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Novembro de 2012

Minha Profissão - Meu Futuro

ENGENHARIA - HISTÓRIAS DE VIDA DE PROFISSIONAIS QUE ESTÃO NO MERCADO ATUAL DE TRABALHO AJUDAM VESTIBULANDOS NA HORA DE FAZEREM A ESCOLHA DE SUAS CARREIRAS.

A engenharia é um dos ramos do conhecimento mais diversificados. Em termos de modalidades, são mais de 20. E a ENGENHARIA CIVIL é uma delas, uma das mais antigas profi ssões da história da humanidade.

Nos últimos anos o mercado para o engenheiro civil está agitado por diversas obras públicas e toda a área vem ganhando com a promessa da exploração do campo de petróleo no Pré-Sal, descoberto há poucos anos numa camada profunda abaixo das águas marinhas nacionais. Os cursos, especialmente de Engenharia Civil, é oferecido por inúmeras faculdades espalhadas pelo Brasil. Para ajudar o estudante pré-universitário que pensa em seguir essa carreira, os engenheiros civis Otaliro Silveira, com cerca de 50 anos de profi ssão, e Márcio Vilela Rodarte, sete anos, falam de suas experiências na faculdade e na vida profissional.

Engenheiro e empresário ao mesmo tempo

O Engenheiro Civil e Empresário Otaliro Silveira, com cerca de 50 anos de profissão.
O Engenheiro Civil e Empresário Otaliro Silveira, com cerca de 50 anos de profissão.

O engenheiro civil Otaliro Silveira é também empresário do ramo de construção civil. Ele é proprietário de uma das construtoras mais conhecidas de Passos, a Arco, onde trabalha com seus fi lhos Aluísio, Cristiano (também engenheiros) e Henrique, na área fi nanceira. Depois de cogitar a possibilidade de ser dentista, Otaliro seguiu o conselho de seu professor de matemática Armando Righetto, que notava a facilidade do aluno com as ciências exatas e acreditava que o jovem daria um bom engenheiro.

Como um primo seu - Orlando Pimenta de Vasconcelos (já falecido) - havia se formado nessa área no Rio de Janeiro, o então pré-universitário se preparou num cursinho na capital fl uminense, mas acabou mesmo ingressando na Faculdade de Engenharia da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), em Belo Horizonte, no ano de 1958.

Otaliro Silveira é de um tempo em que o ensino básico era dividido em três partes: o primário, o ginásio e o hoje denominado ensino médio, que na época poderia ser feito em um dos três modos - científi co, clássico ou normal. O jovem estudante fez o científi co, onde sua habilidade com os números o credenciou a pensar numa área afi m, a exatas e, mais propriamente, a engenharia civil.

Foi só a partir do quarto ano que Otaliro Silveira começou a fazer estágio, tendo a oportunidade de praticar o que antes era só teoria. E esse aprendizado foi feito numa construtora fora de Belo Horizonte. A distância difi cultava a frequência tanto na escola como no canteiro de obra. A solução foi se revezar com um colega.Os primeiros anos na faculdade causaram uma certa decepção no jovem universitário, porque as disciplinas eram básicas, embora ele reconhecesse que tal conteúdo ajudava a “ampliar o horizonte” dos estudantes para a matemática e a física. “Mas a gente não tinha também a orientação, as facilidades que existem hoje, mesmo durante o curso. Nós não tínhamos as ferramentas de que as escolas hoje dispõem”, observa. 

Depois de formado, o jovem engenheiro fez um concurso para trabalhar em São Paulo, mas acabou não assumindo o cargo por causa do Golpe de 1964, que instaurou a ditadura militar no Brasil. De volta à capital mineira, ele aceitou um convite para trabalhar no DER (Departamento de Estradas de Rodagem), no escritório de Oliveira, no Centro-Oeste do estado.

A experiência seguinte foi com engenharia de saneamento, na Comag (hoje Copasa), do governo do estado, após ser aprovado num concurso para implantar o sistema de tratamento de água em Guaxupé. Cerca de quatro anos depois, convencido por seu irmão também engenheiro, Ozânio Pimenta Silveira, o jovem fundou a Construtora Arco, em sociedade com seu primo arquiteto, Paulo Esper Pimenta. Juntos, eles fi zeram o Jardim da Amizade, na região da Avenida Arouca - um conjunto de 29 casas e o jardinzinho que leva o nome do residencial.

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Nesse início, a empresa foi contratada para executar várias obras de infraestrutura rodoviária e ferroviária, como subempreiteira da Andrade Gutierrez. Em 1970, ele aceitou convite do então prefeito Antônio Pedro Patti para chefiar o Departamento de Obras da Prefeitura (ainda não havia secretaria). Seu trabalho para o município de Passos abrangeu dois prefeitos diferentes – Patti e Elzo Calixto Mattar -, quando foram realizadas diversas obras: canalização de córregos, pavimentação de ruas, construção de casas populares, o início do Ginásio da Barrinha e o término do prédio da prefeitura na Praça Geraldo da Silva Maia.

Atualmente com o mercado aquecido por diversas obras do governo federal, incluindo o Pré-Sal (campo de petróleo encontrado abaixo do fundo do mar), a área de engenharia, especialmente a civil, está bastante promissora.

