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Abril de 2013

Minha Profissão - Meu Futuro

Histórias de vida de profissionais que estão no mercado atual de trabalho ajudam vestibulandos na hora de fazerem a escolha de suas carreiras.

A professora e coordenadora de curso universitário Vivian Freitas Silva Braga Silveira: “Só de uns cinco anos para cá é que estão dando valor à qualidade de vida, através da alimentação mais saudável.”
A professora e coordenadora de curso universitário Vivian Freitas Silva Braga Silveira: “Só de uns cinco anos para cá é que estão dando valor à qualidade de vida, através da alimentação mais saudável.”

ATRAÍDA PELA NOVIDADE

A hoje professora e coordenadora de curso universitário Vivian Freitas Silva Braga Silveira é uma das fundadoras do curso de nutrição da Fesp (Fundação de Ensino Superior de Passos) e a primeira nutricionista de Passos. Ela estudou na UFOP (Universidade Federal de Ouro Preto) entre os anos de 1986 e 1989. Naquela época, apesar da profissão existir legalmente desde 1967 e os cursos, desde os anos 40, a nutrição ainda era uma novidade para os estudantes. “Só de uns cinco anos para cá é que estão dando valor à qualidade de vida, através da alimentação mais saudável”, disse.

Quando fazia cursinho pré-vestibular em Belo Horizonte, Vivian Silveira pensava em engenharia de alimentos e odontologia. Até se inscreveu nos respectivos vestibulares, mas ela se interessou pela nutrição, quando foi divulgada pela UFOP através de panfletos distribuídos no cursinho. “O curso era novidade mesmo para aquele ambiente”, recorda-se, explicando que ela e uma amiga fizeram o vestibular acreditando que seria uma boa escolha, por se tratar de uma especialidade ainda desconhecida pela maioria dos estudantes e com um campo profissional ainda a ser explorado: “Queríamos um mercado de trabalho promissor, com portas abertas.

”Naquela primeira metade dos anos 80, os cursos de nutrição ainda eram feitos em quatro anos. Hoje, o período para a formação do profissional varia de acordo com a instituição de ensino. “Na Fesp, por exemplo, continuam os quatro anos. Nas universidades federais de Alfenas e de Ouro Preto, são quatro anos e meio. E existem cursos de até cinco anos”, explica.

A nutricionista Taís Horta Vilela: “Nutrição não é só para emagrecer!”
A nutricionista Taís Horta Vilela: “Nutrição não é só para emagrecer!”

Segundo Vivian Silveira, a matriz curricular proporciona ao aluno uma boa oportunidade de se inserir aos poucos no mercado de trabalho, o que é feito por meio dos estágios obrigatórios. “A estrutura educacional do MEC (Ministério da Educação), atualmente, estabelece que o curso seja voltado às atividades a serem desenvolvidas, em casa ou no campo de estágio, pelo aluno individualmente ou em grupo. A sala de aula é apenas um balizamento para o aluno ser mais participativo do que receptivo”, explica a professora e nutricionista.

Reconhecimento da prossão

Vivian, que morou na república da própria universidade, com tudo gratuito, diz que hoje o curso de nutrição evoluiu junto com o reconhecimento cada vez maior do Poder Público e da sociedade para esta área que trata da alimentação adequada para o ser humano, de acordo com as necessidades específicas de cada indivíduo nas diversas fases da vida e condições de saúde.

Mas quando ela se formou, o reconhecimento da profissão era pequeno, principalmente nas cidades do interior, por exemplo, era muito raro encontrar um nutricionista com responsabilidade clínica, atendendo diretamente o paciente hospitalizado, e mais raro ainda a preocupação, principalmente do Poder Público, com a importância da boa alimentação para a população.

Vivian Freitas com sua turma de formandos da UFOP - Universidade Federal de Ouro Preto - 1989
Vivian Freitas com sua turma de formandos da UFOP - Universidade Federal de Ouro Preto - 1989

No máximo, esse profissional administrava o serviço de nutrição de um hospital, elaborando o cardápio, baseado na dieta, que quase nunca era prescrita pelo nutricionista - o que seria o correto. Não havia programa de saúde pública que contemplasse essa especialidade para a prevenção e auxílio na cura ou controle de doenças, como atualmente. Assim, a maioria dos nutricionistas trabalhava como responsáveis pela produção da refeição oferecida aos trabalhadores de grandes empresas.

