura Tereza do Menino Jesus, que é irmã carmelita), Ana Lis e Lívia Laila. Ele veio para Passos quando seu pai, Alvimar Costa, foi transferido para a agência local do Banco do Brasil, trazendo consigo a esposa, Maria Elizabeth, e, claro, as quatro irmãs do escritor.

A veia literária do criador de O Mágico Desinventor começou a ser desenvolvida na terra natal, onde ele rascunhou seu primeiro texto – Pedrinho em Xadrezópolis –, em que contava a aventura de um menino num tabuleiro de xadrez. Desde então, já são 15 títulos publicados por renomadas editoras brasileiras, diversas participações, menções honrosas e especiais e prêmios em concursos, festivais e feiras literárias dentro e fora do Brasil. Um dos prêmios (o Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro), um dos mais importantes do país, foi concedido em 2004, na categoria infanto-juvenil por Fábulas do Amor Distante, publicado no ano anterior pela Record – sem contar que dois anos antes ele foi classificado como finalista por O Gato que Falava Siamês.

Público-alvo

Mas, apesar de seus livros serem classificados na categoria infanto-juvenil, Marco Túlio não escreve pensando exatamente nesse público. Tanto é que vários de seus títulos nada têm a ver com o universo da infância ou da adolescência, embora seu conteúdo seja afeito a esse público, o que obviamente não passa despercebido pelas editoras. “A editora, por questão de marketing, percebe no tema a possibilidade da interdisciplinaridade”, explica, citando alguns exemplos, como o Fábulas do Amor Distante (Record/2003).

 “O recém-lançado Mágica para Cegos não é infanto-juvenil”, observa, falando do novo livro de contos em que os mesmos mistérios se desenvolvem em contextos diferentes, no que ele chama de “contraconto”.

As suas participações em antologias de conto também mostram que a obra do escritor é mais ampla em relação ao público. Um exemplo é o livro de contos eróticos masculinos Um Prazer Imenso (Record/1986), organizado por seu amigo, também escritor, Jeferson Ribeiro de Andrade, que é autor de Ana de Assis - que conta a história da mulher de Euclides da Cunha (Os Sertões) e virou minissérie da TV Globo nos anos 90.

Marco Túlio explica que sua inspiração para criar histórias que agradam a todos os leitores vem de fatos inusitados, de “causos” que ele ouve alguém contar, algum acontecimento fortuito, um artigo ou outro livro que ele acabara de ler e até mesmo da simples observação de pessoas comuns. “A literatura tem que ser idealizada, sem ser panfletária, mas tem que ser pretensiosa para durar. Eu acredito em propor algo para que o leitor seja capaz de refletir sobre as questões essenciais da humanidade. Reflexão sobre comportamento, em relação a nossos sentimentos, sobre o compromisso com os outros”, disse.

Mesmo sem a intenção de ser dirigida a crianças e adolescentes, grande parte da literatura de Marco Túlio Costa caiu nas graças de educadores, dentro e fora do Brasil, com vários títulos incluídos em listagens do Ministério da Educação e de outras instituições voltadas para o público juvenil.

Em Passos, o autor é sempre requisitado para ministrar oficinas literárias para essa categoria de leitor, como ocorreu na Samp (Sociedade de Assistência ao Menor de Passos) durante dois anos, e palestras em escolas– uma delas ocorreu em maio de 2010, na Escola Municipal Professora Francina de Andrade, o antigo Grupo Escolar Wenceslau Brás, onde ele cursou a última série do ensino primário, logo que chegou a Passos, em 1966.

“O Mágico” chega aos 30 anos

O Mágico Desinventor vai fazer aniversário de 30 anos como um sucesso editorial, isto é, um best seller, que permeou três décadas, tendo chegado a 23 edições em 2007, no Brasil, e ainda tem fôlego para muito mais.

Em 1996, a obra primogênita de Marco Túlio ganhou tradução em língua espanhola, com publicação no México sob o nome El Mago Desinventor, atingindo no ano passado a 7ª edição naquele país, pela editora Fondo de Cultura Económica. Uma dessas edições, do ano de 2003, vendeu mais 26 mil exemplares. Na quarta capa da publicação mexicana, uma referência a Passos, por conta da atuação de Marco Túlio na revista literária Protótipo que ele e amigos editavam nos anos 70.

Aliás, descontando a vocação que o autor já possuía para as letras, tudo começou nessa revista impressa num aparelho que os mais jovens talvez nunca ouviram falar, o mimeógrafo. Através dessa publicação, Marco Túlio e companheiros como Antônio Barreto e Alexandre Marinho, dentre outros, tiveram acesso a veículos de maior alcance e formaram um círculo de contatos e amizades com outros escritores.

