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Janeiro de 2013

Minha Profissão - Meu Futuro

O direito é uma área das ciências humanas que se ocupa da aplicação das leis de um país. Um bacharel em direito pode atuar em diversos campos pro

O advogado Renato Rattis Pádua: “Verdadeiros mestres e amigos de toda uma vida, que realmente me encaminharam na profissão e pelos quais sempre terei imensa gratidão.” - O advogado Fernando Andrade Fernandes: “Como em todos os aspectos da minha vida, também em relação à escolha profissional foi graças a Deus que ocorreu a minha aproximação com o direito.”
O advogado Renato Rattis Pádua: “Verdadeiros mestres e amigos de toda uma vida, que realmente me encaminharam na profissão e pelos quais sempre terei imensa gratidão.”
O advogado Fernando Andrade Fernandes: “Como em todos os aspectos da minha vida, também em relação à escolha profissional foi graças a Deus que ocorreu a minha aproximação com o direito.”

Uma disciplina fascinante 

Renato Rattis Pádua formou-se na Faculdade de Direito de Franca em 1986, obteve a inscrição na OAB no ano seguinte, quando, trabalhando como caixa na extinta Minas Caixa, em Belo Horizonte, foi convidado a ingressar no escritório dos advogados Cristiano Ribas (já falecido) e Marcos Colombarolli. “... Verdadeiros mestres e amigos de toda uma vida, que realmente me encaminharam na profi ssão e pelos quais sempre terei imensa gratidão”, disse.

O agora bem sucedido advogado passense chegou a cursar o primeiro ano de Administração e Economia na antiga Facef (hoje Centro Universitário de Franca), mas trancou a matrícula após tomar contato com uma disciplina que o fascinou, “Introdução ao Direito”. “A partir das aulas daquela disciplina pude perceber que minha vocação era outra, o que, concluído o ano letivo na Facef e depois de trancar matrícula, fiz outro vestibular, desta feita para direito, na Faculdade de Direito de Franca, onde bacharelei em dezembro de 1986”, relembra.

Outros cursos também despertaram o interesse de Renato Rattis: arquitetura e belas artes, por causa de sua facilidade para desenhar e pintar, e música, a qual já praticava “de ouvido” com instrumentos de sopro (flauta e sax). “Porém, o direito falou mais alto e me fez ver que através dele eu poderia me realizar profi ssionalmente e obter o sustento digno, até porque as outras opções não me pareciam, pelo menos àquela ocasião, muito adequadas ao meu perfil profissional, muito embora, como dito, também me agradassem”, justificou.

Os advogados amigos chegaram a morar juntos num período em que ainda eram estudantes.
Os advogados amigos chegaram a morar juntos num período em que ainda eram estudantes.

Trabalhando na agência Minas Caixa em Passos, onde ingressara aos 17 anos de idade, e ainda fazendo o serviço militar obrigatório, Rattis não se preparou com tanta dedicação para o vestibular, conforme admite, mas a base adquirida no ensino fundamental (antigos primário e ginásio), feito em escolas públicas, e médio (colegial) numa instituição particular deu-lhe condições para ser aprovado. Aos 24 anos, Renato Rattis já era um bacharel em direito. 

A exemplo de outros profissionais que fizeram o ensino superior em Franca, Renato Rattis trabalhava de dia e viajava toda noite para a Faculdade de Direito, regressando no início da madrugada do dia seguinte. Foram cinco anos de idas e vindas, muito trabalho e muito estudo, que foram recompensados com uma carreira de sucesso. “Apesar do grande esforço, quando a gente é novo tudo soa mais fácil e a vontade de vencer é grande, daí a superação dos obstáculos”, avalia.

Trabalhar e estudar, obviamente, cria dificuldades para um estudante de nível superior, mas quando se está no curso certo, tudo fica muito mais fácil de ser superado, conforme atesta o advogado. “É natural que uma ou outra (disciplina) agrade menos na hora de estudar, mas, no geral, o curso é bastante envolvente, é claro, para quem se identifica com a matéria. Além disso, a ciência do direito permite ao estudante que, a partir de estudo solitário e leitura atenta de boas obras, não dependa tanto do professor. Eu acredito que o bom profissional do direito independe da faculdade em que ele se forma, e os exemplos são muitos.”

