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Março de 2013

Minha Profissão - Meu Futuro

As psicólogas Maria de Lourdes Carvalho de Sousa Silveira e Gabriela Maia Silveira contam suas experiências nessa rica profissão, desde a época em que ainda pensavam em fazer um curso de graduação até agora, como requisitadas profissionais em passos.

Gabriela Maia Silveira - 4 anos de pro
Gabriela Maia Silveira - 4 anos de profissão

Lidando com as coisas humanas 

Maria de Lourdes Carvalho de Sousa Silveira formou-se no ano de 1981, no curso de psicologia da PUC-Campinas (Pontifícia Universidade Católica de Campinas, São Paulo). Hoje ela é proprietária de uma clínica, onde, com uma equipe multipro-fi ssional e por meio de uma série de recursos, busca ajudar os pacientes a serem mais saudáveis e integrados à sociedade. Quando se preparava para ingressar na faculdade, Maria de Lourdes já sabia que queria lidar com o ser humano e que, dentre várias áreas com esse enfoque, escolheu a psicologia. ”E, felizmente, eu hoje confi rmo a minha escolha. Eu não aco-lheria outra profi ssão a não ser a minha, porque tem tudo a ver com a minha pessoa”, disse.

A psicóloga explica que a opção pela profi ssão vem das suas próprias características como pessoa e que ela, na ado-lescência, muito estudiosa, sempre se integrava a situações vividas com amigos, se sociabilizava e interagia facilmente com todos. “Então, a característica de lidar com as coisas hu-manas fazia parte já da minha pessoa. A partir disso, eu en-tendi que uma das profi ssões que pudesse dar continuidade a todo esse universo seria a psicologia”, justifica.

Maria de Lourdes em sua formatura em 1981: “Fazer um curso de psicologia é uma vocação de responsabilidade muito grande, porque você vai entrar no universo interno de alguém e isso requer um respeito à condição humana.”
Maria de Lourdes em sua formatura em 1981: “Fazer um curso de psicologia é uma vocação de responsabilidade muito grande, porque você vai entrar no universo interno de alguém e isso requer um respeito à condição humana.”

O antigo primário, Maria de Lourdes fez na Escola Mu-nicipal Francina de Andrade (na época, Grupo Escolar Wen-ceslau Braz); os dois primeiros anos do colegial, ela fez na Escola Estadual Professora Júlia Kubitscheck (Colégio Estadual); o terceiro, integrado com o cursinho pré-vestibular, foi feito numa escola particular em Ribeirão Preto (SP). Maria de Lourdes passou em dois vestibulares, e fez a opção pela PUC de Campinas. 

Antes de partir, ela já havia decidido em casa que não moraria inicialmente em república, mas em pensionato, mais próximo da universidade, o que acabou ocorrendo. Segundo a psicóloga, o curso a encantou por ser muito motivador, com pessoas muito dedicadas e cientes do que estavam fazendo numa faculdade. A turma era formada em sua grande maioria por mulheres, que colaboravam umas com as outras nas atividades, e as boas amizades ajudaram muito na motivação do estudo. “Foi uma fase muito gostosa esse início de faculdade. Eu, sabendo o que queria, tendo a certeza durante o curso, a cada vez que ia me deparando com as matérias, ia dizendo: é aqui mesmo que tenho que fi car”, recorda.

“Fui uma aluna participativa, inclusive voluntariamente, na área de pesquisa da faculdade. Isso leva a gente a conhecer mais, a saber mais, a se interessar cada vez mais, porque a profi ssão de psicologia exige muito estudo, exige muito empenho. Nós não podemos parar, porque o conhecimento está acelerado e mudando sempre”, observa.

Gabriela aproveitou seu interesse por animais e hoje faz tratamentos usando equinos.
Gabriela aproveitou seu interesse por animais e hoje faz tratamentos usando equinos.

Estudar sempre

De acordo com Maria de Lourdes, um psicólogo não para nunca de estudar porque a profissão é muito variada, com uma abrangência muito gran-de e olhares diferentes sobre as questões do ser humano, como a psicanálise, as teorias existencial humanista, comportamental, dentre outras voltadas à integração e desenvolvimento dos indi-víduos e grupos, interligadas com áreas da saúde, das organizações e do social.

“Hoje a psicologia é uma profi ssão necessária em todas as vertentes ligadas às políticas públicas. A psicologia está entrando muito no campo social”, diz, explicando que o psicólogo precisa ser generalista, mesmo que prefira trabalhar numa área específica, porque a sociedade, na atualidade, exige um profissional capaz de integrar diver-sas áreas.

Acompanhando essa evolução, depois de formada, Maria de Lourdes montou sua clínica, onde atuam profissionais de psicologia, psiquiatria, terapia ocupacional, musicoterapia, fonoaudiologia, psicopedagogia, recursos humanos e tecnologia. “Todos os saberes integrados num movimento só: tornar esse ser (humano) mais saudável, mais feliz, mais envolvido, mais realizado e participando também do contexto social”, explica.