Um deles foi Jéferson de Andrade, que ajudou a encaminhar os originais de O Mágico Desinventor para a Record, onde ele trabalhava na época. Antes, o livro concorreu a um prêmio de literatura (“Fernando Chinaglia”), no Rio de Janeiro. Não ganhou mas conseguiu um elogio entusiasmado de uma jurada – a escritora e tradutora Stella Leonardos -  que fez diversas sugestões ao jovem autor, adequando o texto a um público infanto-juvenil. Marco Túlio retrabalhou a obra e o texto final foi publicado pela Record – hoje o maior grupo editorial da América Latina.

Daí para frente, foram mais 16 títulos lançados e outros dois prontos para vir a público. “Eu jamais imaginei vender um exemplar sequer”, confessa, reconhecendo, no entanto, que a indicação de suas obras para o público infantil e adolescente ajudou no reconhecimento de seu trabalho.

 

Os livros publicados de Marco Túlio Costa

O MÁGICO DESINVENTOR, 1982, Rio de Janeiro - 21ª Edição em 2001 - Edição em Espanhol, pela Fondo de Cultura Economico, México, 1996.

O LADRÃO DE PALAVRAS, 1983, Editora Record, Rio de Janeiro, selo de "Altamente Recomendável", da FNLIJ.

AVENTURA DOS FILHOS NA BARRIGA DA NOITE, 1984, Editora Record, Rio de Janeiro.

O CANTO DA AVE MALDITA, 1986 - incluído no projeto "Viagem da Leitura"- Fundação Roberto Marinho/Ripasa/INL

O PASTOR DE NUVENS, 1985

A FADA ENFADADA, 1987, Editora FTD, SP

TATÁ E DÓ-RÉ-MI-FÁ NO REINO DO CALAJÁ, 1989, Editora FTD, SP.

A OVELHA BLUE JEANS, 1990, Rio de Janeiro, incluído na listagem da FAE, 1997.

AS LEVES ASAS DO RINOCERONTE,1992

A AURORA CHEGOU NA HORA, 1993, Editora Record, Rio de Janeiro, incluído na listagem da FAE (Fundação de Assistência ao Estudante/MEC), 1997.

HISTÓRIAS À FLOR DA PELE, 1997, Editora FTD, SP.

O GATO QUE FALAVA SIAMÊS, 2001, Editora Record - livro finalista ao "Prêmio Jabuti 2002".

O REI QUE RIA, 1999, Editora Formato, Belo Horizonte. Livro incluído no PNLD2001/FNDE/MEC/ Programa Escola de Cara Nova da Secretaria de Estado da Educação de São Paulo.

FÁBULAS DO AMOR DISTANTE, 2003, Editora Record – livro finalista ao “Prêmio Jabuti 2004”, incluído no Acervo Básico da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil/2003.

MÁGICA PARA CEGOS, 2011, Editora Saraiva.

Participação em Antologias

UM PRAZER IMENSO, Contos Eróticos Masculinos, 1986, org. Jeferson de Andrade, Editora Record, Rio de Janeiro.

HISTÓRIAS MINEIRAS, Afonso Arinos (et al.), 1984, Editora Atica, São Paulo

MENINOS EU CONTO, Rachel de Queiroz (et al.), 2002, Editora Record, Rio de Janeiro.

Principais prêmios literários

Prêmio Jabuti de Literatura, da Câmara Brasileira do Livro, categoria Infantil ou Juvenil, em 2004.

Prêmio Brasília de Literatura (1991);

"Prêmio Cruz e Souza" (Santa Catarina, 1996), "João de Barro", 1999; e "Prêmio Alfredo Machado Quintela (1985), da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil" (Rio de Janeiro).

II Festival de Arte de Itabira - MG - 1972 - 1º lugar contos

Fernando Chinaglia - UBE - Rio de Janeiro - Menção Honrosa, livro de contos "Por quem as esquinas dobram"- inédito - 1973; Menção Especial para livro de Contos "Aventura dos Filhos na Barriga da Noite", 1981; Menção Especial para o livro inédito "O Enxugador de Gelo, 1982.

I Concurso de Poesias - 1975 - Universidade de Brasília - 1º lugar

II Concurso Nacional de Contos e de Poesidas Augusto Motta - SUAM - Rio de janeiro - 2º lugar - 1976

Universidade Federal do Espírito Santo - Concurso de Contos - 2º lugar - 1978

XII Concurso Literário de Paranavaí - PR, 3º lugar contos, 1980.

Referências bibliográficas a seu nome

Dicionário Crítico da Literatura Infantil e Juvenil, de Nelly Novaes Coelho, Editora Quiron/USP;

"Literatura infanto-juvenil, um gênero polêmico", editora Mercado Aberto, Rio Grande do Sul, uma coletânia de Sonia Salomão Khéde, em artigo do crítico literário Antônio Hohlfeldt.

Enio Modesto

Marco Túlio em palestra com alunos da Escola Municipal Francina de Andrade.

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