Para ter melhor chance de se tornar um profissional capacitado e qualificado, Otaliro Silveira recomenda aos estudantes bastante empenho durante a fase de estágio. “Primeiro, é ter força de vontade, trabalhar, procurar obstinadamente conhecer e aprender aquilo que lhe for disponibilizado no canteiro de obras, aproveitando o máximo de seu tempo, procurando orientação e informações das pessoas envolvidas na obra, independente de constar ou não das matérias curriculares. A melhor escola no meu ponto de vista é a prática e esta, aliada aos conhecimentos adquiridos na faculdade durante o curso, certamente oferecerá ao novo engenheiro mais oportunidade no mercado de trabalho”, aconselha o engenheiro.

O Engenheiro Civil e professor Márcio Vilela Rodarte, com 7 anos de profi ssão.
O Engenheiro Civil e professor Márcio Vilela Rodarte, com 7 anos de profi ssão.

De aluno, a engenheiro e professor

Márcio Vilela Rodarte concluiu o curso de engenharia na Fesp (Fundação de Ensino Superior de Passos) no ano de 2005. Até entrar na faculdade, sua dúvida era seguir a área em que trabalhava na época, a informática, e a segunda opção, a engenharia civil, que desde a infância chamava sua atenção. “Eu tinha, desde criança, aquela coisa de sempre estar observando as edificações e os detalhes construtivos, toda aquela modificação no espaço urbano me fascinava”, recorda, observando que nenhum parente ou amigo o influenciou.

No início do curso, Márcio Rodarte já se sentia confortável, porque já possuía a experiência como professor de informática e também começava um estágio na área social da Secretaria Municipal de Obras. Isso lhe permitiu, desde o início, por em prática o que para muitos apenas era teoria nos primeiros anos de faculdade.

“O curso de Engenharia é chato e é gostoso, porque é muito teórico no início, mas é uma teoria diferente, pois é aplicada para uma coisa que você vai usar. Então aquela quantidade de números que é meio chata, é meio monótona no ensino básico e no segundo grau, passa a ser interessante porque você começa a ver aquelas fórmulas sem sentido terem função. Elas vão se encaixando numa coisa prática. Então a matemática, a física, ficam mais bonitas, ficam mais óbvias do que aquela coisa abstrata e sem sentido, que faz os adolescentes sempre se questionarem: Por que estudamos tanto isso?”, avalia.

Quando Márcio começou a fazer engenharia o mercado da construção civil estava em baixa no Brasil, com mercado restrito, o que fez muitos colegas abandorem o curso ou migrar para uma área mais promissora. Segundo ele, de uma turma de 50 alunos que iniciou a faculdade, apenas quatro se formaram no final de cinco anos.

“É um curso que você tem que se entregar desde o começo, você tem que se dedicar muito. Cada período tem uma sequência de disciplinas que você tem que se envolver. E o estágio é muito importante para que se possa desenvolver a prática que foi assimilada pela teoria”, disse.

De professor de informática em cursinho técnico, Márcio Rodarte se tornou professor universitário e também de uma escola profi ssionalizante. Na sala de aula, ele vê alguns de seus alunos inseguros por estarem no curso errado, pois, segundo ele, muitos jovens hoje escolhem a faculdade pelo bom momento que o mercado de trabalho apresenta.

“Isso em certo ponto é uma ilusão porque ao passar por cinco anos de faculdade, talvez, o mercado já não seja o mesmo. Então o conceito que a gente deveria adotar para escolher uma profi ssão ainda é o vocacional, pois a realização profissional não está somente ligada ao sucesso fi nanceiro, mas, sim, na satisfação pessoal. E, além disso, todas as áreas profi ssionais terão seus altos e baixos. E isso (a satisfação pessoal) interfere até no período de aprendizagem na faculdade, pois fica bem mais fácil passar por todas essas difi culdades: noites sem dormir, provas e trabalhos por fazerem...”, analisa.

Embora ainda jovem e trabalhando como professor e dono de uma empresa de engenharia com vários serviços realizados na região, Márcio Rodarte já prestou serviços para o Município de Passos como diretor do Departamento de Obras da Secretaria Municipal de Obras, Habitação e Serviços Urbanos. Essa experiência lhe permite analisar o mercado para a engenharia civil, que, segundo ele, por ser dinâmico, alcança diversas áreas de atuação.

“É uma área que não vai deixar de existir e a engenha ria civil é uma das profissões mais antigas e mais duradouras, porque não tem como pensar que no mundo não seja mais necessário esse tipo de profissional. A humanidade cresce e o desenvolvimento nas cidades é sempre constante. Abre-se um novo loteamento, vai ter novas construções, novas ruas, necessidade de reformas e manutenção, estudos e projetos para melhorar a qualidade de vida das pessoas e equilibrar tudo isto de maneira sustentável para o nosso planeta. E lá estará o engenheiro civil trabalhando para realizar tudo isto. Então não é um processo esgotável”, finaliza.

Enio Modesto

CURSO

Engenharia Civil

ÁREA

Ciências Exatas

HABILITAÇÃO

Engenheiro Civil

DURAÇÃO DO CURSO

Cinco Anos

ONDE ESTUDAR

De acordo com o Guia do Estudante da Editora Abril (ed. 2009), vários cursos de engenharia civil em universidades públicas e particulares foram classificados entre os melhores do país. Destas, muitas estão em São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, entre elas, as universidades federais de Viçosa, Belo Horizonte, Ouro Preto e Uberlândia (Minas Gerais), Rio de Janeiro (capital), Ufscar e Usp (São Carlos e São Paulo) e Instituto Tecnológico de Aeronática (ITA/SP).

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