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Furto de veículos - Interesse dos ladrões pelas moticicletas é maior do que carros

  • O número de furtos e roubos de veículos caiu quase pela metade neste ano na cidade, embora o interesse dos ladrões pelas motocicletas não tenha diminuído tanto.

    O capitão Afrânio Tadeu Garcia explica que a PM iniciou uma campanha para prevenir o furto de motos.
    O capitão Afrânio Tadeu Garcia explica que a PM iniciou uma campanha para prevenir o furto de motos.

     

    Nos primeiros cinco meses do ano de 2012, ladrões furtaram 147 veículos em Passos; neste ano, no mesmo período, o número de crimes desse tipo caiu 50,34%, resultado do trabalho de combate aos bandidos feito em conjunto pelas polícias civil e militar. Apesar dessa redução de mais da metade dos casos, a polícia ainda mantém uma preocupação. As motocicletas continuam sendo visadas pelos bandidos, já que a redução dos furtos foi bem menor em relação aos automóveis. Por isso, a Polícia Militar lançou neste mês uma campanha para ensinar às pessoas os meios de proteção das motos.“

    A Polícia Militar irá distribuir um panfleto para orientar os motociclistas quanto à proteção de suas motocicletas”, explica o comandante da 77ª Companhia da Polícia Militar de Passos, capitão Afrânio Tadeu Garcia. Segundo ele, os números relacionados a furtos e roubos de veículos eram bem mais preocupantes no ano passado, mas algumas operações policiais ajudaram a desvendar a maioria dos crimes e prender os ladrões. “Houve uma redução por causa de muitas ações que desenvolvemos, até mesmo com a Polícia Civil”, disse.

    Em 2012, no período de 1º de janeiro a 25 de maio, 147 veículos - sendo 79 automóveis e 68 motos - foram subtraídos dos proprietários por ladrões. No mesmo período, em 2013, esses números são respectivamente 73, no total de furtos, dos quais 16 são para automóveis e 57 para motos. Isso significa que os furtos de automóveis caíram quase 80% em relação aos primeiros cinco meses de 2012, enquanto que o de motos teve uma queda de aproximadamente 16%.

    Segundo o capitão Afrânio e o chefe da Polícia Civil na região, delegado Paulo Queiroz Ferreira, a motivação desses crimes é variada e depende do tipo e categoria do veículo. “As motocicletas de cilindrada maior são utilizadas para roubo e em seguida fuga ou até mesmo para o cometimento de homicídios e fuga. As de cilindrada menor comumente são utilizadas e abandonadas dias depois, mas às vezes servem para desmanche e aproveitamento de parte das peças”, explica Paulo Queiroz.“

    O delegado do Sindicato dos Corretores de Seguro de Minas Gerais, Kalú, diz que os carros mais velhos são preferidos pelos ladrões.
    O delegado do Sindicato dos Corretores de Seguro de Minas Gerais, Kalú, diz que os carros mais velhos são preferidos pelos ladrões.


    Nós temos casos de motos furtadas que foram utilizadas em assalto e foram apreendidas e recuperadas durante a prisão dos ladrões”, observa o capitão, ressaltando que o índice de recuperação de veículos furtados ou roubados é alto, de aproximadamente 80%. “A maioria é encontrada abandonada. Agora mesmo nós recuperamos uma moto que provavelmente foi furtada à noite”, disse, citando uma ocorrência registrada na manhã do dia 29 de maio.

    Outro caso de moto recuperada pela Polícia Militar foi registrado na manhã de 24 de maio, quando um criador de vacas roçava um pasto no final da Rua Guaporé, no Recanto da Harmonia, região do Bairro Santa Luzia, e se deparou com três sacos no meio do matagal que continham partes de uma moto que havia sido furtada em 14 de fevereiro. O veículo estava desmontado, faltando diversas partes, como as rodas e os pneus.

    As motos que despertam mais a cobiça dos bandidos são as de 125 e 250 cilindradas (CG, Tornado, Fazer) e, dentre os automóveis, o Uno, Gol, e as caminhonetes D20 e C10 – estas mais para abastecer o mercado clandestino de peças e, em relação ao Uno e ao Gol, por serem fáceis de ser subtraídos, segundo o delegado regional, explicando que o ladrão não tem um perfil específico. “É variado. Temos menores infratores, assaltantes, homicidas e receptadores. Agem no geral mais isoladamente, não ligados a quadrilhas”, disse Paulo Queiroz.

    Em julho do ano passado, o Detran (Departamento de Trânsito) em Minas Gerais divulgou a frota circulante de veículos em Passos. O total era de 58.383, entre automóveis, caminhões, motocicletas, ônibus, reboques, dentre outros. Desse todo, 147 foram levados por ladrões, ou seja, 0,25%, uma porcentagem pequena, mas que não deixa de significar prejuízos para as vítimas.

