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Junho de 2012

Grupo de adolescentes faz 25 anos

Em 17 de julho de 1987 era fundado um grupo de orientação religiosa e social dirigido a adolescentes; 25 anos depois, em meio a tantos atrativos mundanos, esse grupo, da Paróquia de São Benedito em Passos, permanece firme.

Jaqueline, Renato Maia de Oliveira - Coordenador, Gabriella e Dênis.
Jaqueline, Renato Maia de Oliveira - Coordenador, Gabriella e Dênis.

Enquanto, dia a dia, o noticiário traz informações preocupantes sobre o envolvimento de menores de idade com o crime e situações degradantes, as redes sociais na Internet, o SMS dos celulares, dentre outras mídias, “bombam” com o acesso (que beira ao vício), principalmente de adolescentes envolvidos, ainda existem aqueles que cuidam das coisas do espírito e se voltam para um engrandecimento como seres humanos, embora não ignorem o fenômeno da comunicação e o complexo cenário das áreas policial e social da modernidade. São meninos e meninas de tenra idade, recém saídos da catequese, que se unem num grupo de convivência em que a religião e a vida são assuntos para reflexão.

No próximo dia 17 de julho esse grupo, o Gasa (Grupo de Adolescentes Sementes do Amanhã), completa 25 anos de existência, e sem perder o foco de seu objetivo: preparar o adolescente para o mundo através do conhecimento religioso e das relações humanas.

“O Gasa foi criado para acolher os adolescentes que acabavam de fazer a primeira comunhão”, explica o coordenador e um dos fundadores do grupo, Renato Maia de Oliveira. “Nosso trabalho sempre teve o apoio de todos os padres que passaram pela paróquia”, observa. O Gasa é formado por cerca de 40 meninos e meninas, moradores dos bairros que pertencem à matriz de São Benedito, onde estão as capelas de São José (Vila Rica e Colégio de Passos), Nossa Senhora do Perpétuo Socorro (Bela Vista), Nossa Senhora do Rosário (Casarão).

Nos anos 80, Renato integrava o Jusb (Jovens Unidos São Benedito) – um grupo de jovens da paróquia –, quando ele e três amigos observaram que muitos adolescentes estavam ingressando no grupo que era formado por jovens de 18,19 e 20 anos de idade e perceberam que o assunto não era adequado àquela faixa etária tão inexperiente. “Na época estava muito em voga a Teologia da Libertação, as Diretas Já. Os jovens estavam por dentro, mas os adolescentes, não. Então vimos que o Jusb não era um espaço para eles”, explica o coordenador.

Parte da turma do Gasa.
Parte da turma do Gasa.

Com os colegas Cleide, Márcio Bellini e Eder Monteiro, Renato fundou o Gasa. Em pouco tempo, entre 80 e 90 meninos e meninas já estavam participando dos encontros. O grupo era tão grande que teve de ser dividido em várias turmas. “Foi uma febre na época, o Gasa se tornou um espaço de convívio, religião e de informação”, diz. 

Nas reuniões, realizadas toda quinta-feira no salão paroquial da igreja de São Benedito, o coordenador procura abordar os assuntos de maneira prática, até mesmo o estudo bíblico, para que não se tornem “chatos” e acabem desinteressando os frequentadores. Situações do dia-a-dia, confl itos e dilemas da geração e diversos temas da atualidade são colocados para serem refl etidos pelos adolescentes através de dinâmicas de grupo. “Tudo direcionado para o convívio com a família, os amigos...”, explica Renato Maia.

Além dos encontros semanais, os adolescentes participam de visitas especiais ao Lar dos Idosos, Carmelo São José, fazem encontros de fim de semana pelo menos duas vezes por ano e também realizam diversas atividades no tempo livre. Festas temáticas e até turismo (como uma viagem ao Monte das Oliveiras, em Alpinópolis), também são outros atrativos para o grupo. “Essas festas e o turismo têm por objetivo unir a turma, senão ficaria estressante e enjoativo. Nossos encontros semanais não podem se parecer com uma sala de aula”, justifica.

Para o coordenador, o grupo se consolidou como um espaço educativo e informativo, com viés religioso, para os adolescentes porque os vê simplesmente como seres humanos que estão se descobrindo e tentando se colocar no mundo. “O grupo está durando pelo respeito ao adolescente, à individualidade de cada um, ao jeito dele pensar. Nós não tentamos forçar a mudança da característica do adolescente. Nos encontros não existe sermão, mas diálogo”, afi rma Renato Maia.

A comemoração dos 25 anos do Gasa será feita de acordo com as atividades que o grupo vem desenvolvendo ao longo de sua história: auxílio na missa, um encontro especial e uma festa comemorativa, cujos detalhes ainda serão definidos por toda a equipe.

Gasa ajuda adolescentes a se orientarem

A enfermeira Jaqueline Silva Santos, que atualmente faz um curso de especialização em Ribeirão Preto (SP), foi membro do Gasa (Grupo de Adolescentes Sementes do Amanhã), da paróquia de São Benedito, durante sua adolescência. No fi nal, ela atuou como coordenadora da turma, da qual só saiu para fazer faculdade. Hoje, aos 23 anos, a jovem sente nostalgia daqueles tempos.

Junto ao desenvolvimento espiritual e ao crescimento como ser humano, Jaqueline recorda as várias amizades que fez dentro do grupo. “Dá uma nostalgia por tudo que aconteceu quando eu era adolescente. Tenho amigos até hoje, outros eu perdi o contato. Valeu bastante. Até hoje continuo engajada na paróquia. Já fui membro e coordenadora do Gasa, agora sou catequista de crisma”, disse.

Dênis Wilson Silva e Gabriella Bruna de Brito Oliveira, ambos de 15 anos de idade, frequentam o Gasa há quatro anos e, como Jaqueline, avaliam o grupo como um espaço necessário para se interagir com gente da mesma geração. Segundo os dois adolescentes, os encontros no Gasa representaram uma oportunidade para eles continuarem convivendo. “Depois da primeira comunhão, o Gasa teve um papel fundamental nesse sentido porque eu sentia meio que perdido dentro da igreja”, disse.

“Nós fizemos a comunhão numa sexta-feira, em setembro, e na quinta-feira seguinte já estávamos no Gasa”, recorda Gabriella. Para ela, os colegas de grupo são companheiros, porque sempre estão participando quando é possível. Dênis também destaca o companheirismo como uma virtude dos membros do Gasa. “Porque sempre quando precisei, para qualquer coisa, estavam sempre perto, nunca disseram não”, afi rma.

O coordenador Renato Maia de Oliveira, um dos fundadores do grupo, conta que sempre trabalhou com adolescentes e que, depois de 25 anos, não perdeu o entusiasmo com essa juventude. “Eu posso dizer que o Gasa é a minha vida. Estou sempre interessado em questões e informações para os adolescentes. Eles são apaixonados pela vida. É isso que me atrai. Você os vê sempre em bandos, só os vê sorrindo, brincando uns com os outros. Tem seus problemas e conflitos internos, é claro, mas o amor pela vida é maior”, disse.

Enio Modesto

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