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Dezembro de 2012

Medjugorje

Um casal de amigos narra a experiência tocante de visitar uma pequena cidade no interior da Bósnia, onde seis videntes recebem mensagens da mãe de Jesus há mais de 30 anos.

Os quatro amigos: Rita Lúcia Vieira Natir, Terezinha, Marcos Esper e Karina Oliveira Sanches.
Os quatro amigos: Rita Lúcia Vieira Natir, Terezinha, Marcos Esper e Karina Oliveira Sanches.

A Bósnia e Herzegovina é um pequeno país situado na região dos Balcãs, no Sudeste da Europa, que já pertenceu à extinta Iugoslávia, uma das repúblicas da ex-URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas). Foi numa pequenina cidade, Medjugorje, próxima à fronteira com a Croácia e à costa do Mar Adriático, no dia 24 de junho de 1981, que Nossa Senhora começou uma série de aparições para seis videntes. A santa trazia mensagens de paz e falava de acontecimentos futuros que, segundo estudiosos do assunto, seriam profecias, algumas relacionadas a tragédias. 

Desde então, a pacata cidadezinha passou a ser um centro de peregrinação de devotos da mãe de Jesus do mundo inteiro, como um casal de amigos de Passos, o terapeuta Marcos Esper e a dona de casa Rita Lúcia Vieira Natir, que estiveram lá durante quatro dias, em outubro.

Igreja de São Tiago.
Igreja de São Tiago.

“Eu ouvi falar das aparições pela primeira vez há mais ou menos 15 anos e desde então tinha esse desejo de conhecer Medjugorje”, disse Marcos Esper, explicando que na volta de uma viagem de turismo pela Itália e Alemanha, no início deste ano - também na companhia de Rita Natir -, cogitou a possibilidade de conhecer aquela região da Bósnia. A amiga foi convencida a ir junto e, depois, outras duas amigas – Terezinha e Karina – se uniram a eles. “Eu ouvi falar de Medjugorje, li em revistas logo que começaram as aparições em 1981. Já naquela época eu tinha curiosidade sobre as aparições”, explica Rita. 

Os quatro amigos viajaram para a Bósnia e Herzegovina em 4 de outubro. De Passos, eles saíram de carro para Ribeirão Preto (SP), pegaram um avião para São Paulo e seguiram para a Espanha (Madrid) até desembarcar na Itália, em Bologna, onde pegaram um trem para Ancona e daí, de navio, rumo a Split, na Croácia, em que foi preciso mais três horas de viagem de ônibus para Medjugorje.

Marcos Esper e Rita Natir.
Marcos Esper e Rita Natir.

Situada na região da Herzegovina, entre uma cadeia de montanhas de até dois mil metros de altura, ao norte, e um vale, ao sul, Medjugorje possui aproximadamente 4.300 habitantes, que vivem sob o clima mediterrâneo, com invernos mais amenos e chuvosos e verões de alta temperatura. As condições climáticas e as características do relevo e do solo favorecem o cultivo de hortaliças e frutas, como as cerejas, ameixas, peras, pêssegos, maçãs e damascos. 

Foi nesse lugarejo de tradição agrícola que Nossa Senhora apareceu 31 anos atrás, para seis jovens, que passaram a ficar conhecidos como videntes. A Virgem se apresentou a eles dizendo “Eu sou a Rainha da Paz”. Foram meses de aparições diárias, depois mensais e, por fim, anualmente, sempre nas mesmas datas.

Terezinha e Rita no altar externo com os assentos para peregrinos ao fundo. Marcos Esper
Terezinha e Rita no altar externo com os assentos para peregrinos ao fundo. Marcos Esper

As mensagens exortam os videntes e os fiéis a praticarem a oração e serem firmes na fé. São frases sempre sucintas, como a primeira, de 25 de junho de 1981, em que a Santa teria anunciado: “Eu sou a Bem-aventurada Virgem Maria”. Em seguida, ela teria rezado o “Creio” e sete Pai Nossos, Ave-Marias e Glórias, antes de cantar “Vem, vem, vem, Senhor” para, depois, desaparecer.

Dez anos depois das primeiras visões, a Conferência Iugoslava (a Bósnia ainda não havia conquistado a independência) de Bispos declarou que não havia nada de sobrenatural no caso. No entanto, o Vaticano já estudava os fenômenos e assim continua fazendo na intenção de confirmar a veracidade do que sempre afirmaram os videntes, tendo aceitado oficialmente a cidade como um lugar de oração, adoração e de peregrinação.

