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Maio de 2013

Turismo sobre 2 rodas

Não há dúvidas que viajar de moto de um país para o outro é uma aventura que exige, dentre tantas coisas, muita coragem, como bem define o mecânico náutico Arlindo Gomes Paulino, de 69 anos. Ele encarou tal façanha em março deste ano, quando saiu de Passos e cruzou as fronteiras da Bolívia e do Peru.

Arlindo Gomes Paulino, 69 anos, ao lado de sua moto às margens do Rio Desaguadero, na fronteira entre a Bolívia e o Peru.

Arlindo Gomes Paulino, 69 anos, ao lado de sua moto às margens do Rio Desaguadero, na fronteira entre a Bolívia e o Peru.

 

O gosto por viajar de moto surgiu na década de 70, precisamente no ano de 1976, quando Arlindo Gomes Paulino fez sua primeira viagem, na época de lambreta, para o Paraguai. O roteiro também incluiu passagens por Argentina e Uruguai, outros dois países do eixo Mercosul.

“Foi nessa época que eu ouvi falar de Machu Picchu, no Peru, e daí surgiu a ideia de um dia fazer uma viagem de moto até lá”, conta.

Arlindo em Machu Picchu, e a emoção de conhecer A Cidade Perdida, que   ca a 2.400m de altitude do nível do mar. “Parece que é uma cidade montada.”
Arlindo em Machu Picchu, e a emoção de conhecer A Cidade Perdida, que ca a 2.400m de altitude do nível do mar. “Parece que é uma cidade montada.”

De lá para cá, Arlindo continuou viajando de moto, só que pelo Brasil. A segunda viagem internacional de Arlindo sobre duas rodas foi rumo à Bolívia e ao Peru, e teve início no dia 23 de março desse ano, quando saiu de Passos e foi para São Sebastião do Paraíso. De lá, no dia 25, ele seguiu para Franca, e passou por Barretos, São José do Rio Preto e Andradina, no interior de São Paulo, até chegar ao Mato Grosso do Sul, onde passou por Três Lagoas, Campo Grande até chegar a Corumbá, já na fronteira com a Bolívia. Já em território boliviano ele seguiu para Santa Cruz de la Sierra, passou por Cochabamba até chegar à capital La Paz. 

Na Bolívia, Arlindo confessa que teve algumas difi culdades, principalmente pela forma como o povo boliviano trata os brasileiros.

Placa do Rotary Clube de Cusco em homenagem ao centenário de Machu Picchu, comemorados em 2011. / As belezas de Machu Picchu, “ A Cidade Perdida”: patrimônio mundial da Unesco.
Placa do Rotary Clube de Cusco em homenagem ao centenário de Machu Picchu, comemorados em 2011. / As belezas de Machu Picchu, “ A Cidade Perdida”: patrimônio mundial da Unesco.

“Para se ter uma ideia, na Bolívia eles não abastecem veículos brasileiros, então para conseguir gasolina é preciso adquirir de terceiros. Pelo que me disse um militar boliviano, essa resistência  dos bolivianos em relação aos brasileiros vem desde a guerra que culminou com a disputa pelo território em que se localiza o estado do Mato Grosso. Até hoje os bolivianos não se conformam de ter perdido essa área, que eles consideram privilegiada, para o Brasil", observa.

Arlindo afi rma que no Peru o povo é mais receptivo do que na Bolívia, e que os peruanos dão muito valor à cultura. Ele destaca que o ponto alto da viagem foi quando conheceu Machu Picchu, a cidade perdida, que fica a 2.400 metros de altitude.

“Parece que é uma cidade montada, não tem ferramentas nem vestígios de onde foram tiradas as pedras. Foi uma tecnologia muito avançada para a época”, explica Arlindo, se referindo ao fato do local, que é símbolo do Império Inca, ter sido descoberto tardiamente, somente em 1911, e ao fato de apenas 30% da cidade ser de construção original, sendo que o restante foi reconstituído.

Arlindo e sua moto, que ainda nem foi lavada, desde que chegou da viagem: mais de 9000km percorridos até a Bolívia e o Peru
Arlindo e sua moto, que ainda nem foi lavada, desde que chegou da viagem: mais de 9000km percorridos até a Bolívia e o Peru

Cuidados com a segurança é importante

 

Em seu retorno ao Brasil, Arlindo voltou pelo Acre, o que fez com que a viagem fosse um pouco mais demorada, gastou 8 dias, e passou pelos seguintes lugares: Cuzco, Cordilheira dos Andes, Puerto Maldonado (na divisa do Peru com o Brasil), Rio Branco, Rondônia, Porto Velho, Cuiabá, Rondonópolis, Rio Verde, cidades do triângulo mineiro, Franca, São Sebastião do Paraíso até chegar a Passos. No total foram 9.000km percorridos, entre ida e volta, contando o trajeto gasto durante o tempo em que permaneceu nos dois países.

Para quem pretende seguir o exemplo de Arlindo e fazer uma viagem de moto, ele ressalta cuidados fundamentais que devem ser tomados em relação à segurança do veículo, para que não ocorra nenhum problema durante a viagem.

Cidade que é simbolo do Império Inca, é reconhecida pela beleza de suas montanhas, sendo que apenas 30% é de construção original, o restante foi reconstituído.
Cidade que é simbolo do Império Inca, é reconhecida pela beleza de suas montanhas, sendo que apenas 30% é de construção original, o restante foi reconstituído.

“É importante ficar de olho na relação peão, corrente e coroa, além de manter óleo de boa qualidade, observar as pastilhas de freio e nunca acelerar a moto no limite máximo”, pondera o mecânico, que teve o apoio de patrocinadores para realizar a viagem.

Arlindo também recomenda que as pessoas levem agasalho, para o caso de irem para algum lugar frio, como na Cordilheira dos Andes, e que ao contrário dele, evitem viajar sozinhos, para que não corram riscos durante o percurso.

“O mais importante é ter força de vontade, gostar muito de aventura e se preparar, tanto fi sicamente quanto psicologicamente”, revela Arlindo, que sintetizou em uma frase toda a emoção vivida.

“Vontade é para muitos, só que coragem, é para poucos.”

Renato Rodrigues Delfraro

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