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Maio de 2011

Novos Egitos virão

Ao assistir aos eventos no Egito e à fuga de Mubarak – do Cairo, pelo menos -, não pude deixar de pensar em Sandinista, aquele grande álbum lançado por The Clash no final dos anos 1980, onde uma canção após outra previa uma onda global de verdadeira democracia varrendo os ditadores, senhores da guerra e fascistas subalternos do mundo. As raízes da revolta árabe não se limitam a problemas regionais como autoritarismo e corrupção. O panorama internacional apresenta ao menos quatro tendências importantes:

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A derrubada das ditaduras na Tunísia e no Egito representa um novo marco no declínio da capacidade do imperialismo estadunidense em definir as questões mundiais conforme a sua vontade. A derrota se mostra mais grave por ter como cenário o Oriente Médio, região estratégica onde se situam dois terços das reservas petrolíferas. Os EUA tratam de reduzir o prejuízo manobrando para que os novos governantes daqueles dois países permaneçam sob o controle de Washington. O fato é que os EUA terão mais dificuldade em impor suas preferências. Lideranças novas e velhas buscarão maior autonomia em política externa a fim de diluir a imagem de submissão aos EUA. O perdedor mais direto é Israel, que vê sua margem de ação drasticamente diminuída.

2 – Persistência da crise econômica mundial:

A recuperação nos EUA é modesta e insuficiente para compensar os empregos perdidos. Na Europa e no Japão, o quadro é ainda mais sombrio. A falta de consenso entre as elites dirigentes globais estimula a guerra cambial entre as potências econômicas. O único ponto comum na reação à crise é a retomada da ofensiva neoliberal contra a classe trabalhadora e os benefícios sociais.

3 – Alta dos preços dos alimentos e da energia:

As causas são a especulação financeira, o aumento do consumo nos países “emergentes” e as catástrofes climáticas ligadas ao aquecimento global. Como resultado, agravam-se as condições de vida em boa parte do planeta, criando um terreno propício a rebeliões populares como no norte da África. Ao mesmo tempo, intensifica-se a compra de terras em países periféricos por empresas estrangeiras. O preço do petróleo também está aumentando, o que tornará mais difícil o fim da recessão.

4 – Crescimento das mobilizações populares:

As raízes da revolta árabe não se limitam a problemas regionais como autoritarismo e corrupção, mas envolvem os efeitos sociais perversos da globalização capitalista. Trata-se, pois, de um movimento que se articula com a onda de protestos contra as políticas neoliberais em boa parte do mundo, sobretudo na Europa. Vivemos um novo ciclo de lutas sociais em escala internacional. Novas “surpresas” devem surgir, em outros pontos do planeta.

Murilo de Pádua

 

 



 

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