Marcos Esper subindo a Colina das Aparições: “Esse caminho é um verdadeiro meditar e uma revisão de vida.”
Marcos Esper subindo a Colina das Aparições: “Esse caminho é um verdadeiro meditar e uma revisão de vida.”

Depois de algum tempo, a santa começou a transmitir uma série de dez segredos - que muitos acreditam serem profecias -, que só poderiam ser revelados num futuro ainda incerto. A primeira a receber esse conjunto de segredos foi a vidente Mirjana Dragicevic, então com 17 anos de idade, que, orientada pela Virgem, escolheu um padre a quem caberia revelar tais profecias três dias antes de acontecerem. 

Estudiosos das aparições acreditam que tais assuntos estejam relacionados a fatos ocorridos muitos anos depois de terem sido revelados aos videntes, como a declaração da independência da Croácia e da Eslovênia diante da Iugoslávia, ocorrida exatamente dez anos após a primeira visão. Até os atentados contra as torres gêmeas de Nova Iorque e o Pentágono, em Washington(EUA), em 11 de setembro de 2001, podem estar ligados às profecias, segundo os estudos.

Alto da Colina das Aparições: O silêncio é absoluto, só é quebrado quando se ouve alguém rezando um terço.
Alto da Colina das Aparições: O silêncio é absoluto, só é quebrado quando se ouve alguém rezando um terço.

Para Marcos e Rita, conhecer Medjugorje é uma experiência sem igual, porque no local emana tudo aquilo que um cristão devoto espera para seu espírito, como ocorreu na subida da colina onde ocorreram as primeiras aparições. “Esse caminho é um verdadeiro meditar e uma revisão de vida”, disse Marcos Esper, explicando que foram consumidos 45 minutos na ida e praticamente o mesmo tempo na descida. Rita Natir confessa que teve dificuldades, mas a fé a levou ao topo do morro. “Subi rezando e dizendo “Nossa Senhora, a senhora me chamou até aqui, agora vai ter que me ajudar”, contou. 

Missas, terços e orações espontâneas dentro e na porta da Igreja de São Tiago e reuniões num altar externo em ocasiões de muita aglomeração de peregrinos são algumas atividades que os turistas religiosos podem fazer durante a estadia em Medjugorje. A “Colina das Aparições” e a “Montanha da Cruz” também são destinos certos no roteiro dos visitantes. “No altar do morro, o silêncio é absoluto. Só é quebrado um pouco, quando se ouve alguém rezando um terço. É uma extrema paz e extrema simplicidade”, diz Marcos Esper.

Rita subindo a Colina: 45 minutos para subir e praticamente o mesmo tempo para descer.
Rita subindo a Colina: 45 minutos para subir e praticamente o mesmo tempo para descer.

Apesar das peregrinações do mundo inteiro, Medjugorje ainda conserva as características de uma cidade pequena, sem luxo, onde os turistas não são explorados abusivamente pelo comércio, ou na hospedagem e alimentação. “Se a gente ficasse uma semana, seria pouco. Medjugorje inspira fé, emociona. É um local de simplicidade, que combina muito com Nossa Senhora”, diz Rita Natir. 

Quanto à alimentação, a cidade tem muita influência dos italianos, então comida à base de massa não falta e são bem aceitas ao paladar do brasileiro, já acostumado com o espaguete, a pizza e outros pratos originais da Itália. Segundo Marcos, para se comunicar não há problema, apesar da estranheza da língua croata (falada na Bósnia). Um pouco de inglês basta.

Depois de Medjugorje, os quatro amigos rumaram para outro centro de visitação católica - Cascia, na Itália. Lá o grupo visitou o convento que leva o nome da cidade, que guarda o relicário que contém o corpo intacto de Santa Rita. O local em que ela recebeu as chagas de Jesus Cristo e realizou o milagre com as rosas do jardim, em pleno inverno europeu, assim como suas vestes, também foram vistos pelos turistas passenses.

“Santa Rita é minha santa de devoção”, observa Rita Natir, dizendo ter ficado embargada com a emoção de estar no convento. “Eu não estava sabendo nem rezar”, confessou.

Enio Modesto

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