Com uma longa carreira no currículo e, agora, integrante de um núcleo de docentes que estão montando um curso de psicologia em Passos, Maria de Lourdes envia uma mensagem para os interessados nessa carreira. “Fazer um curso de psicologia é uma vocação de responsabilidade muito grande, porque você vai entrar no universo interno de alguém e isso requer um respeito à condição humana. A pessoa tem que realmente es-tar pronta para entrar na vida do outro. Pode ser na família, na escola, na empresa, em qualquer ambiente. Um quesito muito necessário é respeitar o ‘Ser Humano’ (frisa), ajudando-o a ser o melhor de si mesmo”, orienta.

Realizada com a profissão escolhida

Ser psicóloga não era o sonho da vida de Gabriela Maia Silveira, mas é a área que ela escolheu e com a qual vem se realizando profissional e pessoalmente há quatro anos, desde que se formou. O sonho era de ser veterinária, para trabalhar com animais de grande porte, como os cavalos do haras de seu pai, Antônio Maia da Silveira, o Faxa, que a convenceu a mu-dar de ideia. Hoje Gabriela é psicóloga, profissão que aprendeu a gostar e que lhe permite trabalhar com os equinos, porque ela se especializou num tipo de tratamento com a ajuda desses animais, a equoterapia – método terapêutico e educacional que utiliza o cavalo para o desenvolvimento de pessoas com deficiência.

Com o sonho de ser veterinária interrompido, Gabriela as-sumiu que devia, aos 17 anos de idade, escolher uma nova carreira. Ela não fez cursinho pré-vestibular e nem teste vocacional, mas leu publicações sobre as profissões e se identificou com duas: serviço social e psicologia. Esta foi a escolhida “pela quantidade de áreas para trabalhar”, segundo Gabriela.

“Embora não tenha sido uma decisão feita “com certeza”, eu entrei e hoje estou realizada, estou trabalhando no que eu gosto. E a equoterapia me motivou ainda mais nesse processo, onde juntei meu sonho de criança com o que estava fazendo”, afirma a psicóloga.

Gabriela formou-se no curso de psicologia da PUC (Ponti-fícia Universidade Católica) de Poços de Caldas. Ela chegou a frequentar outra universidade no interior de São Paulo, mas não se adaptou à cidade, o que a fez voltar para Minas Gerais. Em Poços, ela montou república com uma grande amiga de Passos e gostou também da cidade.

Estágio voluntário

A psicóloga Gabriela Maia Silveira conta que os tempos de estudos foram muito produtivos e motivadores e que a descoberta da equoterapia ocorreu no quinto período de faculdade, quando fez um estágio voluntário. Para conhecer mais o assunto, a então estudante, após se formar, decidiu se especializar na área, fazendo os cursos básico e o avançado na ANDE (Associação Nacional de Equoterapia), em Brasília, e constatou que aquilo era tudo o que queria como profi ssional.

Durante a semana, Gabriela divide esse trabalho ao ar livre com pessoas e animais, com as suas funções realizadas no departamento de recursos humanos (RH) da indústria de confecções de sua família. Foi ela e uma colega, Daniela Danziger Silva Barbo-sa, que instalaram esse setor na empresa há quatro anos para receber currículos, entrevistar e selecionar candidatos a vagas de emprego, analisar convênios e também visando o atendimento a funcionários que apresentem algum tipo de problema, seja pessoal ou no próprio local de trabalho. “Atualmente, trabalho com outra psicóloga, Joicy Freire, com quem aprendo muito, e aprendo principalmente na prática”, disse, explicando que sua especialização em RH é seu pró-ximo objetivo.

Após se formar, Gabriela fez como a maioria das pessoas faz, montou e distribuiu currículos em diversas instituições de Passos. Ela foi chamada para duas entrevistas, uma delas na APAE (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais), que já empregava o método da equoterapia para seus alunos. A nova psicóloga decidiu por essa entidade, na qual foi contratada e trabalhou por algum tempo. Mas a jovem profissional desejava trabalhar com um público mais variado e, pensando assim, montou o seu próprio centro, onde trabalha com o auxílio da fisioterapeuta Aline Oliveira e de um instrutor de montaria, já que na APAE a equotera-pia atendia apenas seus alunos e ela viu a necessidade de um centro particular para atender Passos e região.

Dicas e recomendações

Gabriela Silveira, no entanto, reconhece que nem todo mundo consegue um emprego com facilidade e recomenda aos futuros estudantes de psicologia que aproveitem bem as oportunidades que surgirem na faculdade. Participar de palestras, fazer estágios e cursos fora da faculdade é importante para enriquecer o currículo e melhorar a chance de conseguir uma colocação profissional. Caso não consiga um contrato de trabalho rapidamente, Gabriela sugere que o recém-formado pegue algum trabalho voluntário em creche, entidades e outras instituições filantrópicas para adquirir experiência.

“(A psicologia) é uma área muito ampla, (o futuro profissional) vai ter muitas opções para escolher onde trabalhar. Da minha parte, com o meu trabalho, acredito ter ajudado muita gente e espero poder contribuir cada vez mais. Além de ser um excelente curso, a psicologia também faz bem a nós mesmos, me ajudou bastante. Eu cresci muito dentro da faculdade”, finaliza.

Enio Modesto

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