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Fevereiro de 2013

Todas as Universidades Federais são boas?

 

Ao longo do último mês de janeiro, estudantes que se submeteram ao ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio) em 2012, acessaram o site do SISU (Sistema de Seleção Uni cada) para lançar as pontuações obtidas no exame com vistas a postular uma vaga em instituições federais de ensino superior. Conforme a nota do aluno, ele se torna habilitado a requerer um lugar em até três cursos e/ou universidades, à sua escolha.

Esse loteamento de possibilidades, porém, nem sempre atende às aspirações de carreira, tampouco o estado e a cidade pretendidos para estudar. Em muitos casos, os potenciais transtornos e implicações são tão grandes que impossibilitam qualquer real desejo do vestibulando.

Temos visto garotos e garotas de Minas Gerais designados para universidades em localidades distantes, das Regiões Sul e Centro Oeste, por exemplo. Mas, será que esse imbróglio logístico realmente compensa? Será que, de fato, vale a pena impor à família e ao próprio aluno sacrifícios tão grandes? Afi nal, ocorrerá a perda do conforto da moradia, a ausência dos pais, amigos e parentes, a supressão do status social... Seria um curso de Tecnologia da Informação ou de Odontologia em uma universidade em Pelotas, no Rio Grande do Sul, tão imperdível a ponto de justifi car tamanhas manobras familiares, afetivas e financeiras?

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Acreditamos que cada caso deva ser analisado com muita calma, tendo-se em conta condições, recursos gerais e, sobretudo, a adequação do curso ao estudante, bem como a qualidade da instituição universitária designada pelo SISU. Um aluno vocacionado para Engenharia, jamais deve se contentar com Economia; um outro, vocacionado para Medicina, também não deve se dirigir para Enfermagem, valendo, evidentemente, as recíprocas, já que esse artigo não visa desmerecer qualquer carreira. 

Deve-se cursar aquilo que é de vocação, o que se gosta e constitui projeto de vida. Um profi ssional feliz e ajustado em sua carreira terá sempre um melhor desempenho, o que redundará em benefícios para aqueles que dependem do seu trabalho e para o próprio indivíduo, já que este será reconhecido por colegas e superiores imediatos, que estarão sempre acenando com melhores possibilidades e promoções. Há um dito popular que apregoa: “Atue profi ssionalmente fazendo aquilo que gostas e não terás que trabalhar um dia sequer em sua vida”. Realmente, um profi ssional que labora conforme os desígnios de seus talentos e de conformidade com seu coração sempre será mais produtivo e longevo na carreira. Exercerá seu ofício a vida inteira com prazer, crescendo e se aprimorando, o que legará um registro perene de capacidade e excelência.

Há muitos cursos superiores em universidades públicas com ótima qualidade, mas também há outros com deplorável reputação. Há, por outro lado, muitos cursos superiores em universidades privadas com fama e destaque, mas há outros com lastimável prestígio. Nem toda faculdade federal é boa, bem como, nem toda faculdade privada é boa. Há indicadores que devem ser cogitados pelos estudantes e seus familiares antes de se tomar qualquer decisão: conceito do curso no ENADE (Exame Nacional de Desempenho de Estudantes), colocação do curso nos diversos rankings existentes, laboratórios e recursos didáticos disponíveis (computadores, bibliotecas, etc), opinião de alunos e ex-alunos da faculdade, possibilidades de estágios e, principalmente, absorção dos recém-graduados pelo mercado de trabalho. Sabidamente, engenheiros formados pelo ITA (Instituto Tecnológico da Aeronáutica), em S. José dos Campos, e médicos diplomados pela Faculdade de Medicina de Pinheiros, da USP, em S. Paulo, são convidados a ocupar cobiçados postos de trabalho, em muitos casos, mesmo antes da formatura.

Entre tomar uma decisão precipitada, partindo-se para um curso superior público que não corresponde à real aspiração do vestibulando, numa localidade totalmente fora da logística individual e familiar, e aguardar um pouco mais, partindo-se para uma melhor preparação para o vestibular, cremos que a segunda opção seja a mais sábia. Isso deve ocorrer principalmente se o aluno é muito jovem, concluinte do ensino médio e sem plena convicção de suas aspirações.

O importante é elaborar sonhos – grandes e consistentes –, estabelecer metas e partir de maneira determinada e tenaz em busca de sua realização.

 

artigo escrito pelo professor Ricardo Helou Doca Engenheiro, Matemático, Professor de Física e Autor

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