“Hoje tem muitos nutricionistas fazendo atendimento clínico nos consultórios e clínicas ou prestando consultorias na produção de alimentos, em restaurantes, açougues, lanchonetes e outros. A vigilância sanitária exige que as normas estabelecidas pela legislação sejam cumpridas e o nutricionista vai orientar os funcionários”, explica Vivian Silveira.

Também oferecem oportunidades para os nutricionistas os hospitais, spas e programas de saúde pública, como o PSF (Programa de Saúde da Família), o NASF (Núcleo de Apoio à Saúde da Família) e a própria vigilância sanitária. Através desses programas federais ligados à saúde da família, executados com participação das prefeituras, o governo promove ações voltadas para educação alimentar de diabéticos, hipertensos, crianças e idosos.

A merenda escolar também é outra forma encontrada pelas autoridades públicas para reeducar as pessoas para uma alimentação rica em nutrientes, que contribua para a boa qualidade de vida, segundo a professora de nutrição. Para isso, foram cortados das escolas guloseimas e outros alimentos considerados supérfluos, segundo os profissionais de nutrição, e tentativas vêm sendo feitas para estimular o hábito da boa alimentação com atividades físicas, que são fundamentais para a saúde.

Ainda restam desafios

Embora reconheça os avanços, Vivian Freitas diz que ainda há muito a ser feito quanto à nutrição, porque muitos costumam confundir o papel do nutricionista e insistem no mau hábito alimentar. “Enquanto não se tornar reconhecida como uma profissão da área da saúde e prevenção, a gente ainda terá muita dificuldade para fazer as pessoas entenderem a importância da alimentação saudável. As pessoas ainda vêm a nutrição como algo negativo, punitivo, que as impedem de comer o que quiserem”, lamenta-se.

A professora defende a busca constante de procedimentos novos para melhorar a saúde da população e acredita que a nutrição pode contribuir como medicina preventiva, desde que alcance o reconhecimento da sociedade. Como dica para os estudantes pré-universitários, ela ensina: “Eu acho que a profissão tem que ser escolhida com aptidão, com amor, para se ter uma dedicação maior e mais sucesso profissional, com uma visão mais positiva da vida.”

DIVULGAÇÃOFormada há 9 anos Taís Horta já fez 5 pós-graduações e quanto à saúde preventiva, analisa: “O governo poderia reduzir muito os gastos com tratamentos de saúde através de uma alimentação mais saudável da população.”
DIVULGAÇÃOFormada há 9 anos Taís Horta já fez 5 pós-graduações e quanto à saúde preventiva, analisa: “O governo poderia reduzir muito os gastos com tratamentos de saúde através de uma alimentação mais saudável da população.”

“NUTRIÇÃO NÃO É SÓ PARA EMAGRECER”

Àqueles que têm uma referência equivocada sobre nutrição, a nutricionista Taís Horta Vilela avisa: “Nutrição não é só para emagrecer!” Formada há nove anos pela PUC-PR (Pontifícia Universidade Católica do Paraná), a jovem profissional não parou na graduação. Desde aquela época ela fez cinco pósgraduações, especializando-se em marketing de alimentos e nutrição, nutrição esportiva, dermato-estética, oncologia e nutrição em medicina esportiva e atividade física, em diferentes universidades.

“A nutrição surgiu para ser aplicada em saúde, com equipe multidisciplinar, para prevenção de doenças, como as doenças crônicas, por exemplo. Quase tudo poderia ser evitado com uma boa alimentação. E quem já tem a doença pode mudar seu estilo de vida”, explica Taís Horta.

A nutricionista, que atende em seu consultório particular no centro de Passos, disse que até optar pelo curso na PUC pouco sabia sobre essa área do conhecimento. Quando decidiu pela carreira, Taís e sua família moravam em Foz do Iguaçu, por força das obrigações profissionais de seu pai, que trabalhava numa usina hidrelétrica.