    Vítima de roubo, o aposentado A.S.N. conta como os ladrões levaram seu carro.
    Vítima de roubo, o aposentado A.S.N. conta como os ladrões levaram seu carro.

    De acordo com o capitão Afrânio, a maioria dos furtos tem o envolvimento de menores de 18 anos de idade, com os quais, durante a apreensão, a polícia encontra os meios que eles utilizam para levar o veículo. São chaves michas, chaves falsas e até chaves verdadeiras de motocicletas. 

    “Já efetuamos a prisão de assaltante que roubava apenas mototaxistas, por exemplo, e de assaltantes em geral. E com isso recuperamos a motocicleta da vítima”, ressalta o delegado Paulo Queiroz.

    Entretanto, para os dois chefes policiais, o número de furtos de veículos poderia ser bem menor se os proprietários procurassem dificultar a ação dos ladrões, que agem quase que exclusivamente de acordo com a oportunidade encontrada. “Já teve caso da moto ter sido praticamente entregue pela vítima ao ladrão, porque estava com a chave no contato, não estava travada e nem tinha cadeado”, observa o capitão. “Em alguns casos a vítima facilita o furto, deixando a chave na ignição, deixando o veículo pernoitar na via pública, vidros abertos, etc”, diz o delegado. 

    Moto desmontada recuperada pela Polícia Militar num matagal do Recanto da Harmonia.
    Moto desmontada recuperada pela Polícia Militar num matagal do Recanto da Harmonia.

    O número de FURTOS é maior que ROUBOS

     

    Enquanto as notícias sobre furtos de veículos são comuns em Passos, o mesmo não pode ser dito em relação ao roubo, que é quando o bandido emprega algum meio violento para subtrair o bem da vítima. Segundo o capitão Afrânio Tadeu Garcia e o delegado Paulo Queiroz Ferreira, nesses casos o bandido leva o veículo para fugir ou para utilizar em outro tipo de crime.

    O aposentado A.S.N. - que para sua proteção preferiu não ser identificado - não sabe o que os ladrões fizeram com seu veículo, roubado seis anos atrás, numa ação violenta, no momento em que ele chegava em casa, mas não esquece o drama que passou por vários minutos durante a noite. “Perguntaram se eu tinha dinheiro, falei que não, aí disseram: “então você é vagabundo igual a gente”. Aí me colocaram no banco de trás e me abandonaram numa estrada rural”, disse.

    A vítima ainda conta que havia pago apenas quatro parcelas do veículo semi-novo e que até hoje não tem informações sobre como anda a investigação policial. “Na época, o delegado me chamou para reconhecer umas fotos, reconheci um deles, mas ficou por isso mesmo”, queixa-se.

    O delegado do Sincor-MG (Sindicato dos Corretores de Seguro de Minas Gerais) em Passos, Carlos Andrade de Abreu, o Kalú, diz que na cidade o índice de furtos ou roubos de veículos segurados é pequeno. Ele explica que os ladrões preferem aqueles carros e motocicletas mais velhos, cujos donos não se interessam em contratar uma seguradora.

    Conforme já haviam dito o delegado Paulo Queiroz e o capitão Afrânio, os ladrões de veículos preferem os carros mais populares, para o comércio criminoso de peças. “O seguro do Uno é um dos mais caros”, disse Kalú. Enquanto o seguro de um carro de categoria similar custa em torno de R$ 950, o do Uno chega a R$ 1.300,00.

    Kalú adverte, no entanto, que não basta colocar o carro no seguro, é preciso que o proprietário se previna do furto, porque a seguradora não paga para a vítima que tenha sido negligente e, de alguma forma, facilitado a ação do bandido. “A prevenção maior é a seguinte: quando estiver em frente sua casa, guarde o carro na garagem”, observa o delegado do Sincor, explicando que na apólice de seguro há uma cláusula sobre o perfil do cliente, que permite à seguradora negar o pagamento para quem, mesmo tendo garagem, estacionar o veículo na rua, em frente a sua residência.

    O delegado Paulo Queiroz também chama a atenção das vítimas de furtos ou roubos de veículos, para que avisem a polícia o mais rápido possível. “A maior dificuldade que enfrentamos é que geralmente quando a vítima percebe o furto já se passou muito tempo”, disse.

    O capitão Afrânio recomenda aos donos de automóveis, motocicletas e outros veículos que não os deixem em local com pouca circulação de pessoas, sem vigilância. O policial também aconselha os proprietários a instalarem um sistema de segurança, principalmente nas motocicletas. “Também solicitamos à vizinhança que, em qualquer situação da presença de pessoas estranhas próximas a suas casas que denunciem, chamem a polícia pelo 190”, disse.

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