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Março de 2013

A eterna busca da autoestima

No dia 8 de março foi comemorado o Dia Internacional da Mulher, mas as refl exões sobre as questões femininas ocorrem durante todo o mês, no mundo inteiro.

Nelma Penteado
Nelma Penteado

O tema da autoestima é recorrente em praticamente todos os assuntos relacionados ao universo feminino, afi nal, são diversos e complexos os fatores que podem levar a mulher ao bem-estar ou a um estado de espírito que ninguém gostaria de ter. Desde 1977, a data dedicada à mulher, instituída pela ONU (Organização das Nações Unidas), vem sendo comemo-rada internacionalmente e, em praticamente todas as campanhas, assuntos como saúde, filhos, amor e trabalho são abordados.

A importância do sexo feminino na sociedade foi celebrada pela primeira vez no dia 19 de março, há 102 anos, na Áustria, Dinamarca, Alemanha e Suíça, mas foi a partir do reconhecimento das Nações Unidas que a questão ganhou maior impulso. Desde então, as mulheres conquistaram vários direi-tos, mas ainda continuam lutando.

Para tratar desse assunto, a Foco Magazine entrevistou uma estudiosa sobre o comportamento humano, especialmente do universo feminino, a escritora e palestrante Nelma Penteado. Com 18 anos de trabalho e mais de dois mil eventos realizados, com participação de mais de dois milhões e meio de pessoas, Nelma Penteado trata dos problemas que levam à baixa autoes-tima da mulher e dos tabus sobre o assunto.

Foco - Como e quando a senhora iniciou sua trajetória de especialista em causas femininas?

Nelma Penteado - No ano de 1992. Comecei depois de muita pesquisa, a informar as mulheres dicas sobre vida, autoestima, felicidade e isto gerou uma revolução na vida delas e na minha.

Foco - Naquela época, que visão a senhora tinha desse público?

NP - Não pensava nas mulheres como “público”. Pensava e penso até hoje como “amigas”. Amigas que eu gostaria de ajudar, orientar e partilhar ideias.

Foco - A senhora acredita que o comportamento da mulher, nos vários âmbitos da sociedade, mudou de lá para cá? De que forma e o que motivou essa mudança?

NP - Mudou radicalmente. Antes, qualquer assunto relacionado à felici-dade, sensualidade e poder feminino era meio tabu. Depois que, de forma pioneira, eu comecei a ministrar minhas palestras e cursos, as mulheres hoje encaram tudo isto de uma maneira mais natural. Minha atitude pio-neira abriu portas para que revistas femininas, programas femininos, jornais, sites, discutissem os temas com mais abertura e facilidade. Até o comportamento de consumo das mulheres mudou e dos lojistas também, pois começaram a ter que atender uma mulher consumi-dora em busca de seus ideais para uma felicidade maior na vida.

Foco - Para a senhora, o que faz da mulher um ser humano tão sensível?

NP - Somos dotadas da capacidade ilimitada de nos emo-cionar, de pensar com o coração, de agir pela intuição e de decidir pela sensibilidade.

Foco - A senhora acredita que a mulher, mesmo que inconsciente, trava uma luta para se igualar ao homem? Por que ela busca essa equiparação social?

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NP - A mulher não trava uma luta para se igualar ao homem. A mulher trava uma luta para que o homem perceba que todas as mulheres são tão inteligentes quanto, ou até mais, para exercer qualquer função ou cargo. Trava uma luta para que se pare a discriminação de cargos, salários e carga horária. Trava uma luta para que o homem em casa perceba que toda mulher que tra-balha fora necessita de ajuda na divisão das tarefas, pois, assim como ele não fi cou brincando na empresa o dia inteiro, ela também não. Esta é a real luta da mulher: ter seu espaço reconhecido.

Foco - Estaria aí, nesses confl itos, dilemas e situ-ações adversas à causa da baixa autoestima? Se não, qual seria a causa?

NP - A baixa estima tem vários fatores, que não são necessariamente estes. A mídia propaga todas as horas que a mulher ideal é aquela que tem um corpo perfeito, um casamento perfeito, que consegue dar conta da casa, dos fi lhos, do cachorro e ainda aparecer à noite para o marido deslumbrante, em uma camisola usando Cha-nel. Este padrão é muito difícil e complicado de atingir. Por isto vem para muitas mulheres a baixa estima e a ideia de que não são capazes de atingir um patamar tão alto.

Foco - Como levantar essa au-toestima? A mulher teria mesmo que fazer um curso ou assistir palestras, ler livros, etc para mudar sua condição psíquica nesse caso?

NP - Muitas vezes a mulher consegue levantar a autoestima sozinha. Mas a frase “teria mesmo que fazer curso” é uma frase que insinua que fazer um curso, ler livros, buscar orien-tação, é algo errado, o que não é. Temos que fazer curso para nosso su-cesso profissional. Temos que buscar orientações em livros e profissionais para cuidar de filhos. Porque não buscar orien-tações em cursos ou livros para ser uma mulher com mais força diante de todos os desafios, já que ninguém nasce sa-bendo? A mulher batalhadora faz cursos sim, lê livros sim e procura sair da baixa estima. A mulher acomodada pensa “terei mesmo que fazer tal coisa?”- acaba não fazendo e o resultado em sua vida é zero.

Foco - Teria uma outra forma da mulher desempenhar seu papel na sociedade sem precisar disputar espaço ou buscar reconhecimento?

NP - Ai meu Deus! Repito: a mulher não disputa espaço, ela simplesmente quer conquistar sua carreira, como todo homem faz. Quanto a buscar reconhecimento, isto é inerente do ser humano em todas as situações. A gente levanta da cama e faz tudo o que faz durante o dia para ter reconhecimento da família, dos amigos, do trabalho e até diante do espelho. Isto não é ruim não. A criança já nasce assim: buscando reconhe-cimento dos pais, na escola, perante os amiguinhos. Por que no caso da mulher é errado? O papel da mulher na sociedade é o mesmo que o papel do homem: construir, partilhar, ser feliz. Só que – repito, enquanto o homem luta para isto tudo e é enxergado de uma forma natural, a mulher que luta por tudo isto é enxergada de uma forma torta. Para alguns homens, o tal papel na sociedade da mulher deveria ser ficar em casa, fritando ovo, com cinco crianças agarradas na saia, enquanto ele sai para trabalhar, vencer, etc. Acordem homens! Até a mulher que fica em casa cuidando dos filhos merece reconhecimento, respeito e consideração.

Foco - Por fim, o que a senhora diria para as mulheres que lerem essa matéria sobre a questão da autoestima?

NP - Procure nunca, por nada, nem por ninguém, destruir a crença que você tem em si mesma e em Deus para ser vencedora na vida.

Enio Modesto

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