A intenção da ainda estudante era prestar vestibular para odontologia, mas como tinha interesse por “profissões do futuro”, que teriam um bom mercado a ser explorado, deparou-se com a nutrição. “Mas eu não sabia o que era nutrição, não”, admite, explicando que procurou se informar mais e daí, se interessou por essa profissão.

O ingresso na faculdade encantou a então caloura, que achou “tudo novo, diferente.” As matérias eram bem específicas em saúde, como anatomia do corpo humano, fisiologia e, por ser uma instituição da Igreja Católica, havia até disciplina de teologia. “E tinha muita aula prática, tanto que fiz muitos estágios, porque a faculdade incentiva que façamos estágios em diversas áreas”, disse. “Eu achava que ia ser nutricionista de hemodiálise, em que fiz estágio no último ano do curso. Meu TCC (Trabalho de Conclusão de Curso) foi feito em hemodiálise”, conta.

Pós-graduação é importante

Já recém-formada, Taís fez as pós-graduações para se aprofundar na carreira, habilitando-se para atender todo tipo de paciente, daqueles que querem emagrecer com saúde aos portadores de doenças crônicas. Seus primeiros trabalhos foram em Curitiba, capital do Paraná, onde chegou a se preparar para prestar concursos públicos, mas, como a família voltou a morar em Passos, a jovem nutricionista encontrou nesta cidade um mercado promissor para sua carreira.

Taís Horta começou a trabalhar para uma empresa do Espírito Santo que fornecia comida para presídios de Passos, São Sebastião do Paraíso e outras cidades sul-mineiras. Depois, sua mãe, Maria da Glória Horta Vilela, a incentivou a montar seu consultório em frente sua própria casa, na Avenida Comendador Francisco Avelino Maia. Ela apostou no novo desafio e teve a colaboração de Maria da Glória, que tornou-se sua secretária. “Minha mãe me ajudou muito”, reconhece.

Os primeiros clientes eram de gente que queria ema-grecer. Com o passar do tempo, Taís foi atendendo outros tipos de pessoas interessadas numa melhor qualidade de vida com uma dieta saudável. Atualmente, a nutricionista divide seu consultório com a colega Zeneide Santos, com a qual escreveu dois livros - “Vida Saudável em 4 Estações” e “Amor Incondicional”, impressos na Editora São Paulo - e criou um grupo (o SOS) de apoio para reeducação alimentar. “Nós somos as professoras e nutricionistas do grupo”, disse.

Nutrição como saúde preventiva

A exemplo da colega Vivian Silveira, Taís Horta também se queixa do pouco reconhecimento que esta profissão da área da saúde ainda sofre, embora admita que o conceito da sociedade tenha evoluído. “Antes achavam que a nutrição era algo fútil, só para estética”, comenta, afirmando que ainda resta um longo caminho a ser percorrido. “Está muito difícil para quem está se formando agora, a nutrição ainda não é muito valorizada. Seria importante que as autoridades soubessem que o futuro da qualidade de vida depende da prevenção e da conscientização”, adverte.

O governo também poderia ajudar mais, lançando mão de programas de saúde preventiva, segundo defende a nutricionista, ao analisar o problema. “O governo poderia reduzir muito os gastos com tratamentos de saúde através de uma alimentação mais saudável da população. É melhor ensinar a pessoa a comer do que passar medicamentos. Poderíamos ter mais hortas comunitárias, aulas de nutrição nas escolas”, disse, sugerindo os caminhos.

Apesar do muito que ainda falta para a nutrição, Taís Horta diz que o mercado de trabalho continua promissor e manda um recado para quem planeja ingressar no ensino superior, especialmente os interessados em ser seus colegas: “Se for fazer só por dinheiro, não aconselho. Tem que fazer por gostar de ver seu paciente mudar o estilo de vida, de ver seu paciente se recuperar, pensar no ser humano com saúde”, observa.

Enio Modesto

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