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A primeira experiência profissional de Renato Rattis se deu no escritório de Ribas e Colombarolli, na capital do estado. Cerca de quatro anos depois, já casado, o advogado resolveu voltar para Passos, onde começou um novo desafio. “A formação da clientela não foi fácil, visto que até então era conhecido apenas como o Renato, caixa da Minascaixa, o que foi paulatinamente mudando a partir dos trabalhos apresentados e da propaganda “boca a boca”, não perdendo de vista que o nome é muito difícil de construir, leva anos, e muito fácil de destruir, em pouco tempo, dependendo da conduta que o profissional adota”, revela. 

Quanto ao mercado de trabalho hoje, Rattis diz que ser dinâmico, acompanhar as mudanças tanto na legislação, doutrina e jurisprudência quanto na postura profi ssional é um requisito obrigatório. Um exemplo, no caso dos advogados: “o processo eletrônico já é uma realidade que não mais pode ser desprezada. Quem não se adaptar vai ficar à margem da profi ssão, o que significará o fim da carreira”, alerta. “Penso que o profi ssional que recicla seus conhecimentos sistematicamente e exerce a advocacia com afinco e ética sempre terá lugar ao sol, será respeitado e, enfim, sobreviverá da profissão”, acrescentou mais adiante.

“E o bonito do direito é que ele permite uma gama de opções de ascensão em diversas carreiras jurídicas, tais como concursos públicos os mais variados, docência, advocacia, consultoria etc.”, observa, acrescentando, no entanto, que seu campo requer muito sacrifício da vida pessoal e em família. “(A advocacia) é muito árdua, o período de férias é pífio, vivemos em constante pressão em razão dos prazos fatais e um sem número de outros problemas, como a falta de respeito e desvalorização da classe por parte de algumas autoridades públicas e até mesmo por colegas”, avalia.

Aos vestibulandos e estudantes que pensam na opção do direito, Renato Rattis envia uma mensagem: “Tentem se informar com mais profundidade a respeito da área ou profissão que escolherem. Se possível, conversem com profi ssionais que já estejam há algum tempo no mercado e que realmente gostem do que fazem, para saber se também se sentiriam realizados com a mesma escolha. O grande segredo é gostar da profissão escolhida, o que torna o trabalho mais leve, prazeroso e conduz à felicidade. Como disse Confúncio: “Trabalhe com aquilo que gosta e não terá que trabalhar um dia sequer na vida.”

Opção pela qualidade

Amigo de Renato Rattis e, hoje, diretor da Faculdade de Ciências Humanas e Sociais da Unesp (Universidade Estadual Paulista), campus de Franca, o advogado e professor Fernando Andrade Fernandes, quando criança, sonhava em ser cientista. Foi na fase do vestibular e já com uma experiência em ciências exatas que Fernandes se decidiu pelo direito. Ele recorda que naquela época, 1984, a Unesp abriria um curso nessa área naquela cidade paulista. “Como em todos os aspectos da minha vida, também em relação à escolha profi ssional foi graças a Deus que ocorreu a minha aproximação com o direito”, disse. “Como eu já conhecia a qualidade dos cursos da Unesp, resolvi prestar o vestibular, conseguindo ser aprovado. Após a aprovação, conversei com algumas pessoas da área, como a Dra. Celina Coelho, que me motivaram a fazer o curso”, acrescenta.

Até então, cultivando o sonho infantil de ser um cientista, Fernando Fernandes pensou inicialmente em se tornar um físico nuclear ou um geólogo. No entanto, na opção pelo direito, ele percebeu que não estaria abandonando aquela ideia totalmente. “A confi rmação da defi nição se deu a partir do momento em que tive a informação da possibilidade de atuar como cientista no próprio direito”, disse. Para esta finalidade, Fernandes fez o mestrado na Universidade Federal de Minas Gerais, o doutorado na Universidade de Coimbra, em Portugal, e o pós-doutorado na Universidade de Salamanca, em Espanha, sendo estas duas últimas a segunda e terceira universidades mais antigas do mundo.

Para ingressar numa universidade pública e com ensino de qualidade, o ainda pré-universitário dedicou-se intensa e exclusivamente aos estudos preparatórios. “A preparação só foi possível com ajuda da minha família e com o uso de uma pequena reserva que fiz nos anos anteriores, tendo economizado parte do salário justamente para este momento”, explica, observando que junto com um grupo de amigos estudava até altas horas da noite, às vezes até de sábado para domingo.

Durante o curso, o então estudante teve que conciliar um emprego num banco com as aulas, porque sua situação financeira não permitia uma dedicação exclusiva aos estudos. Com a ajuda de amigos, conseguiu emprego numa agência de Franca e, depois, em Passos, que amenizaria um pouco suas dificuldades. “Iniciava as atividades no banco às 8h. O almoço, que era levado para mim, era feito no almoxarifado do banco em 15 minutos. Às 17h45, tomava o ônibus e ia para a faculdade, regressando em casa por volta de 1h do outro dia. Aproveitava a viagem no ônibus e os finais de semana para estudar. Em função do aproveitamento das viagens e finais de semana para o estudo, felizmente não tive dificuldade para o acompanhamento das disciplinas”, recorda o Dr. Fernando Fernandes.

Renato Rattis
Renato Rattis

 

Para o advogado e também diretor da faculdade da Unesp, a qualidade do curso é fundamental para um estudante universitário, especialmente na área do direito, pois uma escolha bem feita tranquiliza e motiva o aluno a se dedicar no estudo e observar a beleza de uma área tão rica. “Na minha concepção atual, o direito continua sendo um curso muito bom, pois permite ao aluno transitar por distintas áreas do conhecimento humano, tais como a filosofia, a sociologia, a economia, a política, a medicina, dentre outras, inclusive com possibilidade de conteúdos na área das ciências exatas. Obviamente que tudo depende do interesse e dedicação do estudante e das condições oferecidas pela instituição em que o curso é feito”, comenta.

Segundo Fernando Fernandes, “em termos de formação pessoal, se o aluno levar a sério e buscar ele próprio o conhecimento, o curso de direito lhe permite ampliar em muito os conhecimentos não só profi ssionais, mas também humanísticos e de cidadania”. O advogado e acadêmico explica que direito é uma área profi ssional diferenciada, por causa do amplo leque de carreiras.

“No âmbito privado, a pessoa pode atuar, primeiramente, como advogado, sendo várias as opções de áreas em que ele pode atuar, desde aquelas mais tradicionais, como direito civil, direito penal, direito trabalhista, direito empresarial, direito previdenciário, até novos ramos de atuação que estão ganhando cada vez mais importância, tais como, direito ambiental, direito do consumidor, direito econômico, direito comunitário, dentre outras hipóteses. Ainda no âmbito privado, o curso de direito permite a atuação como consultor ou parecerista, auditor, dentre outras.

No âmbito público, várias são as possibilidades decorrentes da realização do curso de direito, havendo inúmeras opções de concursos públicos aos quais a pessoa pode submeter-se, tais como: magistratura (estadual, federal e do trabalho); ministério público (estadual, federal e do trabalho); procuradoria (federal, estadual, municipal); advocacia da União; carreira judicial (tribunais estaduais, federais, eleitorais e do trabalho)”, relaciona, citando também a área acadêmica, onde o profissional pode atuar como professor e pesquisador.

Um senão, segundo Fernando Fernandes, é em relação a pessoas que optam pelo direito apenas por causa da facilidade de ingresso e da condução do curso em determinadas instituições “e no eventual menor ônus para seguir na carreira”. “Nestes casos há uma grande possibilidade não só de um não êxito profissional, mas também de uma certa frustração profi ssional”, adverte.

Em termos de vocação, o advogado e professor acredita que no momento de optar por uma profi ssão, a pessoa tem que levar em conta sua afinidade por determinada área. “É isto que faz a diferença, no sentido de ser um bom profissional e da pessoa ter uma satisfação com aquilo que faz. Se alguns profi ssionais obtém algum êxito mesmo sem estas características, isto se deve mais às circunstâncias muito próprias em que a pessoa se insere no mercado e muitas vezes em virtude da confusão entre satisfação profissional e sucesso financeiro”, afirma.

Finalizando, Fernando Fernandes ensina: “Tanto na vida pessoal quanto na vida profi ssional, faça bem feito e com gosto o que tiver que fazer e certamente os bons resultados serão uma consequência natural.

Enio Modesto

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