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Fevereiro de 2013

Os desafios e as experiências de morar fora do Brasil

Camila, que trabalhou 6 meses na Disney com o Mickey e a Minnie vestidos de beca especialmente para a formatura celebrando a conclusão do estágio realizado num hotel da Disney. Normalmente, os personagens não são vistos pelos turistas usando estes trajes nos parques.
Camila, que trabalhou 6 meses na Disney com o Mickey e a Minnie vestidos de beca especialmente para a formatura celebrando a conclusão do estágio realizado num hotel da Disney. Normalmente, os personagens não são vistos pelos turistas usando estes trajes nos parques.

A estudante Camila Machado Araújo encarou o desafio de morar em três países num período de 18 meses: morou 6 meses na Alemanha, estudou 6 meses na Suíça e trabalhou 6 meses nos Estados Unidos. Ela fala sobre as difi culdades que teve e o aprendizado que adquiriu em cada um dos países onde passou, e dá algumas dicas para quem pretende morar no exterior

A possibilidade de morar e estudar no exterior é algo que representa uma grande oportunidade de amadurecimento, pessoal e profi ssional, na vida de qualquer jovem. Foi com esse pensamento que a estudante Camila Machado Araújo procurou absorver ao máximo as experiências vividas durante o período em que morou na Alemanha, Suíça e Estados Unidos. 

A passagem de Camila por esses países durou 18 meses. Ela foi inicialmente para a Alemanha, em 2011, com sua família, pois seu pai, que trabalhava numa empresa alemã, foi convidado a ficar dois anos no país e depois retornar ao Brasil.

“O começo foi complicado, eu fazia faculdade no Brasil, tinha meus amigos”, afi rma. Sobre as difi culdades com a língua alemã, Camila conta que só não foram maiores porque ela já estudava o idioma no Brasil, quando estava no colégio por 7 anos, e continuou estudando por 4 meses depois que chegou ao país.

Camila diz que se esforçou ao máximo para aperfeiçoar o idioma, até como forma de superar a timidez e ajudar na adaptação. Quando perguntada sobre o que mais gostou na Alemanha, Camila ressalta que a organização do país é algo que impressiona, e que a efi ciência dos serviços públicos, como Educação, Transporte e Segurança, entre outros, é o que mais chama a atenção.

Por exemplo: “As crianças a partir dos 6 anos já vão sozinhas para a escola. Desde cedo, elas são “estimuladas a serem independentes, mas isso só é possível graças ao fato do transporte público ser efi caz e do país ser seguro.”

Cozinha do restaurante francês onde Camila trabalhava, na Suíça. “Tive a oportunidade de trabalhar tanto na parte do serviço, como garçonete, e na cozinha.”
Cozinha do restaurante francês onde Camila trabalhava, na Suíça. “Tive a oportunidade de trabalhar tanto na parte do serviço, como garçonete, e na cozinha.”

“Se a criança for pega na rua desacompanhada durante o horário escolar, os pais levam uma multa ou advertência, dependendo da situação. Outro fato curioso é que as casas não têm cerca nem muros e, dependendo da estação, você pode colher fl ores ou frutos: Como os campos são abertos a todos, você colhe o que, e a quantidade que quiser, e deixa o dinheiro numa caixinha que fi ca em frente à casa. Tudo isso, sem nenhuma pessoa para fi scalizar! É realmente impressionante!” 

Enquanto estava na Alemanha, Camila se lembrou de uma Faculdade na Suíça, sobre a qual já havia pesquisado, ainda no Brasil. “Na época, a faculdade estava realizando o processo de seleção, que levava em conta vários requisitos, entre eles o histórico escolar, cartas de recomendação, motivação e plano de estudo. Após enviar todos esses documentos, recebi a resposta de que 

Camila Machado Araújo e as amigas: Angela Ocasio Ardila, Fatten Khalifah Gamboa e Ana Jimenez no Epcot.
Camila Machado Araújo e as amigas: Angela Ocasio Ardila, Fatten Khalifah Gamboa e Ana Jimenez no Epcot.

havia sido aprovada”, lembra.

Após a aprovação, Camila se mudou para a Suíça em setembro de 2011, onde passou a residir na cidade de Montreux, e começou a cursar Administração Hoteleira na Swiss Hotel Management School. A estudante conta que a principal diferença entre a educação na Suíça em relação ao Brasil é a rigidez, como também a postura exigida dos alunos “que usavam uniforme, gravata e sapato no caso dos homens; lenço e salto no caso das mulheres. Outra grande diferença é em relação ao respeito, lá os professores são chamados de “Mister”, que em inglês significa senhor, seguido pelo sobrenome. Além disso, a diversidade cultural é algo bem marcante, já que lá estudam alunos de diferentes partes do mundo.” 

De acordo com Camila, as aulas são ministradas de maneira parecida com as do Brasil, os professores utilizam muito o power point durante as aulas.

A fase de adaptação na Suíça foi um pouco mais difícil para Camila, já que essa foi a primeira vez que se viu morando longe dos pais, e ainda tinha que conciliar os estudos com a busca por um estágio. Durante um dia na semana, Camila tinha que trabalhar num sofi sticado restaurante francês, em que era necessário se vestir de forma impecável e ler o cardápio em francês para os clientes.

 

Vista da sua faculdade Swiss Hotel Management School em Montreux/ Suíça, no outono e no inverno.
Vista da sua faculdade Swiss Hotel Management School em Montreux/ Suíça, no outono e no inverno.

 

Brasil é visto como “floresta” por estrangeiros 

Nos Estados Unidos, Camila foi trabalhar na recepção de um hotel na Disney, vinculado à faculdade suíça. A estudante dividiu um apartamento com outras 5 jovens de diferentes nacionalidades; duas holandesas, duas do Zimbábue e uma de Hong Kong, o que contribuiu ainda mais para o seu enriquecimento cultural. Nessa nova fase, Camila novamente teve que se adaptar à mudança de clima, já que saiu do rigoroso inverno europeu e teve que enfrentar o verão norte americano, no período de julho. Segundo Camila, que interagia com pessoas de diversas nacionalidades no hotel em que trabalhava, há uma visão distorcida por parte dos estrangeiros em relação ao Brasil.

Na Alemanha, da esquerda para a direita, Claudia Campos Machado Araújo, Silvana e Lígia Soster Ramos (amigas brasileiras que moram na Alemanha) e Camila. A foto foi tirada na tradicional feira de natal em Stuttgart (cidade alemã na qual a família morava).
Na Alemanha, da esquerda para a direita, Claudia Campos Machado Araújo, Silvana e Lígia Soster Ramos (amigas brasileiras que moram na Alemanha) e Camila. A foto foi tirada na tradicional feira de natal em Stuttgart (cidade alemã na qual a família morava).

“Na visão deles o Brasil é como uma floresta, eles acham que elefantes andam soltos pelas ruas, pensam que temos macacos em casa e sempre me perguntavam como eu aprendi a falar outros idiomas. Por outro lado, eles também ressaltam a calorosidade do povo brasileiro, e sempre nos identifi cam ao samba e ao futebol”, afi rma a jovem. 

Devido à crise fi nanceira que afeta a economia dos Estados Unidos desde 2008, os turistas brasileiros, que segundo Camila são maioria entre os que visitam a Disney, têm sido responsáveis por aquecer a economia da cidade de Orlando, e, por isso, acabam sendo vítimas constantes de roubo. Com a experiência de morar nesses três países em tão curto espaço de tempo, teve que reforçar seu repertório de idiomas. Hoje ela fala bem o inglês, espanhol e alemão, além do português.

Da esq. p/ dir.: Marcos (pai), Fernanda (irmã), Cláudia (mãe) e Camila reunidos no Magic Kingdom, ocasião em que sua família foi visitá-la na Disney.
Da esq. p/ dir.: Marcos (pai), Fernanda (irmã), Cláudia (mãe) e Camila reunidos no Magic Kingdom, ocasião em que sua família foi visitá-la na Disney.

Para aqueles que pretendem morar fora do Brasil, ela diz que é fundamental dominar principalmente o inglês. 

De volta ao Brasil para concluir o curso de administração de empresas, Camila diz que pretende morar novamente no exterior para fazer uma pósgraduação ou trabalhar em alguma empresa.

“A experiência que ela adquiriu durante esse tempo que morou no exterior foi enriquecedora em todos os aspectos, tanto culturalmente quanto pessoalmente, espiritualmente e até financeiramente, pois o período que passou nos EUA, ela conseguiu se sustentar com o próprio salário, ficou pela primeira vez sem depender fi nanceiramente dos pais, conseguiu viver com o que ganhava”, afirma Claudia Campos Machado Araújo, mãe de Camila.

“Hoje, eu tenho a certeza que foi a melhor coisa que eu fiz. Cresci, aprendi, ampliei meus horizontes, conheci pessoas do mundo inteiro e mudei minha visão de mundo. Sem dúvida alguma, recomendo essa experiência internacional a todos”, finaliza Camila.

Renato Rodrigues Delfraro

Vista da janela do seu dormitório. Por se situar quase no topo dos Alpes Suíços, muitas vezes, as nuvens estavam abaixo do prédio da faculdade e você

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