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Agosto de 2012

A música na veia dos Irmãos Jerônimo

Eles têm outras profissões, mas a música é a grande paixão; desde meninos, eles animam bailes e festas.

 

A partir da esquerda: Zé Roberto, Martelo, Miguel, Daniel e João Pedro.
A partir da esquerda: Zé Roberto, Martelo, Miguel, Daniel e João Pedro.

 

Quem, em Passos, nunca ouviu falar dos Irmãos Jerônimo, grupo musical formado por filhos e amigos do falecido congadeiro Jerônimo dos Santos, do Terno da Coroa do Menino Jesus? Mas a história deles pouca gente conhece. Uma história de paixão pela música, tanto que as profissões com as quais sustentam suas famílias eles consideram, meio que brincando, como um “bico”. É que os irmãos Zé Roberto (violão) e Daniel dos Santos (acordeon) – o primeiro, caminhoneiro aposentado, o outro, pedreiro – estão nessa lida desde os cinco, seis anos de idade. O baixista Miguel Vitor Silva e o baterista Amilton de Abreu (ou melhor, o popular Martelo) ainda eram adolescentes quando começaram a tocar nos primeiros bailes. Em meio a tantas dificuldades que enfrentaram, e ainda superam até hoje, vêm construindo a história da banda há 28 anos.

Nesse tempo eles gravaram dois CDs, mesclando músicas próprias com clássicos do cancioneiro popular brasileiro, e agora se preparam para voltar ao estúdio para produzir o terceiro disco da banda. Martelo (poucos nunca o viram cantando em bares, restaurantes e festas de Passos, sempre acompanhado de seu violão) é o único que já gravou um CD solo, patrocinado pela modelo Rúbria Negrão, que queria levar seus boleros e serestas para Los Angeles (EUA), onde reside.

De uma forma direta ou indireta, os Irmãos Jerônimo herdaram a musicalidade de seus pais ou parentes, como Zé Roberto e Daniel que ainda na infância percorriam as ruas da cidade com o terno de congo do pai. Miguel aprendeu violão, cavaquinho e guitarra olhando o pai (que era evangélico) tocar, Martelo observou muitos músicos amadores, entre eles seu tio Valdivino. “Eu aprendi olhando os outros. Durante muito tempo eu tocava, mas não sabia nem o nome das posições (acordes)”, disse.

Com um repertório rico em se tratando de música brasileira, Daniel e Zé Roberto só lamentam que muitos os classificam como banda de forró, o que é uma injustiça. “Esse preconceito só atrapalha a gente em ser contratado para mais shows. É só no mês de junho que a gente trabalha bastante, por causa das festas juninas”, disse Daniel.

Assistindo ao ensaio da banda, a reportagem da Foco constatou que taxar os Irmãos Jerônimo de grupo de forró é realmente um equívoco. Eles tocam praticamente todo tipo de gênero musical, até mesmo o rock”n roll e muita coisa da MPB. Estão na lista os sucessos do momento do axé, pagode, sertanejo universitário, “arrocha” (as músicas do tipo do Tchá, Tchá, Tchá), a antiga lambada, o bolero, a jovem guarda de Roberto e Erasmo Carlos, Jerry Adriani, Diana, Celly Campelo, os hits dos anos 70 (Evaldo Braga, Odair José, Reginaldo Rossi), Fagner, Belchior, Zé Ramalho, Raul Seixas, Titãs, etc. “Nós sempre tocamos as músicas do momento”, afirma Miguel, lembrando que quando ele e o Martelo começaram, ainda adolescentes no “Baile do Nego”, casa de dança já desativada, mas que funcionou no Bairro Bela Vista, o sucesso era Odair José e companhia.

Martelo, hoje, vive de música, mas já trabalhou “duro” na usina - foi numa das indas e vindas para o eito que ele ganhou o apelido, ao dar um tapa num colega de trabalho que vivia caçoando dele. O tapa, com as costas da mão, foi tão forte (como uma pancada de martelo) que derrubou o companheiro. Miguel, como Daniel, trabalha na construção civil, onde faz praticamente todo tipo de serviço. “A nossa profissão é a música, os outros trabalhos são mais um “bico” (risos)”, disse Daniel.

A partir da esquerda: Zé Roberto, Martelo, Miguel, Daniel e João Pedro.
A partir da esquerda: Zé Roberto, Martelo, Miguel, Daniel e João Pedro.

 

Os Irmãos Jerônimo existem há 28 anos, quando Daniel e seus irmãos Márcio e Tião (ambos falecidos) formaram um grupo para tocar às quartas e quintas-feiras na antiga “Choupana do Shiley”, no Bairro Coimbras. Daniel era tecladista do Grupo Harmonia, que animava o baile às sextas e sábados e aceitou a proposta do proprietário da casa para fazer um show com música regional nos outros dias, o que acabou ocorrendo. O resultado foi que a nova banda fez mais sucesso que a antiga e passou para os dias de maior movimento. O nome, obviamente, foi inspirado no pai, que tinha o terno de congo e, sem querer, foi o responsável pelo interesse dos filhos pela música. Escondidos de “seu” Jerônimo, eles tentavam tocar a sanfona de 12 baixos recém comprada para o terno de congo. Com o tempo, eles aprenderam e estão juntos até hoje.

A banda passou por diversas formações, teve idas e vindas de integrantes, como os próprios Martelo e Miguel. Zé Roberto só entrou no grupo depois que se acidentou com seu caminhão e, para ter o que fazer após a aposentadoria forçada, aceitou o convite e desde então toca o violão (às vezes a sanfona ou o baixo) e divide os vocais com os companheiros. João Pedro, dos tempos do Baile do Nego, também já integrou a banda e hoje é free-lancer (sempre que necessário, substitui um membro que precisa faltar por algum motivo).

 

 

Enio Modesto

A partir da esquerda: Zé Roberto, Martelo, Miguel, Daniel e João Pedro.

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