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Fevereiro de 2013

Escola de Samba PASSENSE sobrevive ao carnaval

Sessenta anos atrás, desfi lava pela primeira vez no carnaval de Passos a Escola de Samba Passense; depois de tantos anos, muitas vitórias e difi culdades para entrar na avenida, a agremiação encontrou outro meio para permanecer em atividade.

O mestre-sala e a porta-bandeira fazem parte do grupo de festas da Passense.
O mestre-sala e a porta-bandeira fazem parte do grupo de festas da Passense.

Falecida em 23 de setembro de 2002, aos 83 anos de idade, Dona Tiana continua sendo um dos principais símbolos do carnaval de Passos. Afi nal, foi sua determinação e a colaboração de fi lhos e amigos que inúmeras vezes levaram a Escola de Samba Passense – desde sua fundação há 60 anos - para o desfi le da festa do “Rei Momo”, superando a costumeira falta de dinheiro para as fantasias e os carros alegóricos. Durante esse tempo, outras escolas surgiram, brilharam e caíram no ostracismo. A Passense, porém, enfrentou as difi culdades e, mesmo sem o brilho dos bons tempos, honrou a tradição do carnaval de rua no município. É que pelo menos o coração da escola pulsava: a bateria, o mestre-sala e a porta-bandeira, os passistas e as baianas sempre estavam lá, ajudando os foliões a esquecerem por algumas horas as mazelas da vida e se divertir nos quatro dias de folguedo. Em 2012 e neste ano, Passos não teve carnaval de rua, como aconteceu outras vezes no passado, mas a Passense descobriu uma maneira de manter a tradição: agora, é atração de festas de casamento, aniversários e outros eventos. 

Efigênia e Antônio Expedito Mizael, o Nengo - Filhos de Dona Tiana.
Efigênia e Antônio Expedito Mizael, o Nengo - Filhos de Dona Tiana.

Tudo começou cerca de quatro anos atrás, quando a escola aceitou um convite para alegrar uma festa de casamento em Passos. A moda – que já vinha sendo praticada por grandes agremiações do Rio de Janeiro e São Paulo – pegou com a Passense. Desde aquele ano de 2009, a escola já tocou em inúmeras festas e continua com a agenda movimentada para os próximos meses e até para o ano que vem. “Paraíso, mesmo tendo escolas de samba, chamou a daqui”, diz Antônio Expedito Mizael, o Nengo, um dos seis filhos de Dona Tiana. “Em Paraíso, pensaram que a gente era de lá”, recorda Maria Efigênia Mizael, outra filha da falecida carnavalesca, contando que a aceitação da escola pelos convidados do casamento em São Sebastião do Paraíso foi tanta e que todos ficaram admirados com o ritmo dos tambores da Passense. 

Dona Tiana - Uma das fundadoras da Passense.
Dona Tiana - Uma das fundadoras da Passense.

Efigênia é quem anota na agenda os compromissos da escola. Apesar da importância para os clientes e para os sambistas, o cachê é pequeno e ainda tem que ser dividido entre os 16 integrantes: dez ritmistas, um apitador, três passistas, o mestre-sala e a porta-bandeira. “Se cobrarmos mais caro, eles não pagam. Mas é uma maneira do pessoal se divertir”, explica Nengo, referindo-se à alternativa encontrada em relação à decadência do desfi le na avenida. 

Um desses casais de noivos que contrataram a escola foram a terapeuta ocupacional Larissa de Oliveira e o motorista hospitalar Joel Marques da Silva. Neste mês (18/2) eles comemoram um ano de casados. E quem ajudou a animar a festa do enlace foi a Passense, segundo explica Larissa, dizendo que por terem se casado no mês de carnaval tudo combinou muito bem. “A gente queria mesmo que tocasse e o pessoal da Passense é muito amigo de nossa família”, disse. De acordo com Joel, o samba ao vivo com os principais ingredientes de uma escola de samba foi uma surpresa preparada por ele e a então noiva para os convidados. “Ninguém sabia da escola de samba, só eu e a Larissa, mas os convidados, não. Aí, ela entrou e virou um carnaval”, recorda.

A última vez que a escola desfilou foi em 2011, em meio à polêmica da falta de recursos e de um já propalado tímido incentivo do Município para o carnaval da cidade. Esse problema vem afetando a festa há pelo menos 20 anos, com as escolas lutando ano a ano para conseguirem o mínimo necessário para a reforma de instrumentos e confecção das fantasias. “Em Paraíso, todas as escolas têm barracões, fazem promoção para arrecadar dinheiro e a Prefeitura ainda doou R$ 25 mil, em 2011. Em Passos, nós recebemos só R$ 12 mil”, compara Efi gênia, observando a importância do incentivo municipal para a cultura carnavalesca, porque a maioria dos foliões é de pessoas pobres, que não têm como gastar com fantasia, embora, com o desfile, contribuam para a diversão da população.

Com 12 títulos na sua história, a escola de Dona Tiana foi campeã pela última vez em 2002, quando o carnaval na cidade ainda estimulava uma boa disputa. Nengo e Efi gênia contam que naquela época a diretoria investiu pesado, contratando estilista, cavaquinista e até o puxador de samba enredo no Rio de Janeiro. “Depois, entramos na avenida, mais na raça”, disse, explicando que de 1993 até 1996, não houve desfi le. “Hoje a escola está pequena, porque não estamos ensaiando”, diz Nengo, acrescentando que basta o surdo começar a bater, para os foliões se juntarem.

Enio Modesto

Turma da Bateria da Escola de Samba